terça-feira, 23 de agosto de 2016

Conversando Com Nicolas, Parte 1 - Ativo, Passivo e Meredith Grey





A vida é uma coisa, né, não? Eu conheci o Nicolas naquela organização religiosa que já mencionei aqui, e na época a gente praticamente não se falava porque, bem, eu era um cu de pessoa, todo me achando por conta do que fazia lá (mas pros outros eu bancava o humilde, etc, mas eu adorava estar no centro das atenções, e nem leonino eu sou). Aí eu saí de lá, coisa e tal, vida que segue. Foi quando, no Carnaval desse ano, um colega meu me chamou pra irmos atrás do Bloco do Boi, famoso aqui na cidade. Como eu ia ficar em Barra Mansa mesmo, eu fui, afinal, um calor do inferno, não ia ficar em casa. Quando chego lá, dou de cara com quem? Nicolas. Montado. De drag. Maravilhosa! Samantha, o nome. Aí ele me faz o que? O que eu tenho PAVOR que façam comigo: "Eu conheço você!". Resumindo: Dançamos, bebemos (nunca mais bebo Cantina da Serra, quente ou gelado), tiramos fotos, ofendemos metade da sociedade, ou seja, mais um dia normal.

Nesse final de semana estávamos conversando no Facebook sobre homem, que a vida tava difícil, ninguém queria nada sério, tava foda, etc e tal, quando Nicolas disse que a personalidade forte dele impactava (e é verdade), daí a galera fica com medo de encarar e acaba procurando um caminho mais fácil. E a preferência sexual dele (que eu não vou dizer qual é, fiquem aí pensando) também empatava algumas fodas, literalmente, porque não sei se vocês sabem, mas existe uma moda de que agora todo mundo TEM que ser versátil. Foi aí que eu me lembrei do que a Meredith fala para sua filha, Zola: "Nunca namore um homem que não sabe lidar bem com o seu poder.".

O que Nicolas disse sobre a personalidade dele ser forte e causar certo impacto, me deixou pensando no que é o nosso poder. A personalidade dele é o poder dele, assim como a minha é o meu, a sua é o seu. O poder de dizer que você é de um jeito, gosta das coisas de determinada maneira, e mesmo estando aberto à mudanças na forma de pensar, você vai mudar o que achar que deve, se achar que deve, e não porque determinada galera disse que agora é legal. E se o cara não souber lidar com isso, foda-se ele, faz igual àquela garotinha que foi no programa da Xuxa há muito tempo: "Troco por outros."

Simples. Quando o cara leva numa boa que você é ativo/passivo ortodoxo (me disseram isso essa semana e eu adorei a expressão), tudo bem, cada um segue o seu rumo. Agora, não vem querer ditar o que eu devo ou não devo gostar, porque pra querer regular a minha sexualidade, já basta o Feliciano e a maldita Bancada Evangélica. Quer? É assim que vai ser. Não quer? A porta é logo ali. Pronto. Não fica acumulando problema só porque o cara é bonitinho, ou gente boa, ou beija bem, ou tudo ao mesmo tempo, afinal, de que adianta ser gente boa se não respeita a sua decisão? Porque diz: "Não, tudo bem, de boa, não tem problema pra mim, eu topo ser só passivo/ativo", mas aí vira e mexe fica trazendo o assunto à tona, o que vai causando aborrecimentos, etc.

Então, pra que os outros respeitem o seu poder, comece você mesmo respeitando seu próprio poder de convicção. Seja quem você é. Se quiser mudar? Ótimo. Eu estou muito bem com a minha preferência (que também não vou dizer, fiquem aí refletindo ou não), mas sempre estou aberto à novas possibilidades. Agora, se você não tá a fim, atenha-se a isso. 

E detalhe: Não serve apenas pra preferência sexual não, viu? Serve pra vida! Faça/Pense por querer, não porque querem que você faça/pense. Certo? Certo.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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