domingo, 23 de outubro de 2016

EXTRA, EXTRA, EXTRA! Brasil Anuncia o Melhor Tratamento do Mundo Para as Pessoas Que Vivem Com HIV!

Sim, sim. Essa notícia é verdadeira e saiu em diversos meios de comunicação, mas afinal, teremos realmente o melhor que existe hoje?





Primeiramente, vamos entender como funcionam os medicamentos antirretrovirais, ou coquetel anti-aids: hoje, temos cerca de 24 medicamentos diferentes que podem ser combinados para tratar a pessoa que vive com HIV (PVHIV) no Brasil. É necessário fazer uma combinação de três tipos diferentes de medicamentos para que funcionem. Esses fármacos entram na corrente sanguínea e impedem que o HIV se replique enlouquecidamente, reduzindo drasticamente a sua quantidade e chegando, então, a não ser detectados nos exames. Isso é o que chamamos de nível indetectável de HIV. A pessoa continua infectada pelo HIV, mas o vírus não está mais no sangue e outros fluídos corporais, como o sêmen e leite materno. Porém, o HIV ainda se encontra em reservatórios do corpo, como as células cerebrais. Por isso, uma pessoa que faz tratamento contra o HIV, fica indetectável, mas nunca curada.

E, recentemente, conseguiram provar que se uma PVHIV está indetectável há pelo menos seis meses e sem nenhuma outra infecção sexualmente transmissível (IST), ela não pode transmitir o HIV para seus parceiros sexuais, mesmo em sexo sem camisinha. Mas cuidado ao sair por aí transando com todo mundo sem camisinha! Primeiro, porque não sabemos quem está ou não está seguindo corretamente o tratamento. Segundo, porque não temos como saber, só olhando para a pessoa, se ela tem ou não tem uma outra IST. E, por último, mas não menos importante, é que podemos ser infectados por outras doenças muito sérias, como a sífilis, HPV, hepatite B entre outras.

Desde 1996, o Brasil disponibiliza os medicamentos contra a aids de maneira universalizada, ou seja, a todas as pessoas que viviam com aids. Inicialmente, esses fármacos eram dadas apenas às pessoas que apresentavam problemas de saúde relacionados com a deficiência da imunidade, ou seja, já tinham aids. Contudo, foi sendo ampliado até que, em 2014, qualquer pessoa do país que quisesse iniciar o tratamento, em qualquer fase da doença, poderia pedir para ter os medicamentos. 

Essa, até então, foi uma das maiores evoluções no tratamento, pois não era mais preciso adoecer ou estar com a imunidade (CD4) baixa para começar, garantindo uma recuperação mais rápida e melhoria do sistema imunológico.

No nosso país, esse tratamento é disponibilizado em três linhas:
  • Primeira linha: É o início do tratamento. São os medicamentos de entrada. Geralmente, são medicamentos com menos efeitos colaterais e que possuem uma ampla distribuição. Possuem uma alta eficácia e custo mais baixo.
  • Segunda linha: São medicamentos usados em alternativa aos medicamentos de primeira linha, quando a PVHIV apresenta resistência ou intolerância aos medicamentos de entrada, ele pode trocar (fazer o switch) para alguma droga da segunda linha.
  • Terceira linha: São medicamentos usados em casos especiais de resistência aos medicamentos das outras duas linhas. São fármacos fortes e com menos possibilidade de criar resistência pela falha, porém, podem apresentar efeitos colaterais mais intensos. Possuem um custo alto e só são usados após a realização de um exame chamado genotipagem e autorizado por câmaras técnicas que avaliam caso a caso.
Bem, mas voltando ao novo tratamento, o que aconteceu nas últimas semanas, é que o Ministério da Saúde anunciou que o Dolutegravir, um medicamento super moderno e que estava na terceira linha de tratamento, será disponibilizado já na primeira linha, ou seja, já no início do tratamento. Ele apresenta pouquíssimos efeitos colaterais, uma alta ação e baixa possibilidade de resistência. Além disso, custará cerca de 45 dólares por mês e por usuário. Algo aceitável e sustentável em um serviço de saúde público, como o SUS.

Isso será feito de maneira gradual, por uma questão de limitação da produção, mas deve ser ampliada a todas as pessoas em pouco tempo. Inicialmente, a partir de janeiro de 2017, as pessoas que iniciarem o tratamento e aquelas que apresentarem resistência aos medicamentos que hoje são usados para o início do tratamento, já poderão começar neste novo esquema. Após o ajuste do número de usuários e a ampliação na produção, outras pessoas vão entrando no novo esquema, se quiserem.

Também houve mudança em outros dois medicamentos de excelente qualidade, o Darunavir e o Raltegravir. O Darunavir sairá da terceira linha e irá para a segunda linha de tratamento, também, ampliando o número de pessoas que poderão usá-lo. O Raltegravir, que fazia parte, apenas da terceira linha, será uma alternativa às pessoas que apresentarem resistência ou intolerância ao Dolutegravir (que será usado no início do tratamento).

A ideia é fazer com que mais pessoas que já conhecem o seu estado sorológico positivo iniciem o tratamento e melhorem a sua qualidade de vida, uma vez que as novas mudanças trazem fármacos com pouquíssimos efeitos colaterais e altíssima eficiência em apenas dois comprimidos por dia.

Um monte de informação e de nomes complicados depois, acredito que conseguimos responder a pergunta feita inicialmente: afinal, teremos realmente o melhor que existe hoje? A resposta é SIM. Pois, medicamentos que são vendidos por preços altos em outros países, serão ofertados de maneira universal e gratuita no Brasil.

Espero que tenham compreendido as informações que passei, mas se tiver passado alguma coisa, pode chamar lá no meu e-mail (nettinhos@gmail.com) ou WhatsApp (061983313595).

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Leandro Faria  
João Geraldo Netto é marketeiro, barbudo, gay, soropositivo, ativista, apaixonado, inquieto, metódico, chato e muitas outras coisas. E o responsável pela coluna mensal Conversa + aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

Homem, Homossexual e Pai disse...

realmente as pessoas vivendo com hiv que se cuidam corretamente tem uma realidade muito diferente de alguns anos atras, e que bom ler noticias tão boas sobre os avanços do tratamento! obrigado por compartilhar!

Anderson Montel disse...

É muito bom saber dessa noticia!

Anderson Montel disse...

É muito bom saber dessa noticia!