sábado, 24 de setembro de 2016

Pra Você Que Ficou Triste Com a Separação de Bonner e Fátima, Mas Vibrou Com o Divórcio de "Brangelina" e Achou Um Absurdo Alexandre Borges Bebendo e Se Divertindo Com As Amigas Travestis





William Bonner e Fátima Bernardes se separaram há pouco menos de um mês. O ator Alexandre Borges teve um momento de sua intimidade, junto de algumas amigas travestis, vazado em um vídeo na semana passada. Esta semana, os astros hollywoodianos Brad Pitt e Angelina Jolie, que formavam o casal "Brangelina", também se separaram. Nos três casos, houve reações inflamadas por parte de fãs e palpiteiros de plantão.

Sobre o casamento desfeito de Fátima e William, as reações foram de pesar e consternação. As pessoas ficaram incrédulas, tendo sua fé no amor verdadeiro profundamente abalada pelo fim da união de 26 anos do casal 20 do telejornalismo brasileiro.

Com o caso Alexandre Borges, os mesmos prováveis sensibilizados com a separação do casal de jornalistas, imediatamente empunharam a espada em defesa da moral e dos bons costumes da família tradicional brasileira e desceram a língua em condenação ao ator global, famoso por interpretar galãs, por estar em um momento particular de descontração, acompanhado de travestis, regado a álcool e drogas. Vale lembrar que há pouco mais de um ano, Alexandre era casado com a atriz Júlia Lemmertz, em uma união estável que durou 22 anos e, durante o período que estiveram juntos, nunca veio a público nenhum tipo de comportamento "repreensível" de nenhuma das partes. Neste caso, como figura pública, o único cuidado que Alexandre deveria ter tido era com a discrição, para evitar cair nas garras sempre afiadas dos cidadãos "perfeitos" por trás de suas redes sociais. Com o vídeo vazado e após todo o burburinho típico desses casos, restou a Alexandre fazer um pronunciamento por escrito se justificando, onde declarou ser apenas amigo de suas acompanhantes e que não houve sexo nem uso de drogas entre eles.

Já o fim de "Brangelina", que eu esperava que fosse causar a mesma comoção que causou o término de Fátima e Willian, não me pareceu ter tanta repercussão por aqui. Mas como o povo, principalmente os "cidadãos de bem", precisa emitir sua opinião, o que eu li foram comentários de pessoas (fãs de Jennifer Aniston, em sua maioria) que parecem ter esperado 12 anos (o tempo que Pitt e Jolie ficaram juntos) por essa separação. E como as pessoas são loucas, se eles tivessem permanecido juntos por 30 anos, esse povinho que se intitula #teamAniston, teria comemorado da mesma forma. Os sites de fofoca já noticiaram que Brad Pitt implorou para que Angelina não pedisse o divórcio; que o motivo da separação foi um envolvimento dele com a atriz Marion Cotillard; que Brad está sendo acusado de abuso contra os filhos; e que Angelina é uma lunática.

Se são verdades ou mentiras os rumores sobre os motivos da separação de "Brangelina"; se Alexandre Borges transa com travestis e dá um teco de vez em quando; e se é triste o fim da união de Bonner e Fátima, sinceramente, eu não tô nem aí. Não dou a mínima, não me interessa. Foi-se o tempo em que eu acreditava que aqueles artistas maravilhosos que via na TV e no cinema e admirava pra caramba, estavam acima do bem e do mal.

Eu gostava do casal Pitt e Aniston e gostava de "Brangelina". Eu gostava de Julia e Alexandre como um casal e, principalmente, como profissionais; quando o casal se desfez, fiquei inutilmente chateado por alguns minutos, mas continuei admirando os profissionais. Por Fátima e Willian eu já tinha perdido o encanto desde que ela deixou a bancada do Jornal Nacional.

Mesmo gostando ou sendo indiferente aos três casos citados aqui, eu não fiquei postando nem enchendo o saco de ninguém nas redes sociais com a minha opinião, simplesmente porque a minha opinião não interessa. A gente comenta em casa com os familiares, põe na roda dos assuntos fúteis e inúteis com os amigos, solta até um shade e outro porque ninguém tá morta, né, e acabou. Você não leva a sério sua opinião sobre o outro se o outro não tiver nada a ver com a sua vida e suas relações, principalmente se o outro for alguém que você só vê na TV. Você não expõe o que pensa sobre o que o outro, artista ou não, fez da vida privada dele, nas redes sociais e, se expor, tenha ciência de que sua opinião vale o mesmo que a minha, porcaria nenhuma. 

Pode-se gostar ou não do trabalho de determinados artistas e de suas posturas como tais. Críticas, comentários e postagens nestes casos são super válidos, desde que não haja excessos. Aliás, tudo que excede torna-se insuportável, até demonstrações de empatia podem tornar-se incômodas, como é o caso da morte de Domingos Montagner, a qual eu senti demais. Mas até quando será lamentada? Foi uma tristíssima fatalidade, mas não há o que fazer. Tudo tem seu tempo e deixemos a dor imensurável à família, que ainda terá um longo período de luto. Quanto a nós, meros admiradores de seu trabalho, resta pensar em nossas próprias vidas e lamentar por nossas próprias dores.

Quanto a sua tristeza pela separação de um casal de jornalistas, em contrapartida com sua satisfação pelo divórcio de um casal hollywoodiano, passando por sua indignação pela "festinha" particular de um ator que sempre manteve sua vida reservada, rodeado de amigas travestis, não faz nenhuma diferença, não influi em nada na vida deles, muito menos na sua, apenas expõe sua hipocrisia, preconceito, babaquice e falta de uma vida interessante pra se ocupar, que deveria ser a sua e não a alheia.

E eu tenho certeza que a vida de quem perde tempo expondo opiniões sobre o privado de artistas é bem ruim e sem graça. Que tal perder tempo tentando melhorar essa vidinha medíocre, hein? Eu que já sofri por causa do comportamento "reprovável" de artistas que admirava, posso garantir que um "que se dane" interno dito em alto e bom som, é uma das melhores sensações que se pode ter.

Minha vida já é problemática demais pra eu ficar me abalando e perdendo tempo com separação ou putaria de gente milionária que nem sabe da minha existência. Quer transar com travesti? Quer encher a cara de pó? Quer fazer troca de casal, swing e depois desfazer casamentos de anos? Pra mim tanto faz. Eu vou cuidar da minha vida, que eu ganho mais!

Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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