sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Grande Apoteose é a Vaia





O genial Nelson Rodrigues já dizia que “a grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem”.

Essa semana, o jornalista Paulo Nogueira, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo criticou a polêmica questão da vaia para o francês Renaud Levillenie, que perdeu a medalha de ouro para o brasileiro Thiago Braz no salto com vara. 

O jornalista diz em seu artigo, que o brasileiro está socialmente doente, mas que no passado éramos um povo cordial. E faz um questionamento: “fomos sempre assim e apenas nos iludíamos com a tese de que éramos gentis? Ou alguma coisa aconteceu e destruiu nosso caráter?”

Brasileiro se amarra em uma vaia. Sempre adorou. Vaia atraso de show (Madonna que o diga), vaia youtuber (aaah, a Marcela Tavares bem que mereceu...), vaia bateria de escola de samba que não se apresenta no setor 1 do Sambódromo, vaia gente que vaia... Dilma Rousseff foi vaiada em uníssono na abertura da Copa do Mundo, em São Paulo. Um ano antes, em 2013, na Copa das Confederações, a presidenta afastada também ficou com cara de pastel murcho ao lado de Joseph Blatter, que chegou a pedir educação aos torcedores. "Onde está o respeito e o fair play, por favor?", disse o dirigente suíço, aumentando ainda mais o constrangimento.

Este ano, na abertura da Olimpíada, Michel Temer se escondeu atrás da própria sombra e nem quis ser anunciado com medo da reação do Maracanã lotado. Por uma questão protocolar, ele precisaria anunciar a abertura da festa. O discurso, reduzido a uma frase com menos de 10 segundos, reverberou num “úúúúúúúúúúúú” para o mundo inteiro.

Quando se trata de jogos em estádios, a vaia é sempre presente para o adversário. Quem não se lembra da nossa “secagem” nas quadras de voleibol feminino durante aqueles inesquecíveis duelos entre Marcia Fu e Ana Moser com as cubanas Regla Bell e Mireya, que das vaias quase partiram pra porrada?

Os indivíduos incitam. O estádio, as arenas e as arquibancadas se transformam em um caldeirão infernal. Tem orgasmos com o time cabisbaixo deixando o campo com o coração despedaçado.

Precisamos refletir sobre essa ausência de civilização. Estamos envoltos sobre uma cultura de ódio, sem misericórdia. Parece que estamos revivendo cenas como se estivéssemos no Coliseu romano, em meio a toda carnificina, tortura e crueldade, vibrando com a lágrima do oponente.

E não... Isso não é civilização.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Anônimo disse...

Você está certo. Atitude muito ignorante