quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Algumas Histórias e Um Até Breve





Como nada é eterno nessa vida, depois de quatro semanas escrevendo aqui para o Barba Feita, chegou a hora de eu me despedir de vocês. Fiquei muito feliz quando o Leandro Faria me mostrou que os dois textos mais lidos do blog da semana passada eram meus. Escrevo porque acredito que toda história traz ensinamentos. Uma vez ouvi um sábio dizer que pessoas comuns aprendem com os próprios erros e pessoas inteligentes aprendem com os erros dos outros. Por isso que, para esse texto de despedida do Barba Feita, essa pessoa comum gostaria de contar algumas histórias de sua vida e as lições que ela aprendeu com eles - em especial a história de como comecei a escrever. 

Quando eu tinha 7 anos, estava acabando a primeira série e queriam me repetir de ano. Todos da turma já sabiam ler e escrever e eu ainda não. A diretora chamou meus pais e disse que não tinha como eu passar de ano dessa forma. Meu pai tomou uma decisão da qual eu sou grato todos os dias da minha vida, pois ela fez toda a diferença no meu futuro. Ele disse:
“Passa ele de ano que eu ensino ele a ler e a escrever.” 
E assim foi feito. Antes mesmo das férias terminarem eu já estava sabendo ler e escrever um pouco. E, no final da segunda série, um ano depois, eu ganhei o prêmio de aluno que mais leu livros da turma. Como prêmio, me foi dado o primeiro livro da saga Harry Potter: Harry Potter e a Pedra Filosofal. Foi nesse livro que eu descobri o meu amor pela leitura. Li todos os livros várias vezes. No último livro, eu li uma frase que eu levei para minha vida toda. O personagem Dumbledore olha para Harry e diz:
“As palavras, na minha nada modesta opinião, são a nossa verdadeira fonte de magia, capazes de ferir um coração ou de curá-lo.”
Comecei a refletir em como essa frase fazia sentido; em como grandes personalidades conseguiram fazer coisas grandiosas, para o bem e para o mal, apenas com o poder das palavras. E aqui se encaixam pessoas de Hitler a Gandhi. Inspirado por essa frase, comecei a escrever. Meus primeiros textos eram péssimos, mas eu continuei escrevendo. Um dia eu publiquei um texto que teve mais de 600 curtidas. Acordei com meu inbox cheio de mensagens que diziam:
“Caíque, seu texto era tudo que eu precisava ler hoje.”; “Seu texto é incrível, eles fez eu me sentir bem melhor.” 
Essas mensagens foram, para mim, a prova do poder das palavras, prova daquilo que acreditava. Eu consegui ajudar pessoas que eu nem conhecia apenas com palavras. Isso fez com que eu me motivasse a continuar escrevendo e a criar o meu blog, o Inexorável. Aqui eu aprendi que não importa o quão ruim você seja em uma coisa, você pode se tornar bom nela. Uma vez um amigo me disse:
“O legal da vida é você pegar algo em que você é ruim e transformá-la em sua melhor qualidade.” 
A segunda história é sobre pessoas que acreditam no seu potencial. Quando eu me formei no ensino médio, eu estava perdido na vida. Meu grande sonho sempre foi ser ator, mas eu cresci ouvindo que eu ia ser uma merda na vida, que eu vivia no mundo da lua por querer ser ator, tinha prestado USP e não consegui passar, então eu tive medo de seguir essa carreira tão complicada no Brasil e não sabia o que fazer da minha vida. Um dia eu fui na casa da minha vó, uma das poucas pessoas que sempre acreditaram em mim, e, chegando lá, assim que eu abri a porta da sala, ouvi pessoas da minha família dizendo:
“Está vendo, esse moleque é um vagabundo, vive no mundo da lua achando que vai ser ator, vai ser um merda na vida,” 
Após algum tempo de pessoas metendo o pau em mim, minha vó disse:
“Vocês vão ver, ele ainda vai surpreender muita gente.” 
Eu sai dali sem que ninguém visse que eu tinha chegado. Dali por diante eu prometi pra mim mesmo que ia fazer a minha vó ter razão e que seria alguém bem sucedido. O que eu tirei de lição dessa história foi que podem ter um milhão de pessoas que não acreditam em você, mas sempre terá alguém que acredita, e cabe a você decidir quem você vai ouvir e quem vai ter razão. 

Aqui chegamos na terceira e última história. Depois desse dia na casa da minha vó, comecei a procurar algo em que eu fosse bom, além de teatro, e decidi que ia fazer publicidade. Mas não queria fazer qualquer faculdade, queria fazer a melhor faculdade que eu pudesse. Quando procurei qual era a melhor faculdade do meu curso, concluí que era a ESPM. Mesmo sabendo que a mensalidade era muito mais do que eu podia pagar, jurei que eu ia estudar nela. Estudei sozinho e consegui passar no vestibular e, depois, com muito custo, consegui o FIES. Quando estava no terceiro semestre, o pessoal da república em que eu morava me chamou para conversar e eu descobri que meu pai estava três meses sem pagar o meu aluguel. Fiquei desesperado. A única forma de continuar estudando era arrumando um emprego, então comecei a mandar currículos. Em três dias eu estava empregado. Na minha primeira semana de trabalho me vi em um impasse. Eu tinha menos de cinquenta reais, um dinheiro que eu usava pra comprar comida, mas como eu ainda não tinha vale transporte, eu tive que escolher: ou ia trabalhar ou me alimenta. Escolhi a primeira opção e fiquei quatro dias sem comer. Nas horas que eu sentia que ia desmaiar eu comia açúcar e bebia água. Aqui eu aprendi que, às vezes, você precisa abrir mão de algo que você precisa muito no presente em prol de recompensas maiores no futuro. Aprendi o grande valor de se pensar a longo prazo. Aprendi que o caminho mais curto e fácil, quase sempre não é o melhor caminho. 

No momento, estou passando por uma fase bem complicada da minha vida, porém, encaro como mais uma batalha de tantas outras que virão; não é a primeira e não será a última. A vida é assim, te bate e te coloca de joelhos quando você menos espera. Mas nada me ensinou mais a viver do que os meus anos de teatro, pois assim no teatro como na vida, quando algo não sai como o planejado, a gente improvisa. E eu vou vivendo assim, dizendo as minhas falas, fazendo as minhas danças, sentindo as minhas emoções, improvisando quando necessário, sem me preocupar se a próxima cena é mais um conflito ou o meu final feliz. 

Gostaria de agradecer a todos que me leram . E, em especial, queria agradecer ao Leandro Faria por ter me dado esse espaço e permitido que esse menino sonhador e disléxico pudesse compartilhar os seus pensamentos que, embora simples e, de certa forma, ingênuos, são puros e de coração. Há um provérbio chinês que diz o seguinte:
“Existem dois homens andando por uma estrada, cada um com um pão; quando eles se cruzam e trocam os pães, cada um sai com um pão. Mas, se esses mesmos dois homens estão caminhando por uma estrada, cada um com uma ideia e, quando se cruzam, eles trocam as ideias, cada um sai com duas ideias.”
Espero que cada um que leu os meus textos tenha saído com um pouco mais de ideia. Esse é o objetivo de todo texto, esse é o objetivo da vida. Torno a minha última frase (por enquanto) nesse blog, a frase de um poeta de um grupo chamado Poetas do Tietê:
“Não existem pedras no caminho de quem não tem os pés no chão.” 
Muito obrigado pela atenção! E para quem quiser continuar me acompanhando é só curtir a página do meu blog no Facebook, que eu sempre posto textos por lá.

Leia Também:
Leandro Faria  
Caíque Nogueira, ator e publicitário. Gosta de experimentar tudo que a vida tem a oferecer. Conhecer novos lugares, novos sabores e novas pessoas, de todos os tipos e lugares. É escritor por persistência, poeta por senciência e romântico de nascença! Caíque é o criador e escritor do blog Inexorável.
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3 comentários:

Paulo D'Auria disse...

Belo texto, Caíque. Muito inspirador, parabéns!

O poema que a gente sempre declama por aí em nossas intervenções poéticas, "Não exite pedras no caminho daquele que não tem os pés no chão" é de nosso amigo Whyron de Camargo Fanzeres.

Abração!
:)

Unknown disse...

Lindo texto. Parabéns!

Unknown disse...

Lindo texto. Parabéns!