segunda-feira, 19 de setembro de 2016

David Levithan e a Arte de Conversar Com Nossas Almas





“Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. 
Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês. 
Está é o poder de um beijo: ele não tem o poder de matar você; 
mas tem o poder de trazer você à vida.” 
(Dois Garotos Se Beijando - David Levithan)

Conheci David Levithan por acaso. Encantado que estava com John Green depois de ler A Culpa é das Estrelas, acabei procurando outras obras do autor. Foi assim que cheguei até Will & Will - Um Nome, Um Destino, livro escrito a quatro mãos por Green e por esse cara que eu não fazia ideia de quem era, David Levithan, mas que se tornaria um dos meus autores preferidos.

Eu gostei de Will & Will e percebi que havia algo de diferente ali da escrita costumeira de John Green. Eu já havia lido A Culpa é das Estrelas e O Teorema Katherine, conhecia o jeito de Green e sabia exatamente o que ele havia escrito de Will & Will. Mas foi o outro estilo, o que eu claramente percebi não ter sido escrito pelo autor, que me levaram a procurar outras coisas de David Levithan. E que decisão acertada!

Foi por isso que "descobri" Todo Dia e mergulhei na vida de A., o protagonista da história criada por Levithan, uma "pessoa" sem gênero e sem corpo, que a cada dia acorda em um corpo diferente, passando exatas 24h na vida daquele hospedeiro. Sabem aqueles livros que te prendem e você PRE-CI-SA saber o que vai acontecer a seguir, mas ao mesmo tempo já sofre antecipadamente ao perceber que em breve chegará ao fim daquela história? Todo Dia é assim. Sem medo de errar, Todo Dia é um dos melhores livros que li na minha vida, me emocionando, me fazendo torcer, me obrigando a indicá-lo a todo mundo que eu sei que gosta de um bom livro (é sério, LEIA!).

A partir daí, fui me deliciando com as outras obras do autor lançadas o Brasil e me apaixonando um pouco mais pelos universos criados por Levithan, pela delicadeza de sua escrita, pelas emoções que jorravam de suas palavras. Engraçado que, apesar de claramente gay, o autor não se limita a escrever sobre esse universo. Ele possui livros com protagonistas gays e com histórias que qualquer um com essa orientação sexual vai se identificar. Mas também sabe escrever bem outras histórias de amor, criando personagens críveis, sejam eles homo ou heterossexuais.

Em Garoto Encontra Garoto, Levithan constrói uma história singela e divertida, sobre o relacionamento complexo entre dois adolescentes (e que relacionamento é simples quando se tem 17 anos?), através de uma história poderosa e personagens marcantes.  Já em Invisível, em parceria com Andrea Cremer, Levithan volta a se embrenhar em uma história com toques paranormais, ao nos apresentar um protagonista que nasceu invisível, mas que, ao se apaixonar, mergulha numa aventura tentando entender a própria natureza. Enquanto isso, em outra parceria, dessa vez com Rachel Cohn, Levithan apresenta Naomi & Eli e a Lista do Não Beijoque é uma leitura leve e bobinha, mas nem por isso irrelevante (e esse livro virou filme, inclusive).

Mas foi com Dois Garotos Se Beijando que Levithan me atingiu de novo, com a mesma força que o fez em Todo Dia. O livro é poderoso, intrincado, poético e, confesso, me fez chorar. Ao contar seis histórias que se interligam, o autor traça um painel sobre o que é ser gay para jovens e pessoas adultas, emocionando o leitor e nos fazendo refletir sobre nossas vidas e tudo que foi necessário para que tantos direitos tenham sido conquistados. É um livro necessário e pungente. É outro que indico sempre e faço um apelo à você: LEIA!

Agora, enquanto estou no meio da leitura de Outro Dia - A História de Rhiannon, em que Levithan revisita o universo que construiu em Todo Dia para contar a história de A., mas dessa vez sob a visão de Rhiannon, a garota por quem o personagem acaba se apaixonando no livro original, eu tive esse estalo e pensei: eu preciso falar de David Levithan no Barba Feita. E cá estou, falando, indicando, dividindo com vocês essa minha paixão.

Nascido em 1974, David Levithan vem aumentando, livro a livro, a sua base de fãs, que apreciam a sua escrita e que se permitem conhecer os mundos criados por esse autor tão sensível. Ao ler um livro de Levithan, parece que aqueles personagens estão conversando com nossas almas, nos mostrando novas possibilidades, ao mesmo tempo em que dividem suas histórias conosco. David Levithan possui o dom de transportar para o papel (físico ou virtual) as emoções necessárias para inundar nossas mentes de emoção e tranquilidade, tocando a cada leitor.

Se eu pudesse dizer apenas uma frase para David Levithan, eu  não tenho dúvidas do que diria. Seria: "Você é o cara!".

Porque sim, ele é!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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