quinta-feira, 7 de julho de 2016

Você É O Vilão Na História De Quem?





Lembro da primeira vez que ouvi uma frase: "O inferno são os outros". Na época não tinha entendido muito bem o que aquilo significava, muito menos conhecia seu criador, Sartre. Mas, com o passar dos anos, das experiências que vivi ao lado de outras pessoas, tudo começou a fazer total sentido. Sim, meus queridos, o inferno são os outros, sempre! Nunca, nós mesmos. 

Acho muito engraçado perceber como todo mundo se vê como um ser bonzinho e de luz. Injustiçado quando algo, que acredita ser destinado para si, vai parar em outras mãos. É como se os vilões, os malvados e perversos fossem só os outros... Mas você já parou para pensar que talvez você já tenha ocupado esse mesmo "papel" na vida de outra pessoa? 

É meio louco imaginar que você, um poço de bondade e bons pensamentos, possa ter ferido alguém sem querer. Que talvez, ter tido uma atitude impulsiva e que você julgava correta, fosse acabar prejudicando outro ser que não tinha nada a ver com isso. Mas acontece. Todos os dias inclusive. 

Me recuso a pensar que a vida é dividida entre vencedores e perdedores. Vejo mais como um jogo sem regras definidas, à principio, mas que vão ganhando algumas a cada nova rodada. E assim, alguns papéis vão sendo alternados, mas sem que seus "protagonistas" percebam isso.

Deixe de lado tudo o que aprendeu ao longo de sua infância ao assistir aos inúmeros filmes da Disney, que ajudaram a montar certos padrões de pensamento dentro da sua cabecinha. Não preciso começar dizendo que o Príncipe no cavalo branco não existe, não é mesmo? E nem que a bruxa má talvez não seja, realmente, má. Desde pequenos fomos condicionados a acreditar que a maldade sempre parte do outro e tem como objetivo principal tirar nossa felicidade. Mas você já pensou que isso é uma via de mão dupla? Não, não estou dizendo que todo mundo sai por aí disposto a roubar a felicidade alheia. Ao menos não o tempo todo. O que quero dizer é que se existe um desejo universal perseguido por todos nós: SER FELIZ é o seu primeiro nome.

Mas para que isso aconteça, algumas pessoas precisam levar o sim e o não. E como cada um lida com isso é que vai definindo os "papéis" que cada um está disposto a encenar. Ou seja, ninguém nasce com uma função cem por cento pré-definida. Nossas escolhas é que vão nos moldando. E a grande questão é quando o que alguém planeja entra em conflito com os planos de outra pessoa.

Por isso, antes de sair por aí determinando quem é o vilão da sua história, tente perceber qual papel você deixou reservado para si. Algumas vezes, você pode se surpreender ao notar que estava longe de ser a personagem principal e acabou sendo simplesmente o coadjuvante da trama inteira... 

Temos sim que refletir sobre quais são as nossas escolhas para não sair por aí atropelando os outros, ou acabar virando um assaltante da felicidade alheia. Mais do que isso, temos que definir quem queremos ser dentro da nossa própria história.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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