domingo, 11 de setembro de 2016

Friends





Se minha vida virasse uma série de televisão, definitivamente eu gostaria que ela fosse Friends. Eu não escondo minha devoção ao sitcom, uma série que não sai da grade de reprises das TVs por um único motivo: o tempo passa e ela continua atual. E isso acontece porque além do roteiro ser muito bom e os atores excelentes, eles de fato criaram um laço de amizade que perdura até hoje. E não apenas entre eles, mas também com toda a equipe que contribui para o imenso sucesso do seriado. O estrelismo, que poderia ter existido durante tantos anos, evidentemente não surgiu; os seis atores souberam como conduzir suas carreiras pelo bem da série, de tal forma que até hoje isso é digno de nota e deveria ser copiado mundo afora. Eles sabiam que estavam fazendo e,  melhor ainda, gostavam do que faziam.

E quantas pessoas podem dizer que gostam do que fazem? Que estão de fato satisfeitas? Eu mesmo posso dizer que fui feliz em alguns locais em que trabalhei e em outros não. Isso não tem a ver com o salário que a pessoa ganha. Eu já trabalhei praticamente de graça e era feliz, ao contrário de quando ganhei um bom dinheiro e vivia amargurado. Quando chegava o domingo, sofria de crises de ansiedade e, quando o Fantástico acabava, eu queria morrer ao saber que no outro dia aquela rotina massacrante recomeçaria.

Por outro lado, quando se faz o que gosta as horas passam depressa, os dias voam, a alegria de estar num local onde tudo funciona agradavelmente não tem preço. Acredito que Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer sentiram isso durante aquelas dez temporadas e as lembranças que guardaram durante este tempo se tornaram inesquecíveis. Mesmo mais de dez anos depois de ir ao ar o último episódio da série e de todos tendo feito vários trabalhos distintos que fogem dos personagens que criaram, eles ainda são lembrados com carinho pelo seu grande e fiel público, além daqueles que foram descobrindo o programa ao longo dos anos. depois do encerramento da série.

Friends não trazia nada de novo como Seinfeld, por exemplo, que tinha um humor verborrágico. Não possuía grandes reviravoltas como The Big Bang Theory, que viu seu elenco crescer ao longo dos anos. O sucesso de Friends, que se tornou um marco no gênero por se imortalizar, era apresentar o cotidiano de amigos que estavam sempre juntos, se protegiam e que pareciam como eu, como você, como qualquer um. Jovens adultos na faixa dos trinta anos, tentando aprender como se relacionar, quebrando a cara algumas vezes mas, sobretudo, sabendo que isso faz parte.


Quando a série começou, víamos uma imatura e mimada Rachel, que abandona o noivo no altar e corre para a amiga de infância, Monica, que não via há algum tempo. Ross, o irmão desta, tinha acabado de se separar e ainda chorava as pitangas quando reencontra seu antigo amor da adolescência. Phoebe, Joey e Chandler eram os amigos inseparáveis que compunham o sexteto e, uma outra jogada de mestre dos criadores do seriado foi sabiamente criar em cada temporada um fio condutor e fazer com que as tramas paralelas se conectassem.

Assim sendo, na primeira temporada víamos a tentativa de Ross em se aproximar de Rachel; na segunda, víamos o inverso até, enfim, eles conseguirem ficar juntos e se separarem depois. A separação, por sinal, foi um mote muito bem desenvolvido pelos roteiristas. Sem o casal apaixonado, houve a necessidade de se ter um novo casal. Surgia então Monica e Chandler e, quem pensava que a história não daria liga, deu tanto que ambos acabaram se casando na série, num dos momentos mais aguardados pelos fãs. Enquanto isso, Rachel e Ross ensaiavam retornos e, ela se descobre grávida dele, acaba se encantando por Joey e, no fim, Ross consegue mostrar pra Rachel que o amor dos dois era maior que qualquer coisa. No meio de tudo isso, Phoebe deu à luz aos filhos do irmão e ainda encontrou o amor depois de inúmeros relacionamentos fracassados.

Os seis. de alguma forma. encontraram aquilo que todos buscam, principalmente quando estão nessa faixa etária. Trabalhavam no que gostavam, encontraram e se encontraram, eram parceiros pra vida toda. Eles podiam contar um com o outro sempre. Ross sabia que podia contar com Joey e este com Chandler. Monica estava sempre disposta a ouvir Rachel e ambas tinham em Phoebe um porto seguro. Friends foi um marco no gênero porque mostrava histórias que podiam acontecer com qualquer um de nós, histórias que podem estar acontecendo neste exato momento em qualquer lugar, ou que qualquer um de nós gostaria de viver um dia. Mostrava pessoas que gostaríamos de ser e ter ao nosso lado.

E, obviamente, os personagens tinham os melhores empregos do mundo, afinal, independente do que acontecesse, eles estavam sempre juntos, ali, tomando um café a qualquer hora do dia.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e já foi colunista oficial do Barba Feita, às sextas-feiras; agora, entretanto, aparece por aqui esporadicamente, como convidado. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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