domingo, 7 de agosto de 2016

Vivamos os Jogos Olímpicos!





O texto do Leco Faria dessa semana me motivou a escrever este. Eu adoro o clima de Olimpíadas, adoro! Desde criança sempre gostei de ver todos os esportes — menos futebol, porque sempre achei o esporte chato. Era a grande oportunidade de ver outros atletas de outras modalidades, tipo luta greco-romana, ginástica, vôlei, natação, atletismo, basquete, entre tantas mais. Recentemente, o Fantástico fez uma linha do tempo com imagens de todos os jogos da Era Moderna e  isso foi emocionante; e agora, com os jogos no Brasil, a sensação é outra. É um misto de alegria e torcida para que realmente fique um legado muito bacana, não apenas para o Rio, mas também pras outras cidades do país.

O Rio, já há algum tempo, estava abandonado. Eu a considero uma das cidades mais lindas do planeta, e estava precisando recuperar seu lugar no mundo, voltar a ser aquela cidade maravilhosa. E não apenas o Rio, mas todas as outras do país passam por esse tipo de abandono, o que não é só culpa dos governantes, mas nossa também, que deixamos isso acontecer. Agora, quem sabe, poderemos ver o Rio recuperar o brio (sempre disse que meu forte é a rima) de outrora e motivar outras cidades do país a se sentirem mais amadas e protegidas pelo seu povo e, assim, recuperarem a beleza que em muitas ocasiões lhes falta.

E beleza não está apenas nos monumentos, mas na educação do seu povo. Um local lindo mostra o quanto o povo é educado de fato, de quanto o povo gosta de onde se vive. Nós que vivemos em cidades precisamos entender que elas são nossas casas e ninguém quer viver num pardieiro - e, ok, se você quer, eu não quero e não conheço nenhum amigo meu que queira! Vivemos em sociedade e precisamos entender que a liberdade de um termina quando começa a do outro, mas chegamos num limite insuportável aonde ninguém mais respeita ninguém. Meros bom dia, obrigado e por favor já não existem mais. Chegamos ao absurdo de achar que tudo isso é normal quando não é. Civilidade mandou lembranças.


Entendo que num país como o Brasil, onde a corrupção parece entranhada nos poros da população, junto com a preguiça e o comodismo de querer mudar tudo isso, estes jogos não irão afetar em nada suas perspectivas, talvez sirvam como algum tipo de lição para aqueles que de fato esperam isso. Ainda vejo pessoas preocupadas com o dinheiro gasto na Olimpíada e, acredite, mega eventos como estes gastam muito mesmo. Montreal passou trinta anos pagando o preço de sua Olimpíada, e estamos falando do Canadá, um país de primeiro mundo. Muitas dessas pessoas reclamam do montante gasto, mas o que fazem com seu dia? Elas querem mais hospitais, mais educação, mas será que não é apenas um discurso da boca pra fora? Será que elas aplicam esse discurso em sua vida mesmo?

Vejo a grande maioria reclamando, mas não fazendo nada pra mudar a realidade à sua volta. E não podemos esperar de meia dúzia de governantes uma atitude, quando a casa também é nossa. Somos nós que temos que cuidar dela, devemos continuar fiscalizando, exigindo e, claro, votando pra tirar esses péssimos políticos que temos, parar de votar pela cara e sim pelas ideias, por acreditar que podemos viver numa sociedade melhor, sociedade que almejamos nos outros lugares. Já que não dá pra mudar de país, vamos mudar a nossa cidade primeiro. Para que a nossa casa esteja arrumada, a gente não pode desarrumar e achar que estes mequetrefes que roubam nosso dinheiro o tempo todo estarão lá pra consertar nossos erros. Educação é isso também. À escola, cabe instruir. Precisamos de mais escolas? Sim. Precisamos de mais hospitais? Sim. Como precisamos também de melhores meios de transportes que funcionem de fato, de segurança, pois sabemos como é estressante sair , sem saber se vamos voltar. Precisamos de muitas outras tantas coisas, mas isso não impede que possamos fazer um Olimpíada.

Então, vamos parar de achar tudo ruim, vamos mudar o discurso. Quem estiver no Rio, que possa receber bem os turistas, com um sorrisão no rosto. Já quem não estiver na cidade, que possa se deliciar assistindo o desfile de belos corpos pela TV, aproveitando as olimpíadas da forma que puder aproveitar, curtindo esse clima de festa e união que os jogos trazem sempre para cada cidade que os acolhe e, é claro, torcendo não apenas para os nossos atletas, mas também para que o legado deixado sirva para o Rio de Janeiro e para todo o país, que este momento olímpico e único de fato nos contagie a ponto de querermos mais do que nos é dado.

Zeus nos abençoará, e talvez seja apenas isso que ele espera de nós.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e já foi colunista oficial do Barba Feita, às sextas-feiras; agora, entretanto, aparece por aqui esporadicamente, como convidado. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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