quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pai, "Pronome Intransitivo"





A semana começou com o Dia dos Pais, em meio a um clima olímpico que ainda domina quase todos os lados para onde a gente olha. Lembro-me que no ano passado escrevi um texto sobre meu pai, Paulo, com quem estive no último domingo para celebrar a data. Ao longo do dia, abri o Facebook vez ou outra e algumas homenagens aos progenitores apareceram. Mas algo me chamou a atenção nesse ano, em específico...

Pode ter sido uma coincidência: a idade vai chegando e, à medida que se completa o primeiro ciclo do casamento (seja ele de papel passado ou não), boa parte dos casais buscam os filhos. Mas fato é que vi minha timeline recheada de amigos, parentes e conhecidos (ou marido de amigos e amigas) com seus pequenos, sendo homenageados por seus companheiros e companheiras. Jovens pais, que representam uma geração que, mesmo em uma sociedade ainda machista e retrógrada em muitas coisas, enxergam seu verdadeiro papel numa complexa relação familiar.

Tão bom ver que aquele conceito de "olha como ele ajuda como pai" ou "que bom que ele é um pai participativo" começa a dar lugar simplesmente à figura do pai. Com o perdão do gracejo com Mário de Andrade, mas pai é como se fosse um "pronome intransitivo": não requer explicações ou complementos, exaltações ou elogios, para que seja alguém presente e ciente da sua função na criação e formação de um serzinho.

Já falei aqui antes no Barba Feita que a nossa geração ficou no meio do caminho no que diz respeito à educação dos filhos. É um ajuste que precisa ser feito dos velhos métodos de castigo físico (palmadas, chineladas e outras torturas caseiras) para um novo que seja eficiente sem que haja violência, por mais branda que possa parecer. Creio que precisamos aprender muito ainda nesse sentido, mas já andamos muito no que diz respeito a enxergar que isso não é uma responsabilidade única da mãe e que a participação do homem nesse processo não é um favor ou bônus.

Espero que daqui a alguns anos, veja esses mesmos amigos e conhecidos recebendo esse carinho e reconhecimento por parte de seus próprios filhos. Não tenho dúvidas de que os amarão tanto quanto amo o meu pai. E tanto quanto espero ser amado pelo meu filho, quando ele vier.

Quem sabe o próximo a aparecer numa foto dessas não seja o autor dessas parcas palavras?

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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