quinta-feira, 21 de julho de 2016

Todas as Crises da Jout Jout





No momento estou lendo Tá Todo Mundo Mal, primeiro livro de crônicas da Jout Jout. O engraçado é que não conseguia entender muito bem seu título até iniciar a leitura. Apesar do nome ser amplo e poder servir até para a situação atual do país, Tá Todo Mundo Mal diz tudo, menos sobre o que é o bendito livro. Para auxiliar um pouco nessa tarefa, bem próximo ao nome da obra, vem um "aviso": O Livro das Crises. Ajudou em alguma coisa para você? Pois é, para mim também não. 

Mas comecei minha leitura e entendi logo sobre o que veria ao longo de suas páginas. Crises. De todos os tipos, tamanhos, épocas e idades apropriadas. Julia (ou Jout Jout, como você deve chamá-la por aí), decidiu abrir seu baú de memórias e compartilhar com a gente alguns momentos nada agradáveis de sua vida. Tá, não vou exagerar também. Existem mais momentos de "iluminação" do que só de crises e dramas, propriamente dito. 

O lado bom dessa obra é poder ver pelo olhar de outra pessoa momentos tão parecidos vividos por mim. Ou até mesmo por você. Crises são universais. Vivemos a crise da puberdade. Crise do ciúme. Crise do ninguém me ama e ninguém me quer... Crises por todos os lados. E já repararam que essas crises só se dão quando a insegurança bate em nossa porta e não temos ideia do que devemos fazer? Pois é... Hoje, aos 30 anos, tio Silvestre sabe disso. Mas vai lá conversar com o Silvestre de 14 anos de idade e que se sente frustrado por estar acima do peso...

O foda de cada crise é que ela vem quando não estamos preparados, adequadamente, para lidar com elas. Hoje duvido que toda aquela insegurança pela minha sexualidade fosse me atingir da maneira com que fez nos meus 16 anos. Hoje, inclusive, saberia até brincar com toda a situação. Isso hoje, depois de ter passado por algo que não tinha ideia de como se resolvia. E assim foram tantas outras crises. Gostar de quem não gosta da gente. Estar com uma queda pelo boy que seu amigo está pegando. Não saber lidar quando o boy que seu outro amigo está pegando dá mole pra você. São situações que nem mesmo imaginadas dão uma resposta certa.

Escrever sobre crises, ou essas crises especificas, foi uma boa maneira de dialogar com seu público mais novinho (abaixo dos vinte anos). Eu, particularmente, preferiria um texto com uma outra pegada da Jout Jout. Mas aí me caiu a ficha. Até eu sou mais velho do que ela, então nem tenho como exigir "certas coisas" que ela ainda vai viver e experimentar. 

Sabe também o que é impossível de não acontecer enquanto você está lendo? Ouvir a voz da dona dessas histórias na sua cabeça. É impossível não pensar que cada trama ali contida está sendo narrado por Julia, no alto de seus quatorze anos de idade. Cinco anos. Vinte e dois. São tantas idades que até o tom de voz se modifica automaticamente, mas no fundo é possível perceber se tratar da mesma pessoa.

No fim de cada capítulo é possível ver como essas crises foram importantes para transformar essa menina, nascida em Niterói, em uma youtuber que analisa coisas, porque ela faz análise (literalmente falando). 

Tá Todo Mundo Mal não é o tipo de obra que fará de Jout Jout um membro da Academia Brasileira de Letras, mas está longe de fazer passar vergonha. Na verdade, é o tipo de livro que vai beneficiar muita gente que vai viver certas crises pela frente. Acho que é aquele tipo de livro que ajudará as próximas gerações. Não por ser um ícone da literatura nacional, mas por ter feito muita gente ficar desencanada e por ensinar aos futuros pais que toda crise é inevitável, mas a preocupação é meramente opcional.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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