terça-feira, 30 de agosto de 2016

Conversando Com Nicolas, Parte 2 - Morra Para Lá Para Não Feder Aqui





Ainda nesse bate papo com o Nicolas (sim, porque rende assunto, viu? E você pode ler a primeira parte da conversa clicando aqui!), ele comentou que, quando estava no Rio, se arranjou com um rapaz e que começaram a surgir os defuntos. Eu fiquei chocado com isso, porque né, gente? A pessoa vem, leva tudo de bom e puro que existe em você, e quando você recupera tudo isso, conhece alguém, a pessoa volta, como se nada tivesse acontecido?! Não sei pra vocês, mas pra mim é bem tenso. Enfim, Nicolas conversava comigo e falava de ambos, e de que estava revoltado com isso, porque agora que estava dando tudo certo, o outro apareceu. Aí então que eu mandei a frase do título, dita pra mim, há muito tempo, pelo meu querido contrabaixista, Daniel: "Mas me dá uma raiva dessa galera... Parece que ficam só espreitando, aí quando a gente tá feliz outra vez, aparece! Mas deixa ele pra lá, ele já teve a chance dele. Que morra pra lá pra não feder aqui.".

É impressionante, né não? Aconteceu comigo quando comecei a namorar. Dei todas as chances possíveis e imagináveis, mas nunca quis; vem, ferra com tudo, me deixa de lado assim sem mais nem menos, e agora ressurge querendo criar vínculo? Não, passa amanhã. Esse tipo de gente só aparece quando a gente tá bem, tá se reerguendo, tá feliz; aí eles surgem, porque qual o sentido de construir sua própria felicidade quando você pode sugar a felicidade alheia, não é mesmo? 

Como saber quando um defunto está querendo ressuscitar? Começa com uma curtida de foto aqui, de uma postagem ali, assim, bem sorrateiramente. E tem os mais diretos, que já chegam puxando papo, na cara dura mesmo, mandando aquele "Oi, sumido(a), tudo bem? Rsrsrsrsrsrs.", justo quando você tá no seu melhor momento, feliz, de bem com a vida, beijando horrores, transando horrores, se envolvendo com alguém realmente bacana. Aí aquela pessoa infeliz vem, praticamente para na sua frente com uma placa em neon dizendo: "OI, VOCÊ AINDA SENTE ALGO POR MIM QUE EU SEI. BJS.", e olha, se você não for forte o suficiente, acaba sucumbindo e sacaneando a pessoa que tá com você no momento. 

Aí você vai, se rende à tentação, pra depois ser largada(o) pela pessoa, ficando sem o pessoa anterior, sem a atual, miserável, ouvindo Maiara & Maisa, cantando o "GARÇOM, TROCA O DVD, QUE ESSA MODA ME FAZ SOFRER E O CORAÇÃO NUM GUENTA" o dia inteiro, despertando sentimentos homicidas nos seus vizinhos (depende, se eu for um dos vizinhos é bem capaz de fazer a segunda voz com você), e a troco de que? Uma pessoa que já passou pela sua vida, não fez questão de ficar, e que resolveu voltar só pra te assombrar quando você estava feliz?

Por isso, sempre que um(a) ex aparecer querendo gracinha, você pare, respire, conte até dez e diga: "E a Lava Jato, hein...". Mentira, sempre que um defunto desses aparecer querendo criar vínculo, você disfarça e finge que não é com você, assim você mantém a pose, a classe, e guarda energia pra coisas mais importantes.

Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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