sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Somos Todos Paralímpicos





Essa semana eu ia falar sobre a saudade do fim da Olimpíada. Aí depois eu mudei de ideia e comecei a escrever um texto sobre a final do MasterChef, com a vitória merecida do Léo, apesar de ter torcido o programa inteiro pela Raquel. Mas aí fiquei estupefato com as duas primeiras histórias de Justiça, na Rede Globo, que interliga vingança e redenção e vão merecer algo mais aprofundado nas próximas colunas (mas desde já gostaria de aplaudir de pé as atuações de Adriana Esteves, Jesuíta Barbosa, Débora Bloch, Enrique Diaz, Cauã Reymond, Leandra Leal e Marina Ruy Barbosa, à autora Manuela Dias, de Ligações Perigosas, e o sensacional diretor José Maria Villamarin, de O Rebu, Amores Roubados e O Canto da Sereia. Em breve, eu disseco.).

Mas hoje eu gostaria de falar e refletir um pouco sobre todo esse blábláblá gerado nesses dias por causa de uma campanha publicitária criada pela agência África para os Jogos Paralímpicos e estrelada por Cléo Pires e Paulinho Vilhena. Na campanha, veiculada na Vogue, os dois aparecem com os membros amputados. Cléo está representando a atleta Bruna Alexandra, do tênis de mesa, e Vilhena o esportista Renato Leite, do vôlei sentado.

Os dois atores são os embaixadores oficiais da Paralimpíada e toparam fazer a campanha exatamente para mobilizar a população para prestigiar o evento (que estava com vendas baixíssimas), fazer o Estado olhar para a realidade das pessoas com deficiência e integrá-los à sociedade e, prioritariamente, emprestar as suas imagens para gerar visibilidade. 


Aí começou a hipocrisia. Metade aplaudiu e metade vaiou. Eu estou hoje aqui para defender a metade que aplaudiu. A campanha é sensacional. Conseguiu realmente o objetivo de gerar discussão. Sempre fui da opinião que campanha publicitária boa é exatamente a que causa polêmica. Se passou despercebida, não gerou emoção. Nem ódio, nem amor. Então, portanto, não serviu pra nada.

Todo mundo conhece a Cléo e o Paulinho. Mas quem conhece a Bruna e o Renato? A campanha, com braço e perna photoshopada dos atores, faz parte da primeira etapa da ação. A segunda é exatamente a exibição dos dois atletas, na mesma posição. Uma campanha publicitária de dois tempos.

O mimimi foi exatamente do questionamento em não usarem logo de cara os atletas. Tá, mas quantas vezes já vimos campanhas com atletas paralímpicos e ninguém deu atenção? Você lembra? Sim, elas já existiram. Mas continuaram invisíveis, como a maioria das pessoas os enxergam, ou fingem não ver.

O Hemorio – hemocentro do Estado do Rio de Janeiro - também fez uma campanha belíssima com atletas (entre eles, o judoca Flávio Canto) e a atleta paralímpica Rosinha Santos, de arremesso de peso e disco e que possui uma história belíssima de superação para incentivar a doação de sangue voluntária. O Flávio você conhece, com certeza. E a Rosinha? 

Acho que as pessoas poderiam colocar a mão na consciência e entender de uma vez por todas que não necessariamente para apoiar uma campanha da causa gay, o indivíduo tenha que ser homossexual; contra a discriminação racial, tenha que ter a pele negra; ou que para incentivar a doação de sangue voluntária, precise ser um doador assíduo.

Eu adorei a campanha. E espero que os atletas se apresentem com casa cheia e muitas medalhas de ouro no peito. 

E chega de blábláblá.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Márcia disse...

Marcos,
No início, eu fui contra a revista. Mas, conforme vc mesmo escreveu, campanha publicitária boa é aquela que causa polêmica. Portanto, através dessas "polêmicas" precisamos dar o nosso recado para a população!! Parabéns pelo lindo artigo!!!