quarta-feira, 7 de setembro de 2016

De Repente, 13!





Essa semana fui lembrado pelo meu Facebook de que estou completando 13 anos de carreira. Para quem não sabe, sou jornalista; já trabalhei em redações e há nove anos atuo como assessor de comunicação. Curiosamente, me recordo da primeira vez que tive a ideia de fazer jornalismo: quando, ao conversar com o pai de uma amiga da escola, ele me disse que seria bom para mim, que gostava de escrever e desenhar. A conclusão parte de um lugar comum, mas acabou me levando para a profissão que abraço e na qual já passei por poucas e boas.

Pouco antes de ingressar na faculdade de jornalismo, houve o fatídico episódio do assassinato de Tim Lopes em uma favela do Rio. Recordo-me de ter comentado à época que em nada o ocorrido me faria esmorecer em prestar o vestibular para a carreira (ainda tomado pelo romantismo do jornalismo investigativo, no qual não cheguei a me enveredar). Mal sabia eu que, anos depois, viria a conhecer e trabalhar lado a lado com o filho de Tim, Bruno Quintella.

Comecei a trabalhar quase exatos 13 anos atrás no jornal O Fluminense, um hoje pequeno, porém tradicional jornal do Estado do Rio sediado em Niterói. Entrei como estagiário, indicado pelo meu amigo de classe na faculdade, Victor Ribeiro. Fui trabalhar na editoria de Economia & Serviços, algo que não me imaginava fazendo, e ganhava R$ 150 pela bolsa. Em um dos primeiros dias, fui interpelado pelo chefe de reportagem, Eduardo Garnier, junto ao Victor: "A mãe de vocês sabe que vocês estão aqui?". A redação inteira veio abaixo, gargalhando dos dois estagiários com cara de criança. Em cinco meses, eu era efetivado, na editoria de Geral, para cobrir principalmente as cidades de Niterói e São Gonçalo, e passei a ter o mesmo Garnier como chefe direto. Alguém que me ensinou que para ser chefe e se impor respeito não é necessário grosseria ou voz alta; nem é necessário descontar em outra pessoa caso você não esteja em um bom dia.

Em O Fluminense, tive algumas coberturas marcantes: um incêndio de um prédio na Av. Presidente Vargas (minha primeira pauta no Rio, mas que não foi publicada porque a da agência de notícias, quando chegou, estava mais atualizada que a minha, que tive que ir para a faculdade); uma rebelião na Casa de Custódia de Benfica (essa, sim, grudei no jornalista da agência até o fim e não tomei furo dele....); a morte e o velório de Leonel Brizola, com direito a diversas autoridades e a primeira vez que eu vi o então-presidente Lula ser vaiado; a vez em que descobrimos que o tráfico usava vale-transporte paralelo dentro de áreas de risco de Niterói e foi direto para a manchete do jornal (e outros jornais maiores da época, como O Globo e o Jornal do Brasil vieram atrás para descobrir como conseguimos o furo).

Também em O Fluminense comecei a cobrir política. Conheci o então-prefeito de Niterói, Godofredo Pinto (que na redação alguns chamavam jocosamente de "Gozopelo Pinto"). E trabalhei numa uma pauta com o candidato à Prefeitura em 2004, Zeca Mocarzel, na qual o acompanhei num cooper matinal e depois comi um risoto de ovo de avestruz feito por ele no almoço. Tudo para mostrar coisas curiosas sobre os candidatos. Detalhe que eu não gostava de ovo nem de risoto e quase passei mal só de ver aquela gema imensa ainda meio mole sendo misturada no arroz. Sobrou pro fotógrafo, que comeu o prato dele e o meu num momento em que o candidato se ausentou...


De lá, após um tempo parado para me dedicar somente aos estudos novamente, fui estagiar na TV Globo. Conheci de perto a produção dos programas jornalísticos aos quais assistia, me tornei colega de jornalistas que já eram famosos para mim - e também do Bruno, filho do Tim, que mencionei anteriormente. Saía para gravar matérias na rua para apoio dos repórteres e contava para a mãe que no Jornal Nacional a mão que apareceria segurando o microfone seria a minha. Fiquei quase dois anos na TV, tendo meu ápice nas Eleições 2006 para Governador, na qual participei diretamente da produção que acompanhava o assunto e cobria os candidatos no dia-a-dia. Concorri a um prêmio interno pela produção de uma reportagem para o Bom Dia Rio sobre os desafios da Região Metropolitana. Participei dos dois debates ao vivo antes dos dois turnos da eleição.

Também já passei por algumas lá, como quando uma entrevistada ao vivo simplesmente disse que não tinha pergunta pra fazer porque já tinha sido respondida (enquanto apontava para o ponto eletrônico que usava). E também entrevistei o então-prefeito do Rio, César Maia, dentro do Cemitério do Catumbi em mais um factóide criado por ele: a reforma do túmulo do Marquês de Sapucaí (a foto no meio desse post).

Depois dessa experiência, fui para o que chamamos de outro lado do balcão: trabalhando como assessor na FSB Comunicação, a maior agência de Comunicação Corporativa do Brasil. Já são nove anos lá dentro e, sem dúvida, tive também aprendizados que nenhum outro lugar me proporcionaria. Foi a trabalho, por exemplo, que estive em uma final de Copa do Mundo.

O importante é que em todos os lugares por que passei, fiz grandes amigos e acumulei grandes histórias. Aprendi muito e ainda aprendo. Tenho hoje a minha equipe e me orgulho de trabalhar com ela. Tento ser um melhor profissional e um melhor chefe sempre. Afinal, lá se vão 13 anos. Alguma coisa tenho que saber fazer direito, nem que seja tentar...

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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