terça-feira, 4 de outubro de 2016

This Band is Never Ever Getting Back Together





Tem um bordão de Rupaul's Drag Race All Stars, dito pela maravilhosa Tatianna, também conhecida como dona da porra toda, que diz assim:


Todos nós temos amigos, alguns mais chegados, outros nem tanto. Alguns nós escolhemos pra serem esses mais chegados, alguns nos escolheram pra sermos os mais próximos, assim como os nem tanto.

Eu sou do tipo de pessoa que acredita que o ideal para QUALQUER RELACIONAMENTO funcionar e durar seja a existência de confiança e a lealdade. Quando você diz que fulano ou ciclana é seu melhor amigo, ou melhor amiga, é porque você depositou ali uma confiança a mais do que deposita nos outros seres humanos. A partir do momento que essa confiança e lealdade são postas em xeque, a coisa muda de figura. 

Existem diversos fatores que podem colocar uma amizade em xeque, mas pra mim, a pior, é o fator pênis/vagina. Isso mesmo, todo mundo já foi trocado por homem ou mulher. Fulano conheceu um cara bacana, ou Ciclana conheceu um rapaz super gente fina, façam as combinações que quiserem. OK, OK, é super normal dar aquela priorizada no interesse amoroso, mas a ponto de nunca mais trocar uma ideia sequer? Nem bom dia? Cadê os rolês, as selfies, um frequentando a casa do outro, cadê? Não pode incluir o pênis ou a vagina nos rolês? 

Tem aquela música das Spice Girls que diz: 
"If you wanna be my lover you gotta get with my friends? Make it last forever, friendship never ends"
"Ai, mas ele gosta de fazer umas coisas diferentes do que meus amigos fazem", ou "Ain, mas tem ex no grupo, não quero andando junto, não confio." Então pera lá, se não confia, tá namorando pra que? Ex é ex, se não fosse seria atual ou possível peguete. Não é agourar o relacionamento alheio, nem nada disso, mas é tudo muito lindo, o romance Disney é maravilhoso, When You Wish Upon a Star tocando ao fundo, ou At Last, altas selfies, declarações, você exclui seus amigos da sua vida, foca apenas no seu relacionamento afetivo/amoroso, mas... e se acabar? E quando acabar? Com quem você vai chorar as pitangas? Quem vai ouvir seus áudios bêbados na madrugada? Ou ficar com você durante a madrugada toda, ouvindo você chorar, te aconselhar, e todas essas coisas que amigos fazem? 

São escolhas que são feitas, e a maioria é consciente em suas escolhas, então é bom avisar que, se você escolher excluir seus amigos da sua vida e priorizar um relacionamento amoroso/afetivo, a vida vai continuar seguindo, você sem seus amigos, seus amigos sem você, e se acabar, eles podem não estar lá esperando por você, como se nada tivesse acontecido, com se a vida deles não existisse sem você, aí você termina sem amigos e sem namoro, porque olha... A vida dos outros existe com ou sem a gente, e, às vezes, melhor ainda sem a gente. 

Ou tá achando que, se rolar casamento, seus amigos vão topar entrar de padrinhos/madrinhas num relacionamento que nem fizeram parte? Por isso é bom refletir sobre essas escolhas, analisar bem, porque o resultado do que você escolhe hoje, pode chegar rápido, ou pode demorar bastante, e dependendo da sua escolha, algumas coisas jamais poderão ser recuperadas, e se conseguir recuperar, não vai ser completo, não vai ser a mesma coisa, sempre vai rolar aquela estranheza, aquela desconfiança, o ranço do abandono, da troca por sexo, por romance, por algo bacana, mas que aos nossos olhos, nossos amigos não eram merecedores de participar. 

Já estamos em 2016, esse negócio de esquecer dos amigos por causa de homem/mulher é tão 1990...

Leia Também:
Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
FacebookTwitter

Nenhum comentário: