quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Carta ao Candidato





Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2016.

Caro candidato, bom dia!

Tenho assistido pouquíssimo à campanha eleitoral desse ano. Às vezes consigo assistir a um debate, ouvir a uma propaganda rápida no rádio, nada que ainda dê, mesmo a menos de um mês das eleições, para cravar os meus votos.

Tenho sim, candidato, minhas preferências históricas. E recentes episódios políticos de nosso país me ajudaram a ter ainda mais clareza de quem eu creio que seja confiável de ganhar o meu voto, uma das poucas coisas que me colocam em patamar de igualdade com qualquer brasileiro, desde o ribeirinho do terceiro rio à margem esquerda do Amazonas até o membro de sangue-azul da deposta família real radicada em Petrópolis. 

Ainda assim, candidato, tenho ouvido tantas baboseiras... Em especial quando o senhor fala em nome da família... Como votar em alguém pode ser em defesa da família? Que legado político fará mais por uma família do que ela própria? Quem deveria se preocupar com a família, sua constituição e seus valores não seriam seus próprios integrantes? Aqueles que, consangüíneos ou não, dividem laços afetivos, felicidades e agruras, tanto quanto aquela família que reside em sua casa?

O senhor realmente acha que é possível legislar ou governar sobre sentimentos, candidato? O senhor consegue, por acaso, governar os seus próprios? Eu bem que tento (e olha que me considero uma pessoa controlada à beça), mas não consigo. Não é um bocado pretensioso demais achar que essa seara cabe à política?

No mais, candidato, buscarei ficar atento nos próximos dias. Quero ver se ouço melhor o senhor e seus colegas. Torço para que desistam dessa ideia de colocar a família no meio... E que de fato venham propostas sobre mobilidade, saneamento, urbanismo, serviço social, emprego... Pensando no que de fato cabe a você, aí, sim, estará fazendo um bem às milhões de famílias dos eleitores.

Que o senhor tenha uma excelente quarta-feira! E bom trabalho!

Paulo Henrique Brazão

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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