terça-feira, 27 de setembro de 2016

Honey, What's Going On? What's Happening? What's All This About?!





Precisamos falar sobre Will & Grace! Não conhece? Nunca ouviu falar?! Pois a hora é agora! E por que eu vou falar dessa série? Porque eles se reuniram, dez anos após o fim da série!


Ai, que emoção!

O elenco se reuniu pra um ad na campanha de Hilary Clinton, o que me frustrou um pouquinho, já que pensei que eles fariam novas temporadas, tipo Gilmore Girls, mas eu aqui na esperança, vai que eles se empolgam, não é mesmo? Enfim, vamos pra o que realmente importa.

Will conheceu Grace na faculdade. Os dois chegaram a namorar mas, no Dia de Ação de Graças, Will decidiu se assumir gay, pouco antes de os dois transarem pela primeira vez, e Grace ficou arrasada. Mas a série não começa assim, isso é contado na terceira temporada. A série começa com Will, um advogado gay, e Grace, uma decoradora de interiores judia.

Junto com eles, somos apresentados a Jack e Karen. Jack, um ator sem talento que salta de emprego em emprego enquanto tenta entrar pro showbiz, e Karen, a bilionária que adora bancar a sem coração.
Aí você para e pensa: O que diabos pode sair disso?. Pois bem, o resultado é algo maravilhoso. Will & Grace estreou em 1998 e terminou em 2006, totalizando oito magníficas temporadas, onde vemos personagens com os quais realmente podemos nos identificar, pelo simples fato de que, na série, não existem mocinhos e bandidos. Não, não, todo mundo ali tem mais defeitos do que qualidades, e são esses defeitos que são explorados, e é em cima disso que a série é trabalhada: no defeito dos esteriótipos. 

Will é gay, bem sucedido, sabe se vestir, diz à Grace o que vestir, como ela deve agir com os homens, mas tem seu pensamento conservador, de gente velha. E Jack é seu oposto, totalmente escrachado, que se maquia, que fala alto, que namora com cinco ao mesmo tempo, que aproveita a vida, mas que não para em um emprego sequer, é bancado por Will e Karen. Karen que, por sua vez, é bilionária, se veste bem, tem ótimas sacadas, mas não pensa em ninguém além dela mesma, superficial, ofende quem parar na sua frente, viciada em álcool e drogas, apoia o trabalho escravo das fábricas do marido. Grace tem seu próprio negócio, dona do próprio nariz, que sai, se diverte, pega quem quiser, faz o que quer com a vida dela, mas faz de tudo pra ganhar sem esforços e é uma judia mão de vaca.

A série tinha tudo pra dar errado, mas o brilhantismo dos roteiristas garantiu o sucesso da sitcom, que soube fazer disso tudo uma divertida lição de moral, a ponto de o Vice-Presidente Joe Biden dizer que a série fez mais em educar a população sobre a comunidade e as questões LGBT do que qualquer coisa já feita naquele período, quando a série fez uma crítica à própria emissora, a NBC, que, num episódio da segunda temporada, ficou de exibir um beijo gay e não exibiu, causando assim a fúria de Jack, que acabou mostrando um beijo entre dois homens no episódio exibido no horário nobre.

Will & Grace não cai na mesmice, ao contrário de muitas outras comédias do mesmo período. Cheia de movimentos ousados, a série tinha diálogos importantes, saía de sua zona de conforto constantemente, inclusive com dois episódios ao vivo na última temporada, que foram deliciosos, porque ficava clara a ligação entre os quatro, a forma como eles interagiam e estavam acostumados uns com os outros, e por isso a série nunca decepcionava, porque DE REPENTE, algo totalmente novo acontecia e você ficava "O QUEEE?"

E o mais interessante é perceber a evolução da série. Os personagens vão ganhando idade, os diálogos também, as atuações também, e a interação entre os quatro fica incrível. Sustentar, por oito anos, uma sitcom com personagens como esses, receber 16 Emmys, sendo que os quatro também ganharam um Emmy cada um, merece a atenção, porque em tempos de séries com roteiros iguais e que acabam sendo canceladas com duas, três temporadas, ou às vezes no segundo episódio, fazer o que foi feito, na época em que foi feito, é pra ser aplaudido de pé.

Ah, e não posso esquecer da Rosario, a empregada da Karen. ("No, Rosario, por favor, listen to me for a second, ok? Take Olivia and Mason to La Store de los Toys. Gracias. Hola!"). A personagem nascida em El Salvador, que não topa trabalhar pra um ser humano, apenas para Karen Walker, aparece pouco no início, ganha seu espaço e, mesmo não aparecendo em todos os episódios, quando aparece, é sempre muito divertido, principalmente quando em discussão com Karen.

Com diversas participações especiais, como Michael Douglas, Madonna, Cher, Eldon John, Britney Spears, Matt Damon, Parker Posey, Glenn Close, Ellen Degeneres (nunca superei ela de freira, é hilário), Patrick Dempsey, Candice Bergen (interpretando ela mesma, como se fosse inimiga da Karen, que episódio!), e mais, Will & Grace fez um barulho e tanto na TV norte-americana, e eu poderia ficar falando por horas dessa que é a melhor comédia já feita, não só pelas piadas, mas por criar personagens fáceis de serem identificados pelo público comum, justamente por essa brincadeira com o lado negro e real de cada um deles.

Infelizmente, a Netflix Brasil não ouve meus pedidos, meus gritos de socorro e minhas orações pra colocar a série em seu catálogo, então não tem muito onde assistir, a menos que você tenha a sorte de encontrar pra assistir online. Eu, felizmente, comprei o box, então ponto pra mim.

Eu sou Glauco Damasceno, e mando essa mensagem em nome de todos os fãs de Will & Grace a todos os funcionários da Netflix Brasil  espalhados pela Terra: 
Estamos aqui. Estamos esperando.
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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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3 comentários:

Itamy Sandoval disse...

nossa me convenceu muuuito, preciso ver essa série!
parabens pelo brilhante texto!

TheQuedolaomer disse...

Assisti alguns episódios na época e achei uma droga. Assisti recentemente e achei pior ainda. Diferente de Seinfeld, essa sim a verdadeira melhor série de comédia de todos os tempos.

Germano Dutra Jr disse...

Amo essa série! Eu acompanhava no canal Sony naquela época! Ainda bem que tenho DVDs de todas as temporadas também, pois é difícil de encontrar na Internet para assistir. Se tivesse retorno especial como Gilmore Girls, eu ficaria tão louco de feliz!