segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Café





Quando mais novo, eu nunca fui muito chegado a café. E olha que na minha família ele sempre esteve presente. Lembro de desde muito pequeno ver meus pais tomando o dito cujo preto, de manhã e, às vezes, na parte da tarde. Já eu, enjoadinho que sempre fui, apenas o ingeria misturado ao leite, mais clarinho, denunciando a proporção desleal: uns 80% de leite e uns 20% de café. Sei disso, porque minha mãe sempre tinha de aquecer a mistura, já que o leite esfriava o café, não importando se ele tivesse sido feito naquele momento ou não.

Até mesmo depois de crescido (pelo menos no tamanho) e independente, o hábito de tomar café demorou para ser incorporado por mim. E eu não conseguia entender e ainda achava um tanto quanto estranha a rotina no escritório: ir e voltar até a cafeteira era tão comum entre meus colegas de trabalho. E eu continuava a resistir, pois não gostava do sabor, de queimar a língua, de precisar do café como combustível para trabalhar.

Até que um dia, não sei precisar quando, eu me rendi. Acho que foi lentamente, experimentando. Um dia tomei uma xicarazinha no meio de uma reunião; no outro, aceitei ao convite e, sentado na copa do trabalho, acabei tomando um copinho; em um dia posterior, bebi um tantinho mais. O resultado é que aos poucos, bem lentamente, fui sendo fisgado por aquele sabor. Eu não sabia, mas o café, esse danadinho, sabe ser bastante traiçoeiro.

O resultado vocês já devem imaginar: hoje em dia eu não fico sem. Não sou a Rory ou a Lorelai Gilmore, alguém movido à café, mas aprecio muito a bebida. E, diferente das demais pessoas, não consigo tomar um golinho; bebo verdadeiros ‘baldes’ de café de uma vez só.

Mas, apesar de apreciar o ‘pretinho’ comum do dia a dia, gosto muito de alguns cafés especiais. O café, quando usado como ingrediente de outras bebidas, acaba me seduzindo ainda mais. Capuccinos, frappés e afins me deixam com água na boca. 

Tomar um café, muito mais do que um ato, representa pra mim um motivo para me reunir com pessoas que gosto para papear. Depois de um almoço ou no meio da tarde, sentar e esperar o café chegar é sinônimo de boas histórias, gargalhadas e adoráveis companhias. Não importa se trata-se de um capuccino, de um expresso ou de um café gelado. O legal é estar bem acompanhado.

Fora que é produtivo. Atualmente, no trabalho, já virou um hábito de conversar sobre assuntos aleatórios durante o(s) intervalo(s) do café com a minha melhor amiga. A gente faz brainstorming tomando café. A gente fala da vida alheia tomando café. A gente chora nossas mágoas tomando café. A gente ri até a barriga doer tomando café. Tomar café, para nós (e para muita gente, que eu sei) é um evento social, aquele momento de relaxar e conversar, de estreitar as relações.

Assim, é até com um pouco de tristeza que me dou conta do quanto demorei para aprender a apreciar essa bebida tão saborosa e agregadora. Mas, o importante, é que apesar de demorar, eu acabei não resistindo a ele. 

Por isso, encerro essa coluna proponho um brinde. A ele. Com ele.

Ao café!

Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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