segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sobre Gilmore Girls e a Escolha de Rory (ou O Que Esperar de Um Relacionamento?)





Inspirado pelo "retorno" de Gilmore Girls em novembro na Netflix, em uma temporada comemorativa depois de nove anos do encerramento da série, me senti motivado a assistir às temporadas anteriores da história das garotas Gilmore. Lembro que quando a série ainda estava no ar, eu ouvia comentários, lia (e editava) reviews para um site, mas ela nunca entrou na minha lista de séries semanais. Mesmo sem nunca ter assistido a nenhum episódio sequer de Gilmore Girls, eu achava a série chata e mulherzinha e, por isso, não tinha curiosidade para assistí-la.

Mas o tempo passa, a gente acumula experiências e, com o anúncio dos quatro episódios comemorativos preparados pela Netflix, eu me vi dando o play no primeiro episódio da primeira temporada e, depois disso, aos poucos e bem feliz, cá estou terminando a quarta temporada, acompanhando o crescimento dessas duas personagens, mãe e filha, verborrágicas, confusas e adoráveis. Porque você pode até não concordar com as decisões tomadas por Lorelai e Rory no decorrer da série, mas é impossível não torcer por elas, como se torce por amigos próximos.

Dito isso, e ainda sem saber o que as três temporadas que ainda não assisti me reservam, me vi pensando na vida amorosa de Rory, a protagonista jovem de Gilmore Girls. Apenas para situar quem por um acaso não conheça a série, ela é protagonizada por duas mulheres, mãe e filha (as Gilmore Girls do título), que se amam e se cuidam, apesar de serem muito diferentes uma da outra. Rory, a filha, é toda certinha e angelical, ao passo que Lorelai sempre foi mais liberta, tanto que teve uma filha aos 16 anos e tomou a decisão de abandonar os pais ricos para criá-la sozinha. De adolescente bobinha do primeiro episódio, entretanto, vamos acompanhando com o caminhar da história, o amadurecimento de Rory, enquanto planeja seu futuro como jornalista e vai conhecendo um pouco mais do mundo de verdade, fora de Stars Hollow, a cidadezinha em que foi criada. 

É quando chegamos a Dean e a Jess (sim, eu sei que tem outro interesse amoroso para Rory, mas ainda estou na quarta temporada, me deixem analisar apenas o que vi até agora), dois opostos e que foram namorados de Rory e que continuam a fazer parte de sua vida, dividindo-a e tomando a sua atenção e sentimentos. Descobri tardiamente que sempre existiu entre os fãs duas grandes torcidas para cada um dos meninos e para que Rory escolhesse com qual dos dois deveria ficar. E eu, assistindo somente agora aos episódios, me pergunto: seria eu #TeamDean ou #TeamJess?

Rory (Alexis Bledel) e Dean (Jared Padalecki)

Dean foi o primeiro namorado de Rory, que surge na série logo no primeiro episódio, quando ela está se mudando de escola. Aos poucos, o menino bonzinho conquista o coração da protagonista e transforma-se no namorado perfeito, o sonho de qualquer mãe para a sua filha, ao lado da protagonista também certinha e, muitas vezes, chata. E, para mim, é esse o problema do casal: Rory e Dean são exatamente iguais um ao outro, apesar de suas diferenças. Eles são bonzinhos, perfeitinhos... Chatinhos!

Enquanto isso, com a série já em andamento, conhecemos Jess, o bad boy que aparece em Stars Hollow e, junto com toda a sua marra, confunde a cabeça de Rory, que se vê cada vez mais atraída por ele e, principalmente, comparando-o com Dean. Assim, quando os dois finalmente ficam juntos, é de se esperar que o casal decole e que Rory mergulhe de cabeça no relacionamento com um cara que é bastante diferente dela e seja feliz. Mas acontece que Jess é um puta de um egoísta e, dessa forma, nunca está integralmente com Rory, sempre pensando no próprio umbigo e nos problemas que ele mesmo cria para si próprio. Jess é o típico cara que você pode achar perfeito, mas que te usa sem nem você perceber e que todos os seus amigos seriam taxativos em apontar como péssimo namorado.

Jess (Milo Ventimiglia) e Rory (Alexis Bledel)

Dessa forma, com a divisão entre os fãs e da própria Rory, fica a pergunta: quem é o cara ideal? O bonzinho idiota, que faz tudo por você, ao ponto de se tornar praticamente um cachorrinho sem personalidade? Ou o cara livre e inconsequente, preso nos próprios fantasmas, que te faz suspirar e te empolga, mas que é, na maioria das vezes, um babaca que te coloca sempre em segundo plano?

Como disse no início do texto, estou no finzinho da quarta temporada da série e não sei o que ainda está por vir, principalmente para o destino de Rory (mas descobri que vai surgir outro carinha na vida dela, culpa da pesquisa que fiz para achar as imagens para ilustrar esse texto). Entretanto, se eu estivesse no lugar de Rory, sabe o que eu faria, sinceramente? Ficaria sozinho. Sem bonzinho e sem bad boy, pronto para encarar a vida e todas as suas possibilidades. Livre, leve e solto.

E você, o que faria? No lugar de Rory, com quem escolheria ficar?

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Andresa Ramos disse...

Eu fiz a mesma coisa - voltei a ver Gilmore Girls por causa da Netflix, e estou na 6a temporada já. Vim comentar porque precisava dizer o que mais me incomodou ao ver a série agora já nos meus quase 30 anos: o relacionamento abusivo do Dean com a Rory na primeira temporada, que era a coisa mais linda pra mae dela. Ele grita com ela, quer dizer o que ela tem que fazer, tenta privá-la de fazer as coisas por ciúmes doentio. Eu tive várias vontades de parar de ver a série no comeco e só continuei por causa dos novos episódios da Netflix. Enquanto o Jess sempre a motivou a ir pra frente, e pela cara de bad boy nao era visto com bons olhos. Sério que irritava muito a normalidade do relacionamento abusivo com o primeiro namorado, e como o ciúme excessivo era visto como romantismo. Enfim, só precisava dizer isso msm.