domingo, 25 de setembro de 2016

Para Aqueles Amigos Que Dá Orgulho de Ter





Que propósito teria a vida senão seguir seu singelo e natural fluxo? E tendendo a dar certo, porque sempre dá. Deus sabe que dá. E Deusas também. E quando não dá, a gente mexe uns pauzinhos e conserta.

Então ficamos acolhidos num canto por essa redoma protetora de positivismo que nos assegura que a vida tá seguindo, e a gente tá indo junto. Vez ou outra um sujeito tenta estourar nossa 'bolha do bem' dizendo que agora não vai dar. Dessa vez não tem como: o barco vai afundar.

E sejamos francos, quem nunca foi esse sujeito, não é mesmo?

Isso é o que me faz ecoar - em fá maior: and I think to myself, what a wonderful world - with horrible persons in it. Sorry, Louis. Nada pessoal.

Eu acredito que temos uma força tão, mas tão enorme, que ainda assim sobrevivemos às farsas, às máscaras, aos interesses travestidos de troca e aos interesses nus e desprovidos de qualquer vergonha. Sobrevivemos às pessoas, dia após dia, e dormimos com aquela sensação de que isso não vai mudar nunca.

Se muda mesmo, eu não sei. Mas a gente é recompensada de cada jeito que vale. Vale esse baile mascarado todo, vale cruzar com 100 pessoas e guardar uma pra sempre. Vale ouvir que você é muito boa, muito trouxa e muito ingênua. Vale, às vezes, até a ingratidão (ou a gratidão que não foi suficiente - padrões que não se quebram, quebram a gente no fim). Porque de uma forma ou de outra, são essas pessoas que vão agarrar um controle remoto jogado no sofá e fingir ser o microfone dourado da turnê mundial do sofrimento que você vai cantar a plenos pulmões. Isso é sofrer da forma mais deliciosa possível.

Isso é viver da dor mais branda que existe. É saber enxergar uma mão (e um ombro, um pé, alguns braços, alguns passos) em alguém que de repente vira parte essencial e tão certa de nós.

E vale a distância, quando preciso. Vale o espaço, quando prefiro. Mas vale o amor que fica, que encoraja, que diz que vai dar certo, que troca a Skol por algo melhor porque a gente merece.

Eu mereci. E essas pessoas que me inspiraram também merecem.

Obrigada por tanto em tão pouco tempo.

Obrigada por tanto tempo em tão pouco espaço.

Obrigada por tudo em tantos e tantos que podiam oferecer mais.

Leandro Faria  
Patricia Janiques, 30 anos, produtora cultural, escritora, roteirista e publicitária somente nas horas vagas. Tem medo de cachorros e egoísmo, não curte chocolate mas é adicta a goiabada e acha que arte e meditação podem mudar o mundo.
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Um comentário:

Laura Frossard disse...

E você é uma amiga que dá orgulho ter...