quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Todo Mundo Ama a Raquel





No ano passado fiz um texto falando sobre a participação de Fernando Kawasaki na segunda temporada do MasterChef Brasil. Exatamente como aconteceu no texto anterior, venho aqui analisar o comportamento de outra participante que foi destaque nesta terceira temporada: Raquel Novais

Mas antes de falar sobre esse terceiro ano, quero voltar um pouco mais no tempo. Basicamente, lá na primeira temporada, em 2014. Naquela época, Cecilia foi uma grande participante e um dos destaques da cozinha. Fez pratos corretos, foi muito elogiada pelos jurados, mas, por ironia do destino ou não, acabou não chegando na final do programa. No segundo ano, alguns participantes apresentaram pontos fortes, mas nenhum tanto quanto Fernando. Ele teve, durante todo o tempo em que passou enfrentando provas com os outros chefs amadores, uma postura um tanto quanto esnobe. Ele tinha conhecimento, um pouco de técnica e, de certa maneira, já apresentava uma “quase” postura de chef. Só que ele ainda não era. Acabou que toda essa pose não arrecadou simpatia do público e sua eliminação foi uma das mais comemoradas da segunda edição nas redes sociais. O que também gerou meu texto: Todo Mundo Odeia o Fernando. O que era uma verdade na época.

Agora sim chegamos aos meus comentários sobre o terceiro ano de MasterChef. O programa trouxe tipos novos de chefs amadores. Alguns se prepararam dessa vez. Enquanto uns estudaram pratos, outros estudaram técnicas. Fato é que nenhum (ou quase nenhum) estava tão despreparado para o que viria enfrentar na competição em termos gastronômicos. As já conhecidas provas em equipes, duplas e também solo, testaram conhecimento e gosto individual de cada participante. E foi aí que Raquel conquistou o coração de todo mundo.

Dentro do que conhecia de cozinha, vimos sua evolução em cada disputa. Cada prova. E em cada elogio vindo de Paola, Jacquin e Fogaça, Raquel mostrou não só entender de cozinha, mas também de relacionamento. Não fez amigos, mas também não cultivou inimigos. Obteve respeito dos outros adversários e foi seguindo firme pelo jogo.

Assim como acontece em uma competição, teve seus pontos baixos. Mas nenhum que fizesse dela alguém que estivesse sempre na berlinda de eliminação. Muito pelo contrário, Raquel recebeu muitos elogios sempre. Foi criativa, conheceu e se reconheceu na cozinha brasileira. Desabrochou ao longo dos desafios. Foi bonito de se ver. Ela não foi a única que passou por toda essa metamorfose. Bruna, outra cozinheira amadora que se destacou muito na competição, teve uma das audições mais duvidosas até aqui. Sua postura meio infantil, lá no início do programa, me fez duvidar um pouco do que ela poderia mostrar na cozinha do MasterChef. E posso dizer que ela mostrou dominar doces e sobremesas como ninguém. Fez também apresentações de prato bem criativas e foi alguém que lutou para sair da zona de conforto em que se colocou. Bruna, assim como Raquel, se permitiu crescer. E também isso foi bacana de assistir.

Até uma semana atrás minha única certeza era que Bruna e Raquel iriam para a final. Estava meio que “na cara”. As duas melhores, até aquele momento, indo juntas para a última disputa. De certa maneira já encarava isso como um Win X Win. Para quem não lembra, os dois últimos lugares desta temporada ganham cursos de culinária. Um na Le Cordon Bleu de Paris e outro na de Ottawa, voltado para pâtisserie. Ou seja, tudo lindo para se ter duas boas mulheres na final do terceiro MasterChef Brasil, correto? ERRADO!

Raquel acabou eliminada na semifinal. Na hora senti a mais completa raiva. Não senti raiva da Bruna, por ter vencido com um prato horrendo e simples. Não senti raiva do Leonardo, por ter garantido a primeira vaga. Senti raiva por não ter Raquel na final. Raiva por saber que ela, mais do que ninguém, merecia estar na disputa. 

Para quem leu o meu texto do ano passado, afirmo que ela me inspirou em tudo o que Fernando falhou na segunda edição. Raquel mostrou paixão pelo que fazia. Mostrou competência na cozinha. Mostrou ter uma postura de aprendiz e futura chef, cada um na proporção exata. Mostrou que saber que você é bom em algo não te faz superior. Só redobra sua atenção em ser mais atento e focado. O erro sempre mora nos detalhes. E foi por pequenos detalhes que a final da terceira temporada do MasterChef veio mais cedo, de novo. Assim como Cecilia não chegou na final, Jiang (participante mais que queridinha), também foi o terceiro lugar na segunda temporada. Raquel saiu mais cedo. Saiu com gostinho de quero mais. E sei que ela pode bem mais.

Já aguardo uma edição “AllStars MasterChef Brasil”, onde vamos ter uma mistura de bons participantes. Espero muito que Raquel e Cecilia estejam juntas nessa nova disputa. E que uma não facilite para outra. Quero ver duelo de titãs.

Sobre a final, que vai ao ar na terça-feira que vem, nem faço questão de assistir. Bruna não me interessa – pode ser uma ótima cozinheira, mas sua personalidade não é das mais legais –, assim como Léo, que parece ser um cara bem legal, mas que está na final fazendo só figuração. Quero saber mesmo é da Raquel e de mais ninguém.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Cara, que opinião legal! Assino embaixo, essa Raquel é incrível.

llr disse...

Perfeito, eu também assino embaixo!