sábado, 1 de outubro de 2016

As Melhores Expectativas Para 'A Lei do Amor'





Império mal havia estreado, em julho de 2014, quando li a notícia de que Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari escreveriam uma novela para às 21h, o horário mais nobre da Globo. Comemorei o fato intimamente, pois já acompanhava com prazer o delicioso trabalho da dupla em outros horários, bem como as grandiosas minisséries de Maria Adelaide Amaral, que reinaram absolutas durante alguns anos nos finais de noite da emissora. Pra quem não lembra: A Muralha, Os Maias, A Casa das Sete Mulheres, Um Só Coração, entre outras. Mas ver um texto da consagrada autora na novela das nove era uma alegria que eu não esperava mais ter, desde que vi uma entrevista em que a própria dizia que jamais escreveria para às 21h, pois o trabalho era por demais exaustivo e ela não teria pique para tanto.

Mas alguma coisa mudou no meio do caminho e, encorajada por seu parceiro de trabalho, Vincent Villari, Adelaide topou transformar Sagrada Família, que teve como primeiro título provisório A Mais Forte, em novela das nove e rebatizá-la de A Lei do Amor. O termo 'transformar' é bem adequado porque a sinopse de A Lei do Amor foi oferecida para o horário das 23h. Diante de um enredo digno de horário nobre, a alta cúpula de dramaturgia da emissora ofereceu à dupla de autores o desafio de escrever para o horário mais visado da Rede. Desafio aceito, as notas em sites especializados começaram a pipocar na mídia. Mas a estreia só aconteceria em março de 2016, os fãs da dupla ainda teriam um longo período de espera e algumas novelas maçantes pela frente. Seriam sete meses de Império, que não foi de toda ruim; depois viria Babilônia, que prometeu muito com a dupla de vilãs feitas por Glória Pires e Adriana Esteves, mas foi um desastre total; e por fim A Regra do Jogo, que prometeu mais ainda, por ser a novela de João Emanuel Carneiro após o sucesso estrondoso de Avenida Brasil, mas com grandes expectativas sempre vem grandes decepções e essa máxima se confirmou com A Regra.

Mas a redenção das novelas das nove parecia se aproximar com a estreia de Maria Adelaide e Vincent logo após a trama de JEC, só que lá pelo meio da história de Romero Rômulo, os saudosos e ansiosos fãs do sofisticado e divertido texto de Vincent e Adelaide, ganharam um balde de água fria com o remanejamento de tramas para o horário. A Lei do Amor, que ainda era chamada de Sagrada Família, foi adiada para dar lugar a uma história mais "lúdica". Entraria em seu lugar a sonolenta Velho Chico para dar um respiro aos telespectadores cansados de favela, violência e realidade nua e crua. Ficamos frustrados com o adiamento, mas a lentidão com diálogos e situações repetidas da trama de Benedito Ruy Barbosa, suscitou nos noveleiros de plantão a saudade de um bom e velho novelão, que parece estar prestes a entrar no ar com A Lei do Amor.

A expectativa (odeio essa sensação, mas whatever) em torno de A Lei do Amor se justifica não só pela sucessão de novelas fracas e mal conduzidas no horário, mas pelo ineditismo do texto de Maria Adelaide e Vincent Villari na faixa, um texto que já se mostrou deleitoso, provocador e empolgante em duas novelas das 19h, Ti Ti Ti (remake de 2010) Sangue Bom (2013), agora com a possibilidade de ser mais profundo e denso tem grandes chances de cumprir o que as outras não conseguiram.

Pelas chamadas, a novela se mostra um grande clichê do gênero e, segundo Vincent Villari, "o clichê só é clichê porque é bom"; eu discordo em partes e afirmo que o clichê só é bom quando bem escrito e interpretado. Nesse ponto, fecho com Maria Adelaide Amaral que garante, independente de qualquer coisa, A Lei do Amor é uma novela de escrita primorosa, e não há porque duvidar disso, pois já estamos acostumados com seus textos minuciosamente bem escritos. Quanto as interpretações, não tenho dúvida de que serão um deslumbre.

Tem Vera Holtz, uma grande atriz, que virou recentemente rainha das redes sociais e agora ganha sua primeira vilã em uma novela das nove, a sórdida Mág. Grazzi Massafera, saída de um papel surpreendente, que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de Melhor Atriz por sua Larissa em Verdades Secretas, parece que vai fazer rir com a periguete esposa de político, Luciane. Cláudia Abreu linda, voltando como a mocinha Helô, após tantos papéis marcantes em outras produções, juntamente com Reynaldo Gianechinni, provando que ainda pode fazer o herói romântico clássico, na pele de Pedro. José Mayer já causa arrepios nas chamadas de Tião Bezerra, seu primeiro grande vilão em novelas, que promete judiar da mocinha e aterrorizar todo o elenco. Cláudia Raia, retornando radiante como Salete, um papel sob medida para o seu talento de comediante e mulher deslumbrante que é. E mais um grande elenco com as participações especiais e luxuosas de Tarcísio Meira e Regina Duarte.

Sem falar na trilha sonora que já me arranca gritinhos de emoção a cada chamada. Já deu pra ouvir quatro coisas maravilhosas: Step by Step, numa releitura do clássico pop oitentista do New Kids On The Block; Por Enquanto, sucesso repaginado na voz de Cássia Eller; Pessoa, música linda de Marina; e o hino do 4 Non Blondes, lançado em 1992, What's Up, que arrebanhou uma multidão de novos fãs ao ser executada num dos episódios mais lindos da série Sense8, numa jogada esperta dos produtores musicais, embalará o romance de Helô e Pedro.

Já deu pra perceber que sou #TeamALeiDoAmor, né? Torço mesmo pelo sucesso dessa novela, mas acima de tudo torço pra que seja ótima pra mim, que agrade o meu gosto, que me faça sentir aquela vontade louca de não perder nenhum capítulo. Sempre tem aquela probabilidade de fracasso, que a essa altura não dá mais pra desprezar quando se trata de televisão, mas a nova produção das nove da dona Rede Globo me passa a sensação de algo feito com muito acuro, e mesmo sendo um clichezão respeita a inteligência e o bom gosto do público.

E o melhor de tudo, Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari não odeiam história de bicha, e vai ter muita bicha n'A Lei do Amor, porque nós somos o mundo, glória à Deus e amém!

Então, que venha de braços abertos, nesta segunda 03, A Lei do Amor. E que se vão as águas do Velho Chico, pra nunca mais voltar.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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