sábado, 27 de agosto de 2016

Pés Cansados, Coração Leve





Chega uma hora que a gente cansa. É necessário saber o momento de parar, dar um tempo, fazer uma retirada estratégica e recuperar o fôlego. Não encarar como desistência ou fracasso em algo que se propôs e não deu certo, mas como uma nova possibilidade. Estou no meu limite e é inútil achar que quanto maior o sofrimento, mais saborosa é a conquista. Pode até ser, mas quero parar de sofrer só um pouquinho, o tempo de recuperar o fôlego.

Fiz mais do que posso
Vi mais do que aguento
E a areia nos meus olhos é a mesma
Que acolheu minhas pegadas

Talvez pudesse fazer mais e aguentar mais também, resistir. A gente nunca acha que fez o suficiente enquanto não alcança os objetivos. E, na verdade, não fez mesmo, senão teria alcançado. Mas a exaustão emocional, "a areia nos olhos", pede um tempo, um pequeno retrocesso, alguns passos pra trás. Pois enquanto estou andando rápido, quase correndo na pressa de atingir meus objetivos, achando que tenho pouco tempo, como o coelho branco de Alice, a areia (poeira) se levanta atingindo meus olhos e turvando minha visão, tornando a jornada mais difícil e incômoda. Alguns passos pra trás aliviarão essa caminhada.
Depois de tanto caminhar
Depois de quase desistir
Os mesmos pés cansados
Voltam pra você

Caminhei muito. Quase desisti algumas vezes. Esmoreci. Mas sempre voltei pras batalhas da minha vida com os pés cansados, mas com o coração alegre, palpitante de emoção por acreditar em mim e numa conquista iminente.

Eu lutei contra tudo
Eu fugi do que era seguro
Descobri que é possível viver só
Mas num mundo sem verdade

Não é fácil ser coisa alguma, por isso tantos se omitem, e os que se omitem são os primeiros a escarnecerem dos seus sonhos, quando estes lhe parecem altos demais. Então luta-se contra a descrença alheia. Abre-se mão do que é seguro: casa, família, conforto. Você foge de sua comodidade, porque tão forte quanto seus sonhos é o orgulho de provar pro mundo que você consegue, que é capaz e vai vencer todos os obstáculos. Descobre que viver só, passar por privações, matar um leão por dia, não só é possível, como não te parece tão ruim quando se está focado. O que machuca mesmo é a falta de verdade nos olhares, nas palavras e nas intenções de quem te cerca, de quem você acha que pode contar.

Meus pés cansados de lutar
Meus pés cansados de fugir
Os mesmos pés cansados
Voltam pra você
Sem medo de te pertencer
Volto pra você

Então, quando estiver descansado das lutas e das fugas, ressurjo das cinzas tal qual fênix, e volto pras minhas batalhas mais forte, com a alma renovada e o peito aberto. A intuição me diz que será bom e a canção de Sandy, que sempre me inspirou, surge agora mais poderosa do que nunca como um mantra ou uma profecia.


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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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