segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Torcer Contra: Pra Quê?





Estamos, finalmente, às vésperas do início dos Jogos Olímpicos 2016, que acontecerão, pela primeira vez, em uma cidade da América Latina. O Rio de Janeiro já está tomado de turistas, de cores e de idiomas diversos. É divertido andar pela cidade e ver o quanto ela se transformou desde que, em Outubro de 2009, foi anunciada como sede do evento, desbancando as então favoritas Chicago e Madrid. E eu lembro bem da festa que aconteceu na cidade, da comemoração que tomou conta da Praia de Copacabana, já que eu mesmo era um jovem que havia me mudado recentemente para o Rio na época.

Entretanto, aquela euforia inicial foi meio que se apagando com o passar desses quase sete anos. Os atrasos na entrega das obras, os superfaturamentos, a crise que toma conta do Brasil e, principalmente, a divisão política que rachou o país nas últimas eleições, tudo isso afetou o estado de espírito dos brasileiros e dos cariocas, que deixaram de lado a felicidade pela escolha do Rio como sede da Olimpíada, dando lugar à desconfiança de que o evento, talvez, quem sabe, não seria tão bom assim para a cidade... Será?

O que acho engraçado, entretanto, é a hipocrisia reinante. Como eu disse no primeiro parágrafo, me lembro bem da festa que tomou o país e as comemorações em 2009 com a escolha da cidade para sediar os Jogos Olímpicos. Afirmamos perante o mundo que tínhamos capacidade de receber o evento e que estávamos felizes por isso, anos depois de não termos sido escolhidos para sediar os Jogos de 2004. O planeta estava de olho no Rio (e, consequentemente, no Brasil), que teria uma série de eventos internacionais de grande porte a partir de 2014, como a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e a Olimpíada. E o que nós e a nossa Síndrome de Vira-Latas resolvemos fazer nos últimos minutos do segundo tempo? Torcer contra, desejar que o evento dê errado. Que preguiça, Brasil, que preguiça!

Desde que a Tocha Olímpica chegou ao país, percorrendo os quatro cantos do território nacional, vemos pessoas e movimentos desejando apagar o fogo olímpico, apenas para provar que podem, como sinal de protesto. Um símbolo que há séculos representa os ideais olímpicos, na forma do elemento Fogo, roubado de Zeus por Prometeu na mitologia grega e que, na Era Moderna, foi recriado pelo Barão Pierre de Coubertain juntamente com os Jogos Olímpicos, celebrando a união dos povos e os mais fortes (e empenhados) atletas do planeta. Um símbolo que não tem nada a ver com o nosso momento político ou com a nossa covardia e falta de respeito, sendo apagado pela ignorância de um povo com Síndrome de Vila-Latas. 

Na semana passada, quando a Tocha Olímpica finalmente chegou ao estado do Rio de Janeiro, vi as redes sociais comemorando um incidente em Angra dos Reis. Parece que conseguiram apagar e roubar a tocha enquanto ela estava pela cidade. E vi pessoas, que considero minimamente inteligentes, comemorando o fato. Vejam bem: pessoas com pregam ter senso crítico comemorando nas redes sociais um ato de vandalismo e criminoso, batendo palma pra maluco que realizou o roubo de um objeto símbolo de um evento mundial. Pois é...

Além disso, acho cômodo usar as redes sociais para propagar o desgosto com a Olímpiada, para desejar que o evento dê errado (acreditem, vi pessoas se divertindo com a possibilidade real de um atentado terrorista em solo carioca, apenas pelo prazer de ser do contra), mas que, hipocritamente, se beneficia do evento em si em causa própria. Gente que vai trabalhar, como voluntário ou não, que vai ganhar dinheiro ou folgas para prestar serviço durante as Olimpíadas, tendo a cara de pau de escrever que é contra o evento. Acho hipocrisia uma coisa tão feia, mas né, tem gente que não, que vê normalidade em apontar o dedo para o outro quando tem outros quatro apontados para si mesmo e não consegue enxergar isso. Como eu disse, tenho preguiça!


Se estou feliz com o nosso momento atual no Brasil e no Rio de Janeiro? Não, não estou. Mais que isso, tenho medo do cenário mundial em que nos encontramos (Trump com chances reais de vencer as eleições americanas em Novembro, OMFG!), e me dá um pouco de desgosto pensar que, depois que a Olimpíada terminar e os holofotes sob o Rio forem apagados, a cidade poderá ir de mal a pior. Mas, nem por isso, vou desejar que tudo dê errado só pra poder dizer numa conversa casual ou nas minhas redes sociais que "eu avisei!". Desculpe, mas eu não sou um imbecil.

Gastou-se demais, muita coisa não foi feita da forma que deveria, mas é inegável que o Rio de Janeiro foi beneficiado pelo(s) evento(s). O Centro da cidade e a região da Praça Mauá foram, enfim, revitalizados. O metrô está sendo expandido (de maneira tensa, mas está, o que duvido muito que teria acontecido sem os Jogos), temos novas vias de acesso dentro da cidade. Desculpem-me os descrentes, mas acho sim que a cidade melhorou. Podem me chamar de Pollyana se desejarem, mas eu prefiro sempre acreditar no melhor e ver o lado positivo das coisas.

Fora isso, Outubro está logo ali nos esperando com novas eleições municipais em todo o país. Será que esse povo que torce contra o evento na cidade fará algo efetivo para mudar o cenário, usando o voto sabiamente, ou se esquecerá da fúria patriota de agora e apenas fará merda, mais uma vez na cabine de votação e na urna eletrônica?

Enquanto isso, na próxima sexta, dia 05/08, teremos a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos 2016, no Maracanã. Eu estarei no conforto da minha casa, acompanhando tudo pela televisão, e sei que ela será grandiosa e uma das melhores de todos os tempos. Assim como a Olimpíada em si, que promete momentos ímpares para o esporte em geral, com quebra de recordes e momentos inesquecíveis, para atletas e público de todo o planeta que estará de olho na minha cidade, no meu Rio de Janeiro. 

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

cesar augusto disse...

O problema ma e que em quanto e gasto dinheiro com o "evento" pecoas morrem por falta de médicos e hospitais remedis EU nao quero olimpíadas eu quero e saúde e educação depois vem o esporte, se tivesse tudo ok com saúde e educação seria só festa mas não e isso que acontece aqui! Me diz o que o pobre ganha co isso, o cara que sai as 5 da manha de casa e volta as 9 todo dia para sustentar os filhos,vc acha que ele que o que para o brasil olimpíadas ou um pais melhor?? porque não e as olimpíadas que vai fazer o brasil melhorar não.

Unknown disse...

Serio o escritor(a) chama a populaçao de imbcil, impocritas,ignorântes e com Síndrome de Vila-Latas. Realmente o Brasil não estava e não esta preparado para sediar um evento! Realmete se tem que pesar o que e prioridade gastar a verba de anos para fazer firula para estrageiro ou investir no futuro de uma naçao.
Acho que os governades fizeram a escolha errada pos seria mais facil robar e mander pessadores como quem redigil esse texto calado intertidos a nao ver que verbas como da saude educaçao esta sendo ultizada para fazer festa. Ano que vem o rio decretara falecia.... e oque restara um parque olimpico (um elefante branco) o exercido e guarda nacional nao estara na rua para lhe proteger pos a segurança e esquema de saude q hoje esta na rua não sao pra os brasileiros mas para atender os estrajeiros. As ruas serao um pan demonio. Sem saude segurança sem expectadivas... ai vai para os estadio jogar bola ou para vila olimpica se divertir quando vc ficar doente ou sem dinheiro pos sera o que restara de legado um estado falido e quebrado.

Anônimo disse...

Qual o legado que este evento deixará para o país? Dívidas, vergonha perante outras nações, propagação de doenças...
Tem certeza que você pensa isto? Você não estava aqui no Brasil depois da Copa do mundo? O que aconteceram com os estádios? Será igual.
Se colocar na balança os gastos para a realização destes jogos e do outro lado colocar a situação da saúde, economia, segurança, entre outros, você vai escolher pelas olimpíadas?
O revezamento da tocha é a coisa mais sem graça do mundo. Primeiro pintam as faixas de pedestre para aparecer na televisão. Depois paralisam a cidade por causa de um fogo. Há batedores para isto passar, por favor, batedores... é a polícia militar e a polícia rodoviária. Gastam com hospedagem, combustível, custo operacional para deslocar a polícia para 10 segundos que a tocha ficará na sua visão.
Sua opinião parece realmente ser de alguém que não gosta de segunda-feira.