quinta-feira, 28 de julho de 2016

Música Boa Não É Só Aquilo Que Você Ouve





Sempre que a música mais tocada do momento ganha algum tipo de notoriedade, ela é severamente massacrada pelos defensores da boa música brasileira. Sempre foi assim: música que se destaca, é música que é desmerecida.

O Brasil, ou os defensores do “selo” de qualidade do que é realmente bom, gosta(m) de exaltar exemplos de cantores e compositores que são, notoriamente, premiados e elogiados mundo afora. Mas boa parte do seu trabalho, quando lançado por aqui, não chega a ser nem muito divulgado.

Bem, o que eu quero dizer com isso? Que Caetano, Chico, Gilberto Gil e tantos outros continuam produzindo música. Continuam ampliando sua obra – não existe só o “bom e velho material” da época da ditadura militar –, mas, infelizmente, só são lembrados quando o país ganha destaque lá fora, para gringo ver e ouvir.

Foi só Anitta ser anunciada como UMA DAS ATRAÇÕES de abertura das Olimpíadas, para a internet se encher de textões de revolta. Pessoas que viam esse destaque de maneira absurda. Afinal, como alguém que dança mexendo sua bunda e canta letras com rimas fáceis e que são o mais puro chiclete pode se atrever a ser uma das estrelas de um evento que será exibido para o mundo inteiro? Pois é, mas vai! A funkeira, ou ex-funkeira, como queiram, também cantará com os ícones da música “popular” brasileira, Gil e Caetano. E isso não mudou em nada os ataques sofridos nas redes sociais, muito pelo contrário, só pioraram...

Ao que parece, Anitta, por cantar funk, ou um “novo estilo” de música pop nacional, fere a imagem que muitas pessoas querem vender da nossa música. Parece que seu sucesso, no lugar de ser comemorado por tanta gente que consome naturalmente o pop importado, é visto como certo desmerecimento. Em outras palavras, o que é “verdadeiramente popular” não recebe permissão de também ser bom...

Mas se Caetano é popular, se Gil é popular, Anitta também não é? Nunca entendi muito bem o clubinho que foi montado ao redor da sigla MPB (Música Popular Brasileira), a única coisa que eu sei é que não é para qualquer um fazer parte. Mesmo em se tratando da música que é cantada pela população brasileira. Talvez porque o que é popular na cabeça de uns, não seja para outros. Talvez.

O que importa mesmo é que ontem Anitta lançou nova música e clipe, com direito a participação de Maluma, cantor colombiano e mega popular na América Latina (menos no Brasil, que parece não fazer parte dessa América Latina). Então, dessa forma, podemos dizer que foi dado início da tão aguardada carreira internacional da carioca do bairro de Honório Gurgel, subúrbio do Rio de Janeiro. Em pouco mais de três horas de lançamento o clipe de Sim ou Não, ele já havia sido assistido por mais de um milhão de pessoas. Sim, Anitta continua firmando seu status de “Poderosa” desde de 2013 e, se tudo se confirmar como falam as fontes não oficiais, na abertura das Olimpíadas ouviremos pela primeira vez a versão em inglês, ao vivo, de Bang. Será?



A dúvida que fica é: caso Anitta receba o selo de aprovação da terra do Tio Sam, ela passará a ser valorizada por aqui ou continuarão torcendo para que seu sucesso seja tão passageiro quanto muitos apostavam lá em meados de 2013, quando Show das Poderosas, primeiro grande hit da cantora, foi lançado?

Enquanto não temos respostas para essa pergunta, escute Gatas Extraordinárias, música de Caetano Veloso, na voz de Anitta:

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Neste site há fartura de inteligência, qualidade e sensualidade no seu melhor sentido. Eu o descobri recentemente e estou fazendo uma maratona, dentro do possível tempo que me sobra pra isso. Até tomei a liberdade de gravar um texto maravilhoso intitulado "Homens", do Esdras Bailone, publicado aqui em dezembro de 2015.