sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Para Não Ser Apenas Um Clone





No início dos anos 1990, ninguém poderia imaginar que em menos de dez anos a internet deixaria de ser uma rede instrumental secreta do governo norte-americano e se alastraria com bilhões de usuários conectados em todo o mundo. Ou que pudesse existir o supertelescópio espacial Hubble, capaz de fotografar espetacularmente constelações, planetas e galáxias com distâncias incalculáveis ao nosso entendimento, antes somente imaginadas em filmes de ficção científica. Ou ainda que um animal pudesse ser clonado a partir de uma simples célula não reprodutiva, gerando um outro ser geneticamente idêntico ao primeiro.

Antigamente, o mundo levava séculos para se transformar.  Tudo acontecia de forma gradual, paulatina, quase modorrenta.  Hoje a rapidez assusta.  O mundo e o universo se aproximaram de tal forma, que o infinito pode ser tocado com as próprias mãos, que brincam de ser Deus.

A descoberta da “nova ordem mundial” gerou um conflito, uma inquietação onde a incerteza tornou-se a única certeza.  Ninguém pode imaginar como será o dia seguinte.  A complexidade tecnológica mundial tomou a humanidade de assalto, que ainda está vinculada a simples determinismos em que sempre viveu.  Muitas vezes, tenho a sensação que o Homem não conseguiu acompanhar a mudança mundial.  E ao que tudo indica, a humanidade ainda não está amadurecida o bastante para assimilar essa mudança.  A evolução da tecnologia não é linear, mas sim, exponencial.

Num futuro tão próximo quanto a sua esquina, a capacidade dos computadores será a mesma dos cérebros humanos.  O wi-fi será lembrado como algo tão pré-histórico quanto o infantilóide experimento de clonagem da ovelha Dolly.  A Li-Fi, internet à luz, já estará circulando tal qual os gigantescos mamutes.  O Hubble será um monte de ferro velho vagando pelo espaço e o James Webb já estará clicando o universo.  A Web 3.0, com seus inteligentes algoritmos, será direcionada a cada um de nós, que filtraremos as informações, para dar lugar a Web Semântica. 

O único jeito de acompanhar toda essa reviravolta é mudar também.  E para isso, precisamos ser menos burocráticos e menos preconceituosos.  Mudemos nossos hábitos.  Sejamos mais criativos e inovadores, estando mais informados sobre a cultura contemporânea sem ter medo de produzir conhecimento.  Que voltemos ao passado para entender o futuro.  Que figuras como Stanley Kubrick, Isaac Asimov, George Orwell, Leonardo da Vinci, Kurt Cobain, Pablo Picasso, John Lennon, David Bowie, Michael Jackson, Andy Warhol ou Machado de Assis nos inspirem em um universo que não deixa de se expandir.


Leia Também:
Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: