quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O Espírito Olímpico Encontrou a Carioquice





Primeiramente, gostaria de começar esse texto já fazendo um aparte: minha coluna de semana passada, às vésperas do maior evento esportivo do mundo, foi um tanto quanto negativa. Embora com uma mensagem de apelo por dias melhores, ressaltava muito meu medo (e o de tantas outras pessoas) com algum atentado terrorista. Um alerta necessário, porém, no mínimo, frustrante pelos dias vindouros.

Eu ainda não havia sido pego pelo tal espírito olímpico. O mosquitinho do Barão de Coubertin não tinha me picado até a Cerimônia de Abertura. Depois dela, fui completamente contaminado pela febre que, ao que parece, não havia demorado a se manifestar somente em mim não: grande parte dos cariocas e dos brasileiros ainda não estavam vivendo a expectativa pelos Jogos.

A cerimônia foi belíssima. Eu estava apreensivo, cheio do nosso complexo de vira-lata de que faríamos algo que lembrasse a minha formatura na alfabetização ou que simplesmente sustentássemos nossa imagem para o mundo inteiro de um lugar cheio de belezas naturais, samba e bundas (e só). Terminei as mais de quatro horas de evento extasiado, arrebatado. Feliz por ter sido surpreendido.

Depois de tantos anos somente tomando na cabeça e recebendo más notícias atrás de más notícias, tivemos um sopro de esperança e uma onda positiva que nos lembrou que, sim, temos bons motivos para nos orgulharmos de quem somos e de morar onde moramos. Voltamos a nos unir em torcida por algo, estar em um só lado, sem coxinhas e petralhas. Claro, sempre há aqueles críticos ao evento, alguns até mais radicais. Há quem critique que a cerimônia exaltou a favela, mas provavelmente seriam os mesmo que falariam mal se a tivessem escondido. Falar mal também é o esporte preferido de muita gente...

Concordo que houve muitos erros na preparação para essas Olimpíadas e uma bela apresentação não os apagam. Mas esse processo também serviu para evidenciá-los e expor muitos dos seus culpados. Além disso, a abertura dos Jogos Olímpicos só ajudaram a recuperar a empolgação de sete anos atrás, quandoa Praia de Copacabana explodiu em alegria quando saiu o resultado de que o Rio havia sido escolhido como sede. Ou se esquecem que grande parte da população torcia pela escolha à época?

Tá tendo Olimpíada, pessoal. E tá tendo muito! Para quem mora no Rio de Janeiro é possível ver em diversos pontos da cidade – não somente nas áreas mais privilegiadas da cidade. Tem campeão olímpico em Deodoro e Engenho de Dentro. Tem gringo (e muito!) passeando pelo novo boulevard da cidade, que vai da Praça Mauá (cuja revitalização é provavelmente o maior símbolo da gestão do prefeito Eduardo Paes) até a pira do povo, que está acesa em frente à Igreja da Candelária.

O espírito olímpico encontrou a carioquice e o casamento foi perfeito. Tem gente que esperou uma vida toda por esse momento, atletas que deram literalmente seu sangue para virem ao Rio. Em pouco tempo, já teve campeã negra nascida na Cidade de Deus, eliminada em 2012, em Londres, e chamada de macaca nas redes sociais. Teve Maracanãzinho torcendo por Cuba contra a Rússia e Irã contra a Argentina. Aliás, as provocações, sempre pacíficas, com os argentinos são um espetáculo à parte.

A diversão é livre por todo o lado, basta querer participar dela. Aproveitar esse clima de confraternização mundial e torcer para dar certo é o mínimo que podemos fazer. 

Viva os Jogos Olímpicos!

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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