segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Amizades e Circunstâncias





“Todos os dias é um vai e vem, a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar, tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar, tem gente que vai e quer ficar,
Tem gente que veio só olhar, tem gente a sorrir e a chorar…”

Tenho uma grande amiga que diz que amizades são circunstanciais. Prática que só (e eu aprecio demais gente prática, cada vez mais), pontua que amigos não são eternos e que acabamos, ao longo da vida, peneirando quem realmente fica e sai do nosso caminho. Não sei se concordo com ela, pois essa visão me parece um tanto quanto simplista das coisas, coloca as pessoas como descartáveis. Mas analisando friamente, não sei se posso discordar.

Em nossa vida, conhecemos pessoas, nos apegamos a elas, mas, quantas realmente ficam? Amigos do colégio, da faculdade, do trabalho, de festas. Pessoas que até mesmo entram em círculos mais íntimos, conhecem sua família e que, de uma hora pra outra, deixam de fazer parte o nosso cotidiano. Os caminhos podem se separar, o contato rarear, brigas podem acontecer. E aquela pessoa que você tanto confiava e pensava que estaria ao seu lado pelo resto da vida uma hora não está mais ali. E, pior, aos poucos você consegue apagá-la ao ponto de, algumas vezes, nem lembranças restarem. 

Isso quando a distância se coloca sem que vocês nem percebam isso. Os afazeres, o cotidiano, os relacionamentos, os novos amigos. O contato virtual pode dar a sensação de que, não, tá tudo igual. Só que não, não está. Vocês não são mais tão amigos quanto um dia já foram.

Estou soando meio amargo? São apenas palavras a esmo, pensamentos soltos motivados por reflexões aleatórias. Eu amo os meus amigos e sou capaz de muito por cada um deles. Mas não posso deixar de pensar em quantos ‘amigos’ já tive e que hoje em dia são apenas conhecidos, senão meras lembranças numa caixa esquecida. Uma caixa na qual, inclusive, não tenho sequer vontade de mexer.

No geral, acho que faz parte do processo de crescer e amadurecer. Você aprende com as pessoas à sua volta e, no geral, tira boas lições de tudo que vive. Ninguém passa impunemente pela nossa vida. Até aquele filho da puta que um dia você chamou de amigo e que hoje sente calafrios só de pensar no nome pode ensinar algo e ajustar sua postura para que você não cometa um mesmo erro outra vez e deixe outro filho da puta se aproximar sob a aura de amigo. 

Analisando friamente (e eu adoro análises frias e distanciadas), ainda bem que é assim, na verdade. Porque minha amiga (e essa amizade tá durando uns bons 14 anos e contando...) pode até estar certa e as amizades serem circunstanciais. Mas nós somos únicos e precisamos de seres humanos à nossa volta. Estejam eles em nossa vida por afinidade ou por força das circunstâncias.

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

Cleber Eldridge disse...

Eu também não sei se concordo com ela, amizades são nossos bens mais preciosos, se soubermos cultivar ... só o que acontecerá, são bons frutos ao longo da vida ... sei lá, assunto meio denso.

themikulak.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Mais um belo texto de Leandro Faria. Só uma correção (se é que está errado): acredito que a citação que abre a matéria, extraída da música, não é de Maria Rita,a intérprete, mas de Miltom Nascimento, já que ele compôs a música e a letra. Mas não tenho certeza.