domingo, 30 de outubro de 2016

Se Pudesse Escolher, Qual Seria o Seu Superpoder?




O Que Você Quer Ser Quando Crescer?
Não fosse essa horripilante pergunta que todas as crianças são obrigadas a responder quando ainda não conseguem decidir sobre o sabor do milk-shake, teríamos uma sociedade mais produtiva – e feliz. Ou menos infeliz.

A questão é que com 7 anos você quer ser presidente, e com 9 adoraria ser caixa de loja (aposto que todo mundo já quis). Pra lógica masoquista adulta, nenhuma das possibilidades são válidas. Ninguém acha que seu filho REALMENTE vai tentar concorrer à presidência da República, e Deus-me- livre se não conseguir algo com mais prestígio do que ser caixa. Pois bem, bem vindos ao mundo saturado de publicitários deprimidos e advogados suicidas, somos de fato uma alternativa muito melhor.

Eu gostaria de poder ter um diálogo diferente com meus filhos, se eu os tiver um dia. Quem sabe perguntar: qual superpoder você gostaria de ter, se fosse possível? E por quê? Ao menos ele chegaria aos dezoito anos frustrado apenas com as escolhas que o mundo cobrará dele, ao invés de também se sentir pressionado por ter que conviver com essa necessidade de decisão desde criança. E talvez isso não faça a menor diferença na vida dele.

E você, se pudesse, qual superpoder escolheria?

Eu, particularmente, fico assustadíssima quando pessoas respondem essa pergunta (eu realmente faço essa enquete) dizendo que gostariam de poder ler a mente dos outros. Pavor! Eu encurtaria minha (possível) ida para um manicômio em algumas décadas se conseguisse saber o que todo mundo pensa o tempo todo. E gente que escolhe ser imortal? Por que diabos alguém quer viver eternamente? Vendo todo mundo morrer na frente? Vendo todas as transformações avassaladoras que esse mundo vai sofrer e sendo testemunha pra contar, bem, pra ninguém. PORQUE TODO MUNDO MORRE!

Sou do time dos que dizem que queriam voar. Tudo bem que visão de raio x pode ser bem interessante, mas voar é libertador. É aquela sensação de que você pode ir para onde quiser (sem trânsito) e com brisa no rosto. Percorrer distâncias que antes só seriam possíveis na sua cabeça. Confirmar se o azul do céu é realmente tão bonito lá de cima, quanto parece daqui de baixo. 

Ter essa sensação de que você não é mais refém da gravidade, nem de ninguém. Imagina um moleque de 5 anos voando ao invés de responder para a professora arcaica o que ele quer ser quando crescer.

Leandro Faria  
Patricia Janiques, 30 anos, produtora cultural, escritora, roteirista e publicitária somente nas horas vagas. Tem medo de cachorros e egoísmo, não curte chocolate mas é adicta a goiabada e acha que arte e meditação podem mudar o mundo.
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