terça-feira, 18 de outubro de 2016

Se Abelhas Falassem, Eu Estaria Com Vergonha Até Agora...





Domingo passado eu fui com amigos ao Parque Nacional de Itatiaia. Pra quem conhece, bem, pra quem não conhece, é um lugar bem bacana, com cachoeiras lindas, muita natureza, umas trilhas legais, bem de humanas, pra recarregar as baterias completamente, e pra quem é viciado em selfie (não vou dizer quem sou), é ótimo pra tirar foto, fazer snap, essas coisas todas. Só não tem sinal de celular por lá, mas o que vale é a vista!

Enfim, fomos, andamos, conversamos, e na segunda cachoeira nos deparamos com umas abelhas. Tinha bastante abelha por ali, e eu lembro que foi na segunda, porque que cachoeira longe do caramba, viu?! Aí tá, chegamos, andamos pelas pedras ali, tiramos altas fotos e tal, e num dado momento eu vi uma abelha (daquelas amarelo e preta, sabem? Então) voando perto do meu pé, querendo pousar ali. Eu levantei o pé e tentei pisar na abelha, porque ninguém merece ser picado por abelha quando se está relaxando num parque, de frente pra uma cachoeira deliciosa, refletindo, meditando, e tal.... Daí eu pensei na hora: "Que audácia a minha, não?" Eu fui pro território DELA, sem ser convidado POR ELA, paguei um valor lá, entrei, e já quero chegar chegando? 

Aí eu pensei, tá vendo como são as coisas? Às vezes, a gente invade o espaço das pessoas, e quer ter razão. É um desespero em querer dar uma opinião que não nos foi pedida. Por exemplo: "Olha, não sou contra, nem nada, mas eu acho que você não devia se vestir assim", ou "Não tenho preconceito, mas eu acho que não precisa agir dessa forma.", ou "Não tenho nada a ver com isso, mas eu acho que você não devia fazer isso, ou dizer isso, ou comer isso (ou aquela pessoa - não no sentido canibalístico, ok? Tem que explicar, porque né)."

Entende? E, na maioria das vezes, são pessoas que nós não conhecemos, ou que conhecemos, mas não temos intimidade pra dar uma opinião não pedida, aí a gente invade o espaço da pessoa, fala o que quer, leva um fora e acha que a pessoa está errada, sendo que fomos nós que chegamos sem convite. 

É o caso de um rapaz do Twitter que eu li esses dias. Um outro rapaz que ele não conhecia, o famoso boy padrãozinho, sabem? Ou, como disse essa arroba, um boy padrão ABNT, chegou nele na balada, disse que ele era ruivo demais, e que essa arroba não fazia o tipo dele. Entende a falta de noção? O quão desnecessário isso foi? O cara invadiu o espaço do outro, apenas pra reclamar da "ruividez" (existe essa palavra? Se não existe, acabei de inventar) de uma pessoa que ele nem sabe quem é, mas ele não resistiu ao ímpeto de se meter na vida alheia e dar sua "opinião". 

"Ai, mas você está querendo dizer que agora a gente tem que guardar pra gente todas as nossas opiniões, o que sentimos, etc?". Não, apenas pra que a gente passe a se meter MAIS na nossa vida, e MENOS na vida alheia, sem invadir o espaço de ninguém, a privacidade do nosso próximo. E olha só, Jout Jout fez um vídeo MARAVILHOSO sobre isso essa semana, estrelado por seus cachorros. É ou não é uma coincidência maravilhosa? Até pode ser, mas mostra também que tem MUITA GENTE se metendo na vida alheia, no espaço alheio, sem pedir licença.

Então, pra ficar um pouco mais claro, vamos fazer um organograma (imaginem um aí, porque eu não tenho paciência pra fazer essas coisas):
  • Você conhece tal pessoa? - "Sim"
  • O quão bem você conhece essa pessoa? - "Ah, somos amigos de longa data."
  • Essa pessoa gosta de receber opiniões não pedidas? - "Sim, está sempre aberta a opiniões, sugestões, etc.".
Agora, se pra todas essas perguntas a resposta for NÃO, você não tem que se meter na vida dessa pessoa. Ou, se você a conhece, mas não tem intimidade pra dar uma opinião não pedida, justamente pelo fato de não conhecer a pessoa o suficiente pra saber disso, você não precisa dizer nada. Segura essa vontade de opinar no modo de vida alheio e vai fazer algo de útil com a sua vida, tipo comer um bolo, ou assistir uma seriezinha na Netflix... Ou comer um bolo assistindo uma seriezinha na Netflix... Vá ao cinema, reúna seus amigos e faça algum programa legal, tipo... Visitar o Parque Nacional de Itatiaia, por exemplo! Não tem erro, é delícia, água geladinha, natureza, umas selfies com as amigas, os amigos, enfim. 

Porque eu tenho certeza absoluta de que, se a abelha que eu dei um grito (sim) dizendo: "Eu sei que esse é o seu habitat natural, mas sai daqui!" falasse, ela tinha me dado um fora bonito, do tipo: "Vem cá, mas eu te conheço? Chega na minha área e quer bancar de gostosão? Eu, hein!". Então, pra evitar de passar vergonha, analise primeiro: 
  • Eu preciso dizer isso? 
  • Dar minha opinião sem a pessoa ter pedido vai mudar alguma coisa na minha vida? 
Porque se te incomoda, o problema é com você, e não com a pessoa. Tá beleza? Então beijão, fiquei na paz!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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Um comentário:

Denise Barbosa disse...

kkkk Vem cá, mas eu te conheço? Chega na minha área e quer bancar de gostosão? Eu, hein!". #morta cara concordo muito com o que diz.