segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Dor





Acho interessante como só valorizamos nossa saúde quando estamos doentes. Em nosso dia a dia, em condições normais, não nos damos conta de como nosso corpo trabalha de maneira plena, cumprindo suas funções. Enquanto isso, tocamos nossa vida no automático, sem prestar muita atenção à maravilha que é o nosso organismo. Mas basta que algo aconteça, que uma dor surja e que tudo fique desregulado para que o caos se instale.

Na última quinta-feira fui surpreendido de maneira nada legal pelo meu corpo. Com uma dor absurda na parte baixa do meu abdomen que se propagava por toda minha perna esquerda, parti para o hospital, chorando dentro do Uber e na recepção do Hospital Rio Laranjeiras, até que fui colocado na medicação intravenosa. E pela segunda vez na minha vida eu rezei agradecido aos deuses farmacêuticos que criaram o Buscopan.

Sem a dor, parti para exames e para uma tomografia, que me deu o diagnóstico final: um pequeno cálculo renal, que se movendo pelo meu ureter, causava a crise que estava tendo. E assim, pela terceira vez, fui surpreendido pelos meus rins que insistem em produzir cálculos, fudendo com a minha paz e a minha rotina. Dessa vez acompanhada de crises de dores absurdas, como nunca tinha vivido até então.

Para o meu primeiro cálculo renal, que tive no já longínquo ano de 2005, o tratamento médico indicado foi a litotripsia. Tive uma crise de dor muito forte, que me apresentou o Buscopan na veia, e o médico me indicou o sistema de ondas de choque, via laser, para destruir o cálculo. Com a litotripsia o cálculo foi reduzido a pequenos pedaços, que expeli naturalmente pela urina, sem nenhuma dor.

Mais recentemente, há três anos, um grande susto. Sem nenhum tipo de dor, mas urinando sangue, descobri que a saída de um dos meus rins estava comprometida por um cálculo, que causava pressão interna em meu organismo. O caso era grave e, apesar de nenhuma dor, fui direcionado às pressas para uma cirurgia de ureteroscopia, para a destruição do cálculo e liberação da entrada do meu ureter. Junto com a cirurgia ganhei um cateter duplo J que teve de ser retirado em outra cirurgia meses depois. Apesar do caso grave, miraculosamente não senti nenhum tipo de dor na ocasião.

Para agora, na última quinta-feira, ser surpreendido por um cálculo bem menor que os anteriores, mas que me causou esse tipo de dor insuportável que eu nunca tinha sentido em minha vida. Como a médica disse que o cálculo já estava na saída do ureter, o tratamento indicado foi tomar remédio para expelir de maneira natural. Mas para isso, ainda estou convivendo com um leve desconforto e uma ou outra crise de dor que vem do nada e que só passa com Buscopan. Os amigos médicos já me disseram que essas crises acontecem porque o cálculo está se movimentando e que até eu efetivamente colocá-lo para fora, elas acontecerão. Uma grande merda, é o que eu acho.

Assim, meio de molho, totalmente a contragosto, escrevo esse texto. O pequeno desconforto persiste e eu apenas tento me lembrar de todos os outros textos que escrevi sem nenhuma dor e sem me dar conta de como é maravilhoso estar assim, "normal", com a saúde em dia e com o corpo funcionando como deve, sem imprevistos.

Dessa forma, se você que me lê nunca teve uma crise renal, agradeça por isso. E continue tomando água, muita água, água pra caralho. Seu organismo agradece. E, tenha certeza disso, você também, mesmo sem saber pelo que está agradecendo...
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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2 comentários:

danieljda disse...

Cara passei por essa experiência sei exatamente do que você tá falando e pensei a mesma coisa "como é bom ter saúde" cara bebe cerveja nunca mais tive crise kkk parabéns pelo texto

Mário Santos disse...

Porque não experimenta uma montanha-russa?
http://hypescience.com/esta-montanha-russa-e-o-metodo-menos-convencional-de-se-livrar-de-pedras-nos-rins/