terça-feira, 11 de outubro de 2016

Não Compre, Adote. Mas Só Se Puder!





Amanhã é Dia de Nossa Senhora Aparecida, e também Dia das Crianças. Ai, que alegria, né, não? Só que ainda tem MUITA GENTE que insiste em pensar que animais são brinquedos. É, pois é. Só que não são, e nunca foram, tá? Animais são seres vivos, sentem fome, sede, fazem xixi, cocô, bagunça, barulho e, assim como crianças, eles necessitam de muitos cuidados, principalmente quando filhotes. Qual a melhor ração? Com corante? Sem corante? Onde vai dormir? O que fazer pra não chorar durante a noite quando sentir falta da mãe? Qual o melhor remédio pra verme? O que fazer pra evitar pulgas e carrapatos? E tem mais, muito mais.
"Ai, mas tava fazendo muita bagunça, não tava aguentando mais."
Doa. Sempre tem alguém querendo um cão, gato, coelho, enfim.
"Ah, mas cresceu muito, minha casa não tem espaço!"
Doa. Primeiro que animais crescem mesmo, é chamado... como é? Ciclo da vida! Vai comprar? Vai adotar? Quer muito? Vê primeiro se cresce muito (porque tem uns que crescem pra caramba), vê um espacinho bacana pra ficar na sua casa, esse é o segundo passo. O primeiro é querer.
"Mas Glauco, minha filha/meu filho cresceu, não brinca mais com o bicho, não cuida, eu não tenho tempo."
Doa. É como eu disse no começo: animais não são brinquedo. Pra criança a gente dá boneca, carrinho, quebra-cabeças, bola, essas coisas (notem que eu disse pra criança, ou seja, tanto faz se é menino ou menina).

Segundo os dados da ABINPET (Associação Brasileira da Indústria de Produções para Animais de Estimação), são abandonados, só no Rio de Janeiro, perto de 200 animais, além dos que fogem das casas, dando aí, por baixo, uns seis mil POR MÊS. Só num lugar! Tem noção?! 

A pessoa dá um gato pra uma criança. Vamos usar o gato porque é um animal bastante comum de se ter em casa. Você dá um gato pra uma criança de seis anos. Nossa, ela vai ficar maravilhada! Vai agarrar o bicho, jogar pra um lado, pra outro, vai ser o dia mais feliz da vida dela, porque ela ganhou um gato! Mas é uma criança de seis anos, logo, quem vai ter que cuidar é quem deu. Pra uma criança, tudo é festa, tudo é alegria, e o gato é só um brinquedo que se mexe sozinho e dorme com ela, nada mais. A criança vai crescer e, dependendo da criança, ela vai perder o interesse pelo bicho sim. Tem muitas crianças que se apegam ao primeiro bicho de estimação e carregam isso pra vida, mas tem outras que realmente não ficam mais afim de brincar de bicho de estimação, porque aquele maldito gato do celular é mais legal, já que ele repete tudo o que ela fala. Aí o gato fica lá, crescendo, comendo qualquer coisa, porque a pessoa que deu não tem tempo e só deu o gato pra fazer a alegria da criança, e quando menos se espera, pimba, tá o gato numa caixa de papelão, numa esquina qualquer. Parece que eu tô descrevendo um filme da Sessão da Tarde, mas essa é a mais pura verdade, gente.

Vamos ver outro exemplo: 
"Ai, mora só eu na casa e eu quero muito um cachorro pra me fazer companhia, vai ser muito legal ter alguém pra me receber em casa no final do dia."
Ótimo, acho lindo. A menos que você compre/adote uma raça pensando que é outra. Aí o bicho é da pá virada, parecendo o Taz, a pessoa chega em casa e vê tudo de pernas pro ar. Na primeira vez dá aquela relevada, na segunda, na terceira... Nada dá jeito, o que faz? Bota o bicho pra rua. Tem muita gente que descarta animais por puro desinteresse, seja de quem adotou, seja de quem foi presenteado. E não é regra não, esse desinteresse que algumas crianças demonstram nos animais quando crescem pode ser visto também em adultos, só que em menor frequência. Mas existe.

Agora, nada contra, sério, MESMO, de verdade, nada contra quem compra animais. 

Deixa eu abrir um parêntese aqui. Eu acho que, se você quer um animal de raça pura, desde que a fêmea que gerou não tenha sofrido maus tratos, nem os filhotes, como foi o caso daquele machinho que teve o pênis cortado pra ser vendido como fêmea, beleza. Existe a compra segura de animais domésticos, a compra legal, e existe o contrabando, existe gente que te vende um filhote de Pit Bull como Labrador, ou uma mistura das duas raças como se fosse uma só, então é bom sempre ver de onde tá vindo o seu bichinho, se as pessoas são gente boa, que tipo de cuidados a fêmea recebe, se a família que está vendendo os filhotes cuida bem da mãe dos bichinhos, tudo isso é importante na hora de comprar seu bichinho. Enfim, fecha parêntese. 

Nada contra quem compra animais, mas é TÃO gostoso adotar... Tão delícia você chegar num abrigo, ou entrar em contato com alguma ONG e afins da sua cidade e ver aqueles bichinhos lá, todos lindos, felizes, latindo, miando, enfim, fazendo seus sonzinhos peculiares, te olhando, pedindo pra você levar eles pra casa. É uma tortura, mas é uma DELÍCIA a gratidão no olhar do animal adotado. Sério, animais sem raça definida, os famosos Vira-Latas, eles têm uma gratidão no olhar que é como se fosse um ser humano olhando pra gente. Principalmente os animais resgatados. 

Geralmente, vira-latas são extremamente leais a você, carinhosos demais, carentes demais também, e são ótimas companhias. É uma delícia você ter um vira-latas pra chamar de seu. De novo, nada contra quem compra, de maneira alguma, mas adotar é uma delícia. 

Existem várias campanhas hoje incentivando a adoção de animais, já que a maioria deles foi resgatada por ONGs, abrigos, ou pessoas que se dispuseram a resgatar e distribuir adoções. Se você quiser, e a segunda coisa mais importante, se você PUDER, adote um gatinho, um cãozinho, um coelhinho, um porquinho-da-índia (eu tenho um, por isso citei haha), o que for. Mas se não puder, cede a vez pro colega ao lado, ou se você tem um animal e não pode mais ficar com ele, seja por questões de saúde, ou porque o espaço ficou pequeno, ou porque você vai mudar e o lugar não aceita animais, enfim, seja qual for o motivo, não joga o pobre animal na rua não. Doa pra alguém, ou pra alguma instituição, ou algum fazendeiro ou dono de sítio, enfim. O bicho não tem culpa de nada, ele foi levado pra sua vida por você, sem pedir, e foi grato por isso, e entregar o animal aos cuidados de outra pessoa, pra que continue sendo alimentado, bem cuidado, e todas essas coisas, é um ato de retribuição a essa gratidão. 

Não é legal a gente poder retribuir a gratidão que esses bichinhos que não falam, mas sentem igual ou mais que a gente?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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