sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Johnny Quest LGBT





- Aquela apresentadora precisa é de pi*%@ca.
Essa saída idiota e machista sempre é proferida por babacas de plantão quando uma mulher decide ficar com outra mulher. Na cabecinha (minúscula) deles, a solução para todo o problema é o pênis. 

Mas sinceramente, o que mais me espantou quando ouvi aquela declaração sexista foi o fato de um dos babacas estar vestindo uma camiseta com uma estampa da família Johnny Quest.

Tá, mas o que isso tem a ver?

Johnny Quest foi um desenho super bacana produzido pelos estúdios Hanna-Barbera, os mesmos criadores dos Flintstones, Jetsons, Corrida Maluca, Os Impossíveis, Zé Colméia, Scooby-Doo e Os Smurfs. Reza a lenda que os dois se conheceram no fim dos anos 30 quando começaram a trabalhar juntos na Metro-Goldwyn-Mayer e tentaram ser contratados por Walt Disney, que não acreditou no talento dos dois, que então resolveram montar a própria produtora, alcançando o sucesso imediato com os popularíssimos Tom & Jerry.

Após a morte de William Hanna, em 2001, o estúdio foi comprado pela Warner Bros. e depois, o Cartoon Network.

Apesar de ter sido um desenho que passava no horário nobre da rede ABC, em 1964, a série foi cancelada porque era muito cara. Johnny Quest fez mais sucesso nos anos 1980, tornando-se então um fenômeno. Em breve, também vai ganhar as telonas: o diretor Robert Rodriguez, de sucessos como Um Drink no Inferno e Sin City, vai adaptar o clássico desenho para os estúdios da Warner.

Nunca ninguém comentou isso (ou evitou devido à censura da época), mas é lógico que o desenho da dupla Hanna-Barbera mostrava uma família LGBT. Alguém aí já viu alguma mulher na história? Onde estaria a mãe de Johnny Quest? Para quem não se lembra direito, o adolescente acompanhava as peripécias de seu pai, o cientista Benton Quest, e de seu fiel escudeiro, o agente governamental e guarda-costas Race Bannon. Johnny tinha também dois grandes amigos: um que sempre entendi como um irmão adotado (o órfão indiano Hadji) e o cãozinho Bandit. Mas essa história de Benton e Banner ia muito mais além do que as aventuras mostradas na série. 

Antes que todo mundo fique dizendo que eu tenho a mente poluída, existe um outro desenho animado chamado Harvey Birdman – Attorney at Law (que na verdade é o Homem-Pássaro, que largou o lado herói e virou advogado para atender as brigas dos personagens animados) e que, em um dos episódios (chamado Bannon Custody Battle), Harvey representa Dr. Quest na batalha judicial com Race Benton pela guarda de Johnny e Hadji. E se puxarmos da memória, era o guarda-costas que sempre cuidava mais das crianças, já que o Dr. Quest sempre estava envolvido com seus experimentos (e confusões).

Provavelmente, o preconceituoso que com as palavras chulas que abri meu texto quis atingir a apresentadora Fernanda Gentil nem deve ter dado conta que ele mesmo era fã de uma família gay. Chupa essa manga!

Certamente, ele também deve ser fã do He-Man.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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3 comentários:

Marcia Marino disse...

Adorei!!!!!! Parabéns pelo belíssimo texto!!!! #chupaessamanga

Marcia Marino disse...

Adorei!!!!!! Parabéns pelo belíssimo texto!!!! #chupaessamanga

Homem, Homossexual e Pai disse...

uau! eu era fã de Jonhy Quest e nunca imaginei isso... e não é que vc tem toda razão! uau! eu sempre estranhei o RAJ na estoria, nao entendi como ele nao tinha mae nem pai... e ninguem falava nada!