sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Pílulas de Ranzinzices





Me deixe dormir no domingo de manhã!

Sim, sou um ranzinza. De carteirinha. Acho um saco ter que acordar em um pleno domingo, às 10 horas, só porque minha avó quer que eu tome café antes de almoçar (que tem que ser servido ao meio dia em ponto).

Essa questão de vida cronometrada é um resquício de meu avô, metódico-militar até a ponta do cabelo. Ele tinha horário para acordar, sentar em sua poltrona e tocar seu inseparável violão, almoçar, voltar a tocar violão, tomar banho, fazer o lanche da tarde com café fresco, jantar e dormir. Podia estar sendo transmitido o último capítulo da novela das 8 (que antigamente começava às 8 mesmo). Às 21:30 ele precisava estar na cama.

A primeira decisão que minha avó tomou quando seu companheiro morreu foi de quebrar todos os relógios da casa. Obviamente, depois de décadas fazendo a mesma coisa, ela não conseguiu ficar muito tempo longe dos tic-tacs e voltou à sua vida cronometrada.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Roteiristas: Os Médicos Filosóficos da Vida...





Olá, leitor. Não sei se você sabe, mas eu sou roteirista. Sim, crio histórias. É algo que, quando costumo contar para alguém, me faz receber um sorriso seguido de um “legal” como resposta. Sim, isso é bastante legal. Amo imaginar histórias. Motivações para os personagens. Ganchos com a missão de prender a atenção de quem irá assistir ao que escrevo. É muito divertido. Muito mesmo. Mas também é bastante exaustivo. 

Para você entender melhor a mente de um roteirista, dramaturgo, romancista, cronista, novelista, não importando muito sua nomenclatura, estou falando sobre todos que criam tramas, enredos e histórias dos mais variados tipos, pois bem, a nossa mente não descansa nunca! Um assunto pode não ser o foco principal da nossa atenção, mas uma vez que ele é ouvido, continua trabalhando lá no fundo de nossa pequena grande mente, e retorna, quando menos se espera, no formato de uma grande ideia. E isso, apesar de soar um pouco poético, também é exaustivo pra caramba. Seja uma conversa ouvida em um ônibus, fila de banco, metrô lotado ou nos quatro andares que um elevador pode percorrer em um prédio residencial na Tijuca, ali, nesse curto espaço de tempo, pode morar o início de algo incrível. Um livro, uma série, um filme, uma peça de teatro, um texto para o Barba Feita… Ou um vídeo para o Youtube. O formato não importa, mas o resultado daquela ideia sim.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Jovem Sonho de Consumo





Ele se virou para trás e percebeu que ela já olhava em sua direção. Ele era alto, mas nem tanto. Camisa florida de botão, calça jeans, cordão de contas de madeira, topete erguido. Seus olhos oscilavam entre o verde e o cinza, e tinham um incrível brilho. Ela tinha estatura mediana. Usava também uma calça jeans. Blusa branca de alcinha, cabelos escorridos até os ombros, cor-de-mel, como os olhos. Ao cruzarem o olhar pela primeira vez, revelaram algo em comum: um sorriso arrebatador. O dela um pouco mais tímido. O dele, mais direto. Ele piscou os olhos lenta e charmosamente. Ela deu uma pequena balançada com a cabeça para esvoaçar um pouco os cabelos. O sorriso dele desapareceu do rosto. O dela, logo em seguida. Ele suspirou alto e deu o primeiro passo. Ela também suspirou, só que baixinho, e ficou parada. A música que tocava no fundo ia perdendo a importância no ouvido dos dois. As pessoas em sua volta eram aos poucos esquecidas por seus olhos. À medida que os passos dele faziam-no se aproximar dela, apenas os dois passavam a existir. Após sete exatos passos, seus corpos já estavam frente a frente. Ele ofegava pela boca. Ela apenas respirava alto. Seus narizes se puseram lado a lado e tiveram o primeiro contato de pele. Sentiram o perfume um do outro: ele exalava um forte e fresco odor cítrico; ela, um suave perfume de rosas. Ele passou a mão em torno de sua nuca e ela pôs as mãos em sua cintura. Ela já estava de olhos fechados quando ele fez o mesmo. E, então, seus lábios se tocaram: de início, leve e calmamente; depois, o beijo foi tornando-se mais forte, carnal. Ficaram assim por longos e contados cinquenta e sete segundos.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Honey, What's Going On? What's Happening? What's All This About?!





Precisamos falar sobre Will & Grace! Não conhece? Nunca ouviu falar?! Pois a hora é agora! E por que eu vou falar dessa série? Porque eles se reuniram, dez anos após o fim da série!


Ai, que emoção!

O elenco se reuniu pra um ad na campanha de Hilary Clinton, o que me frustrou um pouquinho, já que pensei que eles fariam novas temporadas, tipo Gilmore Girls, mas eu aqui na esperança, vai que eles se empolgam, não é mesmo? Enfim, vamos pra o que realmente importa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O Caso The Week e a Polêmica Sobre o Uso de Drogas Sintéticas





Não há outro assunto nas rodinhas antenadas cariocas que não seja a interdição da The Week, na madrugada do último domingo. Em uma ação da Polícia Civil, a boate foi fechada por volta das 6h da manhã, com direito a policiais armados de fuzis mandando o som ser desligado e conduzindo os frequentadores para fora do local. O motivo da interdição? O uso irrestrito de substâncias ilícitas dentro da boate, com direito à prisão de uma traficante, com posse de 800 comprimidos de ecstasy. Agora, sério, qual a novidade?

Eu estava na The Week nesse final de semana. Quando entrei, por volta da 1h da manhã, a primeira parte da ação estava transcorrendo, com policiais retirando algumas pessoas, que pareciam ser os traficantes, de dentro da boate. Mas quando a ação de interdição aconteceu eu já não estava mais lá. Moço com alma de velho que sou, às 6h da manhã eu já estava deitado na minha cama e descansando o sono dos justos e bêbados.

domingo, 25 de setembro de 2016

Para Aqueles Amigos Que Dá Orgulho de Ter





Que propósito teria a vida senão seguir seu singelo e natural fluxo? E tendendo a dar certo, porque sempre dá. Deus sabe que dá. E Deusas também. E quando não dá, a gente mexe uns pauzinhos e conserta.

Então ficamos acolhidos num canto por essa redoma protetora de positivismo que nos assegura que a vida tá seguindo, e a gente tá indo junto. Vez ou outra um sujeito tenta estourar nossa 'bolha do bem' dizendo que agora não vai dar. Dessa vez não tem como: o barco vai afundar.

E sejamos francos, quem nunca foi esse sujeito, não é mesmo?

Isso é o que me faz ecoar - em fá maior: and I think to myself, what a wonderful world - with horrible persons in it. Sorry, Louis. Nada pessoal.

sábado, 24 de setembro de 2016

Pra Você Que Ficou Triste Com a Separação de Bonner e Fátima, Mas Vibrou Com o Divórcio de "Brangelina" e Achou Um Absurdo Alexandre Borges Bebendo e Se Divertindo Com As Amigas Travestis





William Bonner e Fátima Bernardes se separaram há pouco menos de um mês. O ator Alexandre Borges teve um momento de sua intimidade, junto de algumas amigas travestis, vazado em um vídeo na semana passada. Esta semana, os astros hollywoodianos Brad Pitt e Angelina Jolie, que formavam o casal "Brangelina", também se separaram. Nos três casos, houve reações inflamadas por parte de fãs e palpiteiros de plantão.

Sobre o casamento desfeito de Fátima e William, as reações foram de pesar e consternação. As pessoas ficaram incrédulas, tendo sua fé no amor verdadeiro profundamente abalada pelo fim da união de 26 anos do casal 20 do telejornalismo brasileiro.

Com o caso Alexandre Borges, os mesmos prováveis sensibilizados com a separação do casal de jornalistas, imediatamente empunharam a espada em defesa da moral e dos bons costumes da família tradicional brasileira e desceram a língua em condenação ao ator global, famoso por interpretar galãs, por estar em um momento particular de descontração, acompanhado de travestis, regado a álcool e drogas. Vale lembrar que há pouco mais de um ano, Alexandre era casado com a atriz Júlia Lemmertz, em uma união estável que durou 22 anos e, durante o período que estiveram juntos, nunca veio a público nenhum tipo de comportamento "repreensível" de nenhuma das partes. Neste caso, como figura pública, o único cuidado que Alexandre deveria ter tido era com a discrição, para evitar cair nas garras sempre afiadas dos cidadãos "perfeitos" por trás de suas redes sociais. Com o vídeo vazado e após todo o burburinho típico desses casos, restou a Alexandre fazer um pronunciamento por escrito se justificando, onde declarou ser apenas amigo de suas acompanhantes e que não houve sexo nem uso de drogas entre eles.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Um Dia Ela Chega e... Páh!





No último domingo, depois que assisti a entrevista exclusiva que a atriz Camila Pitanga concedeu à repórter Sônia Bridi para o Fantástico, não consegui dormir.  Ela relatou os momentos de tensão que antecederam a morte do ator Domingos Montagner, em um inofensivo mergulho no rio São Francisco, local onde os atores gravavam as últimas cenas da novela Velho Chico.
“Vi o último olhar dele. Não estava desesperado, mas ele não queria (morrer), tinha muita tristeza, ele não queria ir, ele tava cheio de vida.”.  Aquela frase não saía de minha cabeça.
Como algumas pessoas sabem, eu tenho pavor de rios e mares.  Apesar de saber nadar, fico apavorado em não conseguir colocar os meus pés no chão, ou em momentos em que eu possa perder o controle da situação.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Expectativa do Namoro e a Realidade da Relação





Já parou para pensar que nossos relacionamentos acabam sendo resultado de projeções que vamos absorvendo por toda nossa infância e adolescência? Basicamente é um círculo vicioso de inocentes expectativas que vão sendo frustradas com a simples realidade. 

O grande problema é que despejamos no outro todo um universo de desejos intermináveis de felicidade e realização. Você pode pensar que não, mas no fundo no fundo (bem lá no fundo mesmo) quer uma casa do tipo fazenda com cerca branca, cachorros e crianças correndo por todos os lados. Às vezes, no lugar de cachorro são gatos e no lugar de filhos são livros, planos de viagens e mais alguns outros projetos. Mas muito provavelmente, ao iniciar uma relação, você estará alimentando fantasmas internos adormecidos, que de tão bem guardados você nem sabe que existiram em algum momento. Mas é esta mesma assombração que retorna ou desperta, quando menos se espera, para atormentar sua relação.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Todos Para o Mesmo Saco





Foi há quase uma semana, mas o país ainda fala muito da morte do ator Domingos Montagner. No último domingo foi registrada a maior audiência do Fantástico desde 2012 com a entrevista de Camila Pitanga sobre o momento do afogamento. Lembro-me de estar assistindo a Globo no exato momento em que entrou a temida vinheta do plantão e a jornalista Renata Vasconcelos confirmou a morte do ator. Mas, além de ser uma pessoa querida, até mesmo pelo seu ofício que o levava a milhões de lares brasileiros, o que causou tanta comoção pela partida de Montagner?

Domingos Montagner foi um galã tardio. Tinha sua beleza diferenciada, algo rústico e cheio de charme. E um enorme talento, tanto atuando, quanto dançando ou fazendo suas performances de palhaço.  Mas não foi só por isso que sua partida comoveu tanto (tudo bem, ouvi gente dizer que poderia ter morrido ao menos “um feio em vez de um bonito”...). Quantas pessoas não morrem afogadas em rios, mar, lagoas e piscinas, algo que, por si só, é sempre de forma súbita? Quantos atores não morrem, ainda jovens, como Duda Ribeiro, que tinha a mesma idade de Montagner (54 anos) e faleceu um dia antes, vítima de um câncer, também deixando família e um invejável currículo, mas não tão famoso (Duda eu tive a oportunidade de conhecer e estar com ele por diversas vezes)?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Meu Vício Agora é a Madrugada





Eu AMO a noite, gente, sério. Vai anoitecendo e meu humor vai melhorando, eu vou me soltando, dependendo do dia da semana já vai me batendo a vontade de bater perna, dar umas voltas pelo bairro, ver gente, ligar pra um, pra outro, chupar um picolé na padaria da esquina, jogar conversa fora, enfim, muito bom.

Desde que eu trabalhei no pronto-socorro de um hospital aqui na cidade, minha vida noturna nunca mais foi a mesma. Eu entrava às 19h e saía às 7h, com eventuais plantões de vinte e quatro horas, fossem eles normais ou invertidos (aqueles que se entra à noite e sai na noite do dia seguinte), e foi o melhor emprego da minha vida. Lá eu aprendi tanto, mas tanto, não apenas profissionalmente, mas também a ter empatia, a trabalhar em equipe, o verdadeiro significado do trabalho em equipe. Claro, teve seus baixos também, as rasteiras e tal, mas isso tem em tudo que é lugar. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

David Levithan e a Arte de Conversar Com Nossas Almas





“Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. 
Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês. 
Está é o poder de um beijo: ele não tem o poder de matar você; 
mas tem o poder de trazer você à vida.” 
(Dois Garotos Se Beijando - David Levithan)

Conheci David Levithan por acaso. Encantado que estava com John Green depois de ler A Culpa é das Estrelas, acabei procurando outras obras do autor. Foi assim que cheguei até Will & Will - Um Nome, Um Destino, livro escrito a quatro mãos por Green e por esse cara que eu não fazia ideia de quem era, David Levithan, mas que se tornaria um dos meus autores preferidos.

Eu gostei de Will & Will e percebi que havia algo de diferente ali da escrita costumeira de John Green. Eu já havia lido A Culpa é das Estrelas e O Teorema Katherine, conhecia o jeito de Green e sabia exatamente o que ele havia escrito de Will & Will. Mas foi o outro estilo, o que eu claramente percebi não ter sido escrito pelo autor, que me levaram a procurar outras coisas de David Levithan. E que decisão acertada!

Foi por isso que "descobri" Todo Dia e mergulhei na vida de A., o protagonista da história criada por Levithan, uma "pessoa" sem gênero e sem corpo, que a cada dia acorda em um corpo diferente, passando exatas 24h na vida daquele hospedeiro. Sabem aqueles livros que te prendem e você PRE-CI-SA saber o que vai acontecer a seguir, mas ao mesmo tempo já sofre antecipadamente ao perceber que em breve chegará ao fim daquela história? Todo Dia é assim. Sem medo de errar, Todo Dia é um dos melhores livros que li na minha vida, me emocionando, me fazendo torcer, me obrigando a indicá-lo a todo mundo que eu sei que gosta de um bom livro (é sério, LEIA!).

domingo, 18 de setembro de 2016

Sob Suas Doces Unhas Vermelhas de Porcelana Ainda se Esconde o Resquício Áspero de Si (ou Interpretação de Textos Avançada para Alunos da 5ª Série - Parte 2)





Sua falsa autoestima era do tamanho dos peitos que vieram com a puberdade e ir-se-ão daqui a alguns anos quando o marido se irritar com a sua presença naquele nojento quarto de motel barato que frequentará na falta de coisa melhor pra fazer quando o tesão lhe subir à cabeça e o seu cunhado estiver por perto disponível na ausência da presença do, então, já, ex-amor-senhor-troféu-desejado-do-colégio

Mas muita água ainda rolará pelo seu corpo para limpar as mágoas, frustrações e vergonhas pelas quais passará até este momento derradeiro. Ainda é preciso se acostumar com o crescente tamanho dos peitos - veja só. Ainda é preciso perder a pouca confiança que lhe resta e transformá-la em empáfia disfarçada de poder de sedução, posse e pose. Para isso, ainda é preciso ser largada pelo primeiro namoradinho de infância por acusada de ser uma tábua (e ainda é preciso pensar que é um problema físico e não uma inabilidade nata, uma razês de expressividade). Daí você já deve ter deduzido, caro e perspicaz leitor, que se trata de esperar muitos solstícios e equinócios para a libertação brutal e sentimental de si, para escapar de sua fuga futuramente constante. 

sábado, 17 de setembro de 2016

Aquele Beijo





Já contei essa história muitas vezes e acho-a realmente boa, mas essa semana, após ver uma foto no Instagram, bateu uma saudade dele, dos nossos papos, deste episódio marcante (pelo menos pra mim) de nossas vidas, do qual nunca comentamos depois de ocorrido, talvez pra não "estragar" a amizade, que permanece intacta até hoje; mas depois de ver a foto, com um close de seu rosto bonito, lembrar do acontecido e já ter repetido a história diversas vezes em rodas de amigos, resolvi transcrevê-la aqui.

Ele é um amigo querido, que não vejo pessoalmente há algum tempo pela distância geográfica que nos separa, e também foi o garoto que me deu aquele beijo, um beijo que jamais será esquecido, não pelo ósculo propriamente dito, mas por todo o contexto envolvendo-o. Vagner era só um garoto quando "ficamos", 18 primaveras, eu já beirava os 30 (sim, tenho um problema com idade quando o outro é muito mais novo), mas por incrível que pareça em termos de beijos, ficadas e namoros, o garoto era mais experiente do que eu, que sempre fiz a linha tímida, recatada e do lar, ou seja, traquejo zero para flertes, paqueras e jogação.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Ainda, as Jujubas (Hoje é Dia de Comê-las)





Troco a Bituca Por Duas Jujubas não é um manifesto antitabagista e tampouco um incentivo à guloseima (ai, como detesto essa palavra). Este livro nasceu de um inesperado encontro de um fã e seu ídolo maior. Um estagiário de jornalismo e David Bowie, perdido no aeroporto do Rio de Janeiro antes de embarcar para Curitiba.

Ali, senti-me privilegiado no verdadeiro sentido da palavra como poucas vezes na vida. Dividi a tragada vinda dos lábios do camaleão e ainda guardei o prêmio. Sim, a guimba ainda existe até hoje, quase vinte anos depois do encontro inesquecível.

Outro dia, li em uma entrevista que Ian McCulloch, vocalista do Echo and the Bunnymen, nunca encontrou o seu maior ídolo. Ele chegou a escrever uma canção Me and David Bowie, no álbum Holy Ghosts onde diz "obrigado por tudo que você me mostrou / como a fumar um cigarro melhor do que ninguém / e como usar meu casaco tão bem que poderia até congelar o sol... / a escola de David Bowie foi onde eu aprendi a me conhecer / você me ensinou a brilhar".

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O Problema Está Em Você





Toda vez que penso em escrever para este espaço, entro em um dilema interno. Em tese, esse local é para isso:falar sobre coisas que estão presentes na minha vida e que podem refletir em vocês também, né? Mas algumas vezes fico pensando um pouco sobre isso. Será mesmo que você que me lê toda quinta-feira está querendo saber qual minha visão sobre o texto que o Gregório fez sobre Clarice Falcão, por exemplo? Está sim, que eu sei.

Segunda-feira nem bem começou e todo mundo (quando falo todo mundo, quero dizer os meus amigos no Facebook) está comentando, problematizando e analisando o que foi escrito pelo ator, roteirista e ex-namorado da cantora, atriz e compositora. Tem quem fale que é promoção ao novo filme de Gregório, feito ao lado de Clarice na época em que ainda namoravam. Outros acreditam que foi mais um desabafo de alguém que, querendo ou não, teve sua vida intrinsicamente ligada a de outra pessoa. Já alguns amigos acham que foi aquele tipo de texto que quer dizer que ele ainda liga, manda mensagem e ela já não quer mais nada com ele. E eu, o que acho?

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Carta ao Candidato





Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2016.

Caro candidato, bom dia!

Tenho assistido pouquíssimo à campanha eleitoral desse ano. Às vezes consigo assistir a um debate, ouvir a uma propaganda rápida no rádio, nada que ainda dê, mesmo a menos de um mês das eleições, para cravar os meus votos.

Tenho sim, candidato, minhas preferências históricas. E recentes episódios políticos de nosso país me ajudaram a ter ainda mais clareza de quem eu creio que seja confiável de ganhar o meu voto, uma das poucas coisas que me colocam em patamar de igualdade com qualquer brasileiro, desde o ribeirinho do terceiro rio à margem esquerda do Amazonas até o membro de sangue-azul da deposta família real radicada em Petrópolis. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Over There





E se meus pais tivessem ido para o Rio, como minha mãe queria? E se eu tivesse nascido lá? E se tivéssemos descoberto a doença a tempo?

Por isso hoje decidi fazer um conto sobre como eu imagino que seria a minha vida e a da minha família num universo paralelo, afinal de contas, não custa nada sonhar que uma das minhas versões alternativas tenha tido uma vida realmente interessante. 
___
"Toc toc toc toc toc" fazia a ponta traseira da caneta no papel. Glauco bufou e soltou a caneta sobre o caderno.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As Mulheres e o Assédio





Estava a caminho do trabalho, como faço todos os dias: no metrô do Rio, indo da zona sul para a Cidade Nova, de pé, lendo em meu Kindle, distraído da vida. Mas algo me chamou a atenção: do meu lado esquerdo havia um homem mal encarado, que olhava direto por mim, encarando algo à minha direita; do meu lado direito estava uma moça que, ao me ver olhando para ela, quase suspirou de alívio. Porque era evidente que ela estava sendo assediada e não estava confortável com a situação.

Quando o metrô parou na Carioca e o vagão esvaziou um pouco, permaneci de pé e a moça puxou papo comigo, como se me conhecesse. Perguntou o que estava lendo, se eu gostava de ler no Kindle, me disse que ela tinha um pouco de dificuldade com leitores digitais. E durante todo esse tempo, o homem continuava do meu lado esquerdo, prestando atenção ao nosso papo. E foi assim que decidi falar alto, para que a minha nova "amiga" percebesse e entendesse a minha intenção:
- Esse metrô anda muito devagar... Parece que nunca vamos chegar à Cidade Nova! 
- Ainda bem que estamos conversando e até chegarmos lá o tempo passa um pouco mais rápido. - ela respondeu.
A minha intenção era que o homem entendesse que estávamos juntos e que desceríamos juntos também, na mesma estação. Fiquei pensando que a menina não gostaria de ficar sozinha, sem ninguém "conhecido" no mesmo vagão que aquele cara.

domingo, 11 de setembro de 2016

Friends





Se minha vida virasse uma série de televisão, definitivamente eu gostaria que ela fosse Friends. Eu não escondo minha devoção ao sitcom, uma série que não sai da grade de reprises das TVs por um único motivo: o tempo passa e ela continua atual. E isso acontece porque além do roteiro ser muito bom e os atores excelentes, eles de fato criaram um laço de amizade que perdura até hoje. E não apenas entre eles, mas também com toda a equipe que contribui para o imenso sucesso do seriado. O estrelismo, que poderia ter existido durante tantos anos, evidentemente não surgiu; os seis atores souberam como conduzir suas carreiras pelo bem da série, de tal forma que até hoje isso é digno de nota e deveria ser copiado mundo afora. Eles sabiam que estavam fazendo e,  melhor ainda, gostavam do que faziam.

E quantas pessoas podem dizer que gostam do que fazem? Que estão de fato satisfeitas? Eu mesmo posso dizer que fui feliz em alguns locais em que trabalhei e em outros não. Isso não tem a ver com o salário que a pessoa ganha. Eu já trabalhei praticamente de graça e era feliz, ao contrário de quando ganhei um bom dinheiro e vivia amargurado. Quando chegava o domingo, sofria de crises de ansiedade e, quando o Fantástico acabava, eu queria morrer ao saber que no outro dia aquela rotina massacrante recomeçaria.

sábado, 10 de setembro de 2016

Sobre O Que Você Ainda Me Faz Sentir





Não é amor, é uma saudade!
Não é amor, é uma lembrança!
Não é amor, é o seu perfume rondando meu ar!

Não é amor, é uma ilusão!
Não é amor, é uma ferida aberta!
Não é amor, é uma inspiração!

Não é amor, é sua tez leitosa, sua barba por fazer...
Não é amor, são as estrelas brilhando mais intensamente e a lua me convidando pra dançar!
Não é amor, é um desejo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Troco a Bituca Por Duas Jujubas





Hoje eu vou falar um pouco do meu primeiro livro, que será lançado semana que vem.  É engraçado falar disso, sem separar toda a questão que envolve o orgulho e a felicidade em poder publicar algo que vai ficar registrado por aí, pra sempre.

Uma vez, conversando com meu amigo Larry Antha, vocalista da lendária banda underground carioca Sex Noise e que tem quatro (sensacionais) livros lançados, ele me disse que, quando escrevemos, “exorcizamos os fantasmas que estão dentro de nós”.  É a mais pura verdade.  Quando pus o ponto final na última crônica, me senti muito mais leve, como se agora pudesse compactuar com quem quisesse através das linhas e entrelinhas.  Não é um fardo, acreditem, mas sim, uma sensação de poder compartilhar ações e emoções.

O projeto desse livro teve início em 1997 quando, sem querer, esbarrei com David Bowie no aeroporto internacional do Rio de Janeiro.  Ele estava perdido querendo voltar para a área VIP e embarcar para Curitiba, onde faria o show da turnê Earthling.  E eu estava mais perdido do que ele.  Na época, era um estagiário de jornalismo sem saber ao certo qual rumo tomar na vida.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Desistir Também é Continuar





Caso você não esteja assistindo a segunda temporada de RuPaul's Drag Race: All Stars, aviso que esse texto irá trazer spoilers. Mas como sou um ser de luz, ao menos acho isso, estou avisando que nas próximas linhas irei tratar sobre a saída de uma participante e como esse momento me ajudou a ter uma outra percepção sobre desistir. 

Normalmente a gente rotula os desistentes. Quantas vezes já ouvimos histórias de alguém que largou sua faculdade no último período, quando faltava apenas um semestre ou uma matéria para se graduar? Pois é, isso acontece aos montes. Na maioria das vezes, junto da cara de espanto, temos uma crítica na ponta de língua, por exemplo, "Mas faltando tão pouco?", "Por que não terminou logo de uma vez?", "Mas se não era o que você queria fazer por que começou?". Mais do que um questionamento, temos, em cada uma dessas perguntas, uma conclusão: A pessoa não termina o que começa. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

De Repente, 13!





Essa semana fui lembrado pelo meu Facebook de que estou completando 13 anos de carreira. Para quem não sabe, sou jornalista; já trabalhei em redações e há nove anos atuo como assessor de comunicação. Curiosamente, me recordo da primeira vez que tive a ideia de fazer jornalismo: quando, ao conversar com o pai de uma amiga da escola, ele me disse que seria bom para mim, que gostava de escrever e desenhar. A conclusão parte de um lugar comum, mas acabou me levando para a profissão que abraço e na qual já passei por poucas e boas.

Pouco antes de ingressar na faculdade de jornalismo, houve o fatídico episódio do assassinato de Tim Lopes em uma favela do Rio. Recordo-me de ter comentado à época que em nada o ocorrido me faria esmorecer em prestar o vestibular para a carreira (ainda tomado pelo romantismo do jornalismo investigativo, no qual não cheguei a me enveredar). Mal sabia eu que, anos depois, viria a conhecer e trabalhar lado a lado com o filho de Tim, Bruno Quintella.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Esperando Pelo Meu Homem Na Lua





- A lua tá lindona, não é? - Jefferson abraçou Gael por trás, pousando seu queixo no ombro direito dele.
- Lua? Que lua, tá doido? Só tem estrelas e algumas nuvens... Ah, meu Deus, é efeito colateral da químio? - Gael saiu do abraço e olhou para Jeff, o rosto cheio de preocupação, enquanto o de seu namorado com câncer em fase terminal reluzia num sorriso que iluminava a noite fria de Agosto.
- Não, ainda não está na hora dos efeitos colaterais. Vai demorar um pouco, eu acho.
- E você me fala isso assim, com esse sorriso de quem acaba de... sei lá, ver um prato de lasanha? - Gael arfava de preocupação.
- Quieto, quieto, vem cá, deixa eu te abraçar. Vamos admirar a lua. - Jeff virou Gael e o abraçou, a respiração leve, tranquila, as mãos formando um cinto de segurança no peito do companheiro, o boné virado para trás, os olhos negros olhando o céu escuro.
- Sério, para com esse negócio de lua, não tem lua nenhuma.
- Gael, use sua imaginação, vamos. Olhe para o céu, me diga o que vê.
- Ahn... Nuvens sendo carregadas pelo vento, bem devagar, algumas estrelas avulsas, a luz da cidade...
- Imaginação.
- Tá bem, tá bem. Nossa, a lua está mesmo linda! Redonda, parece uma hóstia.
- Tá iluminando a rua toda, não é?
- Sim! - Gael respirou fundo e enfiou as mãos nos bolsos da calça.
- Sempre que você se sentir triste, eu quero que você olhe pro céu, e mesmo que não tenha lua, você vai ver uma.
- Jeff...
- Gael, me escuta.
- Não, não quero.
- Mas você precisa. - Abraçou Gael mais forte. - Eu não vou estar aqui pra te proteger. Eu tenho, o que? Quatro, cinco meses sobrando, e olha que eu tô sendo otimista quanto a cinco meses. Não vou dizer que você não deve ficar triste. Você pode e deve ficar triste, mas sempre que se sentir assim, eu quero que olhe pela janela do seu quarto, ou para o alto quando estiver fora de casa, e procure a lua. Se ela não estiver lá, você vai mentalizá-la, e vai pensar nesse momento. Somos só nós três: Você, eu e a lua, e ela é testemunha do quanto eu amo você.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Amizades e Circunstâncias





“Todos os dias é um vai e vem, a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar,
Tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar…”

Tenho uma grande amiga que diz que amizades são circunstanciais. Prática que só (e eu aprecio demais gente prática, cada vez mais), pontua que amigos não são eternos e que acabamos, ao longo da vida, peneirando quem realmente fica e sai do nosso caminho. Não sei se concordo com ela, pois essa visão me parece um tanto quanto simplista das coisas, coloca as pessoas como descartáveis. Mas analisando friamente, não sei se posso discordar.

Em nossa vida, conhecemos pessoas, nos apegamos a elas, mas, quantas realmente ficam? Amigos do colégio, da faculdade, do trabalho, de festas. Pessoas que até mesmo entram em círculos mais íntimos, conhecem sua família e que, de uma hora pra outra, deixam de fazer parte o nosso cotidiano. Os caminhos podem se separar, o contato rarear, brigas podem acontecer. E aquela pessoa que você tanto confiava e pensava que estaria ao seu lado pelo resto da vida uma hora não está mais ali. E, pior, aos poucos você consegue apagá-la ao ponto de, algumas vezes, nem lembranças restarem. 

domingo, 4 de setembro de 2016

Os 50 Anos de Star Trek: Audaciosamente, Onde Todos Deveríamos Estar




Era fim da década de 60. Nos últimos 20 anos, a sociedade americana se recuperava de seis anos de conflito na Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos passaram por uma reestruturação e, durante esse tempo, assistiram o advento da TV, descobertas científicas, e os chamados Anos Dourados. Entretanto, a partir da segunda metade dos anos 1950 o American Way of Life sofreu com a perda da credibilidade entre os jovens, que já não ferviam de paixão por esse modelo social.

Nos anos 60, um tom mais contestador começou a brotar com os movimentos sócio-culturais, a eleição e morte de John F. Kennedy, o surgimento dos movimentos hippie e feminista, as perseguições raciais e o crescimento de líderes como Martin Luther King e Malcom X. Entretanto, o envio de tropas de combate para o Vietnã foi determinante para criar um tom crítico e ácido ao modo como a sociedade levava sua vida. A Contracultura alcançava seu auge.

É nesse contexto que estreia Star Trek, a história da tripulação da nave espacial Enterprise, em uma missão de exploração pelos confins do universo. Neste futuro, a humanidade vive em paz, os conflitos foram extintos e agora era hora de conhecer novos planetas e povos. Os principais tripulantes? Um americano típico, um médico que odiava o espaço, um piloto japonês, uma negra como oficial de comunicação e o personagem mais icônico da série, um alienígena, filho de mãe terráquea, com orelhas e sobrancelhas pontudas e que não demonstrava sentimentos, apenas lógica. Na segunda temporada, a série ainda ganhou a presença de um oficial russo em sua ponte de comando.

sábado, 3 de setembro de 2016

Seja Você o Príncipe Encantado





Meninas idealizam e sonham desde criança com o Príncipe Encantado. Culpa dos contos de fadas machistas e hétero-normativos que nós, os gays, introjetamos também como nosso ideal. Parece um pensamento antiquado em tempos tão modernos e tecnológicos, mas apenas trocou-se a capa, a espada e o cavalo branco pelo abdômen tanquinho, com viagens internacionais no currículo, apreciador da boa gastronomia, bilíngue (no mínimo), pós-graduado, que entenda de cinema, teatro, literatura, artes plásticas e seja um furacão sexual. Ufa! Analisando bem, parece que a capa, a espada e o cavalo branco são exigências mais fáceis de serem atendidas.

Mas a pergunta que não quer calar é: você, com suas exigências de princesa intocável, está prepradx para também superar as expectativas do príncipe? Porque é muito fácil listar uma ATA cheia de itens a serem preenchidos pelo crush dos sonhos e esquecer que antes de tudo você precisa ser a pessoa que gostaria de ter ao lado. É muito simples fazer mil exigências, colocar mil empecilhos para dar uma chance à alguém e dar-se uma chance também, e não olhar para si mesmo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A Política-Lego e a População Desmemoriada





No dia 16 de março de 2016, eu estava em Brasília.  A cidade estava um caos.  Já passava das duas da manhã e um buzinaço ainda ressoava por toda a cidade.  Neste dia, a capital protestava contra a indicação de Lula para ser ministro da Casa Civil do governo de Dilma Rousseff.  O povo achou que era uma manobra.  E era mesmo.

Era um artifício para evitar o impeachment, garantir foro privilegiado contra as investigações de Sergio Moro, tirar Aloizio Mercadante do Ministério da Educação, recomeçar uma articulação política para manter o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores e, principalmente, ter uma queda de braço direta com Eduardo Cunha.

Sempre achei que política era como montar um castelo de Lego.  De peça em peça, construímos um império.  Temos que ter as peças corretas, senão, o troço fica torto.  Infelizmente, a população não tem muita paciência para brincar de Lego; então, acaba não entendendo nada de política.  A população também tem outro defeito: não consegue guardar a cara de nenhum político.  E aí, eu também associo àquele joguinho de memória, onde inicialmente temos todas as cartas com a figura na nossa frente, temos 1 minuto para memorizar, viramos as cartas e, depois, tentamos acertar os pares de figuras iguais.  A população não sabe brincar de jogo da memória.  Então esquece quem são os políticos.  Sem pecinhas de Lego e sem memória, não tem como entender a política.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Não Sei o Que Falar





Sinceramente? Não sei nem sobre o que escrever. Pensei em falar do sentimento de orgulho que “invadiu” todo mundo (ou quase todo mundo) após a abertura da Olimpíada e o caso que veio em seguida, aquele com o nadador americano, que foi pego na mentira! Mas vamos ser completamente honestos? Nem todo sentimento de orgulho duraria por muito tempo, não com tudo de errado que vem acontecendo no nosso país.

Esse não é um texto sobre impeachment. Não quero e nem tenho forças para analisar nada neste momento. Enfim, acho que é isso. Não tenho (e não temos) mais forças para pensar sobre o que vem acontecendo. É muita coisa errada. Muita gente querendo tanto se dar bem, que ninguém acaba conseguindo, de verdade, ganhar coisa alguma com tudo isso. Afinal, se ganha de um lado, mas perde-se em outro.