quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Os 10 Mais de Paulo Henrique Brazão





No último sábado, completei dois anos junto à equipe do Barba Feita. Fui o primeiro a entrar com o bonde andando e, nesses dois anos, escrevi sobre tanta coisa, mas tanta coisa por aqui, que resolvi fazer como meu amigo Esdras Bailone fez recentemente: selecionei uma coletânea dos meus textos. Usei como parâmetro aqueles mais lidos, para relembrar junto a você, leitor, o que mais chamou atenção nas minhas singelas palavras. 

Fazendo uma análise rápida, os textos que falam sobre relacionamentos ou sobre a própria existência humana e seus desafios foram os que tiveram mais leituras. Passamos desde temas delicados, como o HIV, morte e terrorismo; até outros mais tocantes, como companheirismo e finitude de relacionamentos; abordando também questões mais ativistas, como orgulho LGBT e feminismo.

Espero que gostem de fazer essa retrospectiva desses dois anos. Para mim, foi uma surpresa ver alguns desses textos aqui listados com os mais lidos, passado algum tempo de suas publicações. Uma coisa para mim é certa: cresci junto com o Barba Feita. Minha audiência é correlatada à de todo o site, o que mostra que, embora cada autor tenha os seus leitores, não somos ilhas isoladas. Fazemos parte de um mesmo projeto, que planta e colhe frutos juntos. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Devaneios da Madrugada





Não é bem madrugada... São 23:51h, mas já já a madrugada chega. Hoje eu estou de roupa, o que é algo inédito, já que em Florianópolis tem feito bastante calor, o que me obriga a ficar só de cueca em casa. Mas essa noite está fresca. Não fresca do tipo "Ai, noite, você é muito fresca", mas com aquela temperatura nem fria, nem quente, sabem? Pois é, essa mesma. 

Rafael dormiu, estava morto de tanto trabalhar. Eu já gosto da noite, então cá estou, sozinho na sala, com uma garrafa de café só pra mim, no escuro, sentindo a brisa entrar. Não aquela brisa do 4:20, mas a brisa que vem de fora. Droga, o que vou fazer pra levar de almoço pro trabalho amanhã? Estrogonofe de carne moída? É uma boa. Ih, esqueci de comprar cebola... Parei pra encher a caneca com mais café. 

Começo a pensar que esse texto tá uma bosta. E tá mesmo. Mas eu tinha que vir, e não podia fazer outro texto sobre não ter nada pra escrever. Tá, tudo bem, vou tentar contar uma história pra quem estiver aí do outro lado, lendo. Espero que não tenham desistido. Provavelmente desistiram, esse texto não tá lá essas coisas. Ando sem criatividade pra criar algo do nada. Tá, tá bom, não no sentido "E no primeiro dia, Deus disse 'Haja luz, e houve luz'", mas vocês também entenderam. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Coxas





Na primeira vez que se viram, Rogério apenas reparou em suas coxas. Ele estava sentado no banco do ponto de ônibus quando aquele homem de belas coxas sob a bermuda curta parou em sua frente. Não conseguiu mais prestar atenção no livro que lia. Via apenas aquele belo par de coxas grossas, com pêlos lisos e negros. O ônibus chegou e ambos entraram. Rogério sentou-se no meio do ônibus e o dono das coxas se dirigiu para o fundo. 

Dois dias depois, novo encontro com o dono das coxas. Dessa vez ele estava acompanhado de um outro amigo, também de bermuda e regata. Em pé no ponto de ônibus, Rogério apurou o ouvido e descaradamente prestou atenção na conversa dos dois. O amigo do dono das coxas falava feito uma matraca e, através das palavras dele, descobriu que malhavam numa academia próxima àquele ponto de ônibus e quase gozou ao perceber que agora o dono das coxas tinha um nome: Márcio. 

domingo, 27 de novembro de 2016

Indestrutível





O meu coração está batendo na palma da minha mão,
eu estou indo embora.

Estou olhando a releitura do meu quadrinho preferido colado na parede
ele representa que alguém me amava tanto que não precisava usar a palavra amor
e não era você

Ele representa uma dia em que eu cheguei da faculdade chorando,
assisti Grey’s Anatomy e chorei mais:
porque você ainda tinha algum tipo de poder sobre mim
porque você parecia estar bem com outra pessoa
porque todos vieram falar de você olhando fixamente nos meus olhos
esperando eu voltar a ser uma menina com cara de choro
como eu era, quando estávamos juntos
e porque o O’Malley morreu daquele jeito

sábado, 26 de novembro de 2016

Lembranças do Terceiro Travesseiro





Passando uns dias na casa de um amigo, encontrei em sua estante o primeiro livro de temática LGBT (me recuso a usar mais que essas quatro letras) que li na vida. Ele mesmo, meus caros, O Terceiro Travesseiro, primeiro "livro gay" da vida de 9 entre 10 gays brasileiros. O livro, do escritor Nelson Luiz de Carvalho, lançado em 1998, já teve várias edições com três capas diferentes, e nunca me despertou para uma segunda leitura, até essa semana, quando me deparei com ele em sua capa original, a mesma de quando comprei meu exemplar em 2001, e passei três dias trancado no quarto devorando-o ao som de Adriana Calcanhoto.

A viagem nostálgica que fiz, apenas admirando a capa por um longo tempo, foi tão profunda, que comecei a lê-lo sem sentir, e mesmo detestando algumas passagens da narrativa, tudo me pareceu tão emocionante e dolorido novamente. Há muita diferença em ler uma história aos 19 anos de idade e depois aos 35. Tudo muda, sua sensibilidade, a percepção de mundo; a verdade é que se é duas pessoas completamente diferentes aos 19 e aos 35 anos. Ainda assim, esse novo mergulho em O 3° Travesseiro bateu forte.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Quem Tem Medo de Poltergeist?





Em 1982, Steven Spielberg escreveu e produziu um filme de terror muito bacana chamado Poltergeist, o Fenômeno, que foi dirigido por Tobe Hooper (apesar de eu ter quase certeza de que o próprio Spielberg chegou a finalizar algumas cenas do longa). Todo mundo deve se lembrar bem desse filme, pois rendeu duas continuações, um recente remake e muitos mistérios envolvendo a película, com mortes reais de alguns dos atores e muita coisa sinistra acontecendo nos bastidores.

A história se passa na California, em uma comunidade chamada Cuesta Verde, e mostra a vida do casal Freeling e seus três filhos, Dana, Robbie e Carol Anne, esta última, a menininha que conversa sozinha com fantasminhas na TV sem sinal, faz cadeiras se mexerem sozinhas e entorta talheres.  Todo mundo achava super bonitinho as conversas da lourinha inocente, até que um dia o negócio fica feio e uma força estranha sequestra a menina, que fica perdida em uma espécie de umbral, dividida entre ir ou não para uma luz brilhante. A família entra em desespero. A única forma de contato com Carol Anne é pela transmissão estática de um sinal desligado da televisão, que capta o desespero da menina, cercada de espíritos malignos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dicas de Como Gastar Pouco e Comprar Muito na Black Friday





Se tem uma data que gosto tanto quanto o dia do meu aniversário, meus queridos, esse dia é de Black Friday. Não é só o dia, mas as semanas anteriores ao evento. São promoções de livros por todos os lados. Tanto os que venho desejando desde o início do ano, quanto os que foram surgindo nas últimas semanas. 

Antes que você pense que sou novato nessa coisa de comprar nesta época, saiba que faço isso antes mesmo do Brasil embarcar nessa comemoração. Já comprei muito na Amazon americana e inglesa. Seja o box da terceira temporada de One Three Hill, com legenda em português, ou do livro de Veronica Mars, contando seus dias depois que a série saiu do ar (e muito antes de um filme existir). 

Sei que por aqui muitos sites prometem bastante e cumprem pouco. O melhor mesmo foi a Amazon chegar e fazer o Submarino, antes único concorrente no baixo preço dos livros, se mexer e fazer boas promoções. Assumo que fico feliz, afinal, pagar barato em um livro desejado quase não tem “preço” pra mim. Sou do tipo de cara que prefere completar o valor do frete grátis do que pagar por ele. Afinal, entre gastar pela entrega e gastar um pouquinho mais na compra e “ganhar essa entrega”, sou mais essa segunda opção. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Fogo na Cama





Fazia tempo que Janete estava insatisfeita com o marido. Acostumara-se a ser mera coadjuvante em sua vida e a ver o esposo nas parcas horas que antecediam o sono na pouco agitada cama do casal.

Pegara pequenas escorregadelas do marido nos últimos anos: uma mensagem na rede social aqui, um recebimento de nude ali, um sorriso a mais para outro espécime feminino na rua... Nada que, a seus olhos, justificasse um divórcio. Contanto, conversava com as amigas, muitas delas experientes no assunto, como forma de desabafo.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

E Que Vença a Melhor Mulher!





Hey, hey, hey, hey! Glauco is in the house! Yeah! (Não vou com a cara da Laganja, mas isso realmente gruda na cabeça da gente). Algo me diz que o Silvestre Mendes vai ficar um tanto feliz com meu texto da semana, então, sem mais delongas, cavalheiros, liguem seus motores, e que vença a melhor... Não, espera, me desculpem. É o vício. 

Depois de muito relutar e chamar de chato o programa sem nem saber do que se tratava, eu me rendi aos encantos de RuPaul's Drag Race! Gente, é ma-ra-vi-lho-so. Eu comecei pela sexta temporada, só pra ver qual era a do show, e quando vi já estava torcendo, vibrando, em desesperos (obrigado, Silvestre). 

É assim, tem as drags, né? São treze Drag Queens, de diferentes lugares, que competem entre si pela coroa e o título de America's Next Drag Superstar, e gente, é absolutely o maior barato. Cada episódio é um tema diferente, e cada tema rende dois desafios: o primeiro, que é o mini-desafio, e o segundo, que é o desafio principal, apresentado na passarela, onde elas desfilam com diversos looks, um mais inusitado que o outro. Vocês não têm noção dos looks que essas drags são capazes de criar, sério, eu fico de boca aberta com a criatividade. E tem umas que você olha e vê uma mulher mesmo, de tão perfeita que fica a produção da Queen

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Essa Tal Maturidade...





Quando se é jovem (e eu nunca achei que escreveria isso com o distanciamento de alguém que já viveu essa fase e hoje a observa à distância), tudo é 8 ou 80. As emoções são maximizadas ao extremo, tudo ganhando uma intensidade pulsante e cheia de cores. A felicidade é radiante e contagiosa; a dor, avassaladora e fria. O que é normal, já que estamos descobrindo o mundo e a nós mesmos, experimentando e vivendo à exaustão tudo que nos rodeia.

Me lembro da minha primeira grande paixão. Ou melhor, PAIXÃO, em caixa alta. Não paixonite, não um crush bobo, pra usar a palavra da moda. Mas paixão mesmo, daquelas que te tiram do centro, te fazem querer surtar e viver a outra pessoa. E, nossa, relembrando hoje, bem mais de uma década depois, como aquilo tudo me parece despropositado. Eu me levei por uma história que só existiu na minha cabeça e tive os dias mais felizes da minha vida (até então), mas também, os piores da minha existência. Chorei no ônibus olhando para a paisagem e abraçado às minhas pernas, ouvindo uma playlist que incluía All By Myself e Quase Um Segundo. Drama, quem nunca?

domingo, 20 de novembro de 2016

Com a Licença de um Conselho





Tenho um projeto de romance. E um de roteiro para curta-metragem. Além daquele outro projeto de romance e daquele adiado projeto de contos. É verdade que eu tinha um grande projeto de viagem, de casamento, de estudar inglês também. Projeto para mudar de carreira, projeto para enfim ter uma carreira, projeto para ter um projeto.

Aumentar a biblioteca, adotar mais um gato, ganhar dinheiro, ter uma barriga tanquinho: nada melhor do que um bom projeto para não fazer nada disso. No entanto, desistir dos meus projetos não me faz mal, não sinto o elogio da derrota. O fato é que nascemos na geração faça-e-aconteça, na qual a ditadura do alto astral não alivia nossa necessidade de deprê, de reconciliação com a vida que só faz nos cobrar. Também não falo em estagnação, água parada: estamos aí fazendo o que se pode, como dá. Nada daquele discurso de coaching (autoajuda para burro de carga) nem de mito Miguel Falabella (é fácil fazer milhares de coisas quando há recursos para tanto).

sábado, 19 de novembro de 2016

Do Chão Não Passa





Sabe quando à sua frente tem um monte de boas possibilidades e as perspectivas são as melhores possíveis, mas já levou-se tanta rasteira da vida, que custamos a acreditar nesse algo espetacular que está prestes a acontecer?

Incredulidade é a palavra. Não há nada garantido, você apenas sente que seus próximos passos estão indo na direção correta. Que se todas as ações que você tem a fazer nos próximos dias derem certo, a "sorte" começará a lhe sorrir. Mas como gato escaldado, você tem medo de água fria, e por mais que faça pensamento positivo, reze e peça aos deuses que lhe contemple com sua imensa misericórdia, o medo, a insegurança e a incredulidade rondam sua mente. Não que você seja pessimista, é apenas realista, e a realidade nunca lhe foi muito generosa.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Muleque São Sinistro






Sempre tive umas frustrações muito presentes em minha vida. Como já disse por aqui, uma delas é nunca ter aprendido a andar de bicicleta. Apesar de ainda ter um desejo imenso em poder sentir a brisa do vento em meu rosto enquanto pedalo na orla, acho que já estou velho demais. Já passei da idade em ter que fazer aulas escondidas no Aterro do Flamengo em bicicletas com rodinhas. Vou deixar esse desafio para uma próxima encarnação. 

Mas tem uma coisa que eu preciso muito aprender. Inclusive, coloquei isso por escrito nas resoluções para o próximo ano: aprender a dançar.

Não sei dançar nem “atirei-o-pau-no-gato” fazendo rodinha. O único ritmo que me arrisco a sacolejar alguma parte do meu corpo é naquele “radical” estilo shoegaze, quando, repetidamente balançamos a cabeça como se tivéssemos dizendo “sim” e “não”. Ah, também curto “air guitar”. Danço parecendo que sou Jimi Hendrix e sua guitarra imaginária. Me sinto incendiário, malandro!

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Só Não é MiMiMi Quando é Com Você




Vamos ser honestos por um segundo? Quantas vezes em um post do Facebook, ao ler uma reclamação de alguém, você não pensou que era mais um mimimi? Vamos lá, pode dizer aí que eu espero. Pois é, várias vezes. Mas será mesmo que era sem sentido? Será mesmo que era só mais um mimimi aleatório passeando pela sua tela?

Antes de mais nada, é preciso que se entenda uma coisa. Desde que o conceito de mimimi foi “inventado”, qualquer pensamento ou comentário contrário ao de alguém é encarado como um mero mimimi. Odeio por si só essa definição. Mimimi não é nada. No mínimo, uma onomatopéia que ganhou um significado inteiramente novo nessa era de redes sociais por todos os teclados e opiniões por todas as nossas timelines disponíveis. 

O que mais me irrita é que essa palavra ganhou superpoderes. E de uma simples expressão tornou-se um argumento completo e irrefutável. Agora, quando uma pessoa sente preguiça de debater ou pensar em uma resposta sobre certo assunto, fica mais fácil dizer que o outro está fazendo mimimi sobre determinado caso, quando não existem argumentos para serem debatidos. Afinal, é sempre mais fácil dizer que a culpa está no outro do que ter paciência de refletir e dialogar, até chegar em uma conclusão mais elaborada, do que uma repetição de duas simples letras.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Fechar Para Balanço





Há momentos na nossa trajetória em que é necessário fechar para balanço. Parar, refletir e divagar sobre uma série de coisas que compõem aquilo que chamamos, propriamente, de vida. Às vezes, pensamos a respeito apenas de uma ou outra questão e isso realmente é rotineiro. Mas digo de parar mesmo; afastar um bocado e refletir sobre uma série de componentes e variantes que passam despercebidos no dia-a-dia.

Curioso que, quando eu era pequeno, ouvia meu pai dizer que iria fechar a loja dele para balanço (meu pai sempre teve um pequeno comércio, desde antes de eu nascer). Não entendia muito por que, em um dia do ano, ele baixava as portas para fazer toda a contagem e equações matemáticas do período, revendo lucros, despesas, estoques e saídas. Nossas vidas não seguem a dinâmica de uma empresa, porém, de pequenos atos é possível retirar lições: era melhor parar um dia para rever exatamente como estava a loja, mesmo que deixando de vender mercadorias, do que ter que fechá-la um dia de vez, por não saber como e para onde estava indo.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Dica Importante Para Viajantes de Ônibus




Eu sou uma pessoa que viaja muito de ônibus. Por que gosto? Não, porque sou pobre mesmo, afinal, já viram o preço das passagens aéreas pra dentro do Brasil? Assim fica difícil, pô! Enfim, dependendo do tempo de estrada, você quer reclinar o banco e ficar olhando pra janela, ouvindo uma musiquinha, se imaginando num clipe, pensando nela(e), ou no almoço, tanto faz. 

É aí que entra o problema: atrás da gente sempre tem alguém, a menos que você escolha o último banco (o que muita gente não faz porque em algumas empresas você não consegue reclinar o banco), e pode acontecer dessa pessoa não estar reclinada e, ao fazer isso com seu banco, você pode machucar a pessoa de trás, como quase aconteceu comigo duas vezes na minha ida de semana passada de Florianópolis para Barra Mansa. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Os Relacionamentos e o Futuro das Relações





Me perdendo em arquivos do passado, em pastas particulares quase esquecidas e em textos aleatórios, me vi transportado para 2010, relendo uma série de conversas por email, cujo o assunto, naquela época, me era estranho e difícil de entender: relacionamentos abertos. 

Depois de compartilhar com um grupo de amigas o texto Traição e Semântica, da Martha Medeiros, uma delas ressaltou uma parte específica do texto, que reproduzo abaixo:
“…com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente – e parcialmente pode ser mais do que suficiente quando inclui amizade, cumplicidade, diversão, leveza. Porém, a parte que começa a faltar – a sedução – deixa o campo aberto para novas experiências que podem acontecer ou não. Nada disso tem a ver com desamor.”

Claro que eu peguei no pé, afinal, a referida amiga era aquela do grupo que tinha (e ainda tem) o relacionamento mais estável na época: casada, convivendo com o marido havia 10 anos, aparentemente feliz e realizada. Provoquei, falando da minha visão na época sobre o ‘felizes para sempre’: eu não acreditava nessa possibilidade.

domingo, 13 de novembro de 2016

Dicas de Intercâmbio Para Quem Não Tem Grana





Muitos, mas muitos amigos mesmo, me perguntam sobre o intercâmbio que fiz na França. Por isso, resolvi falar aqui sobre a minha experiência para, quem sabe, dar uma pequena ajuda a todos aqueles que sonham em fazer um intercâmbio gastando bem pouco ou, melhor ainda, gastando apenas com a o preço da passagem aérea. Porque sim, isso é possível.

Para começar, é preciso saber que existem três sites maravilhosos, porém pouco conhecidos aqui no Brasil, que facilitam MUITO na hora de realizar o tão almejado intercâmbio. Ou, pelo menos te ajudar com hospedagem quando for fazer aquele mochilão maroto!

Vamos a eles?

sábado, 12 de novembro de 2016

Dicas Literárias





Hoje tem lista aqui no Barba Feita. Coisa boa, lista literária. 

Recentemente, houve um boom de lançamentos de autores expressivos da literatura contemporânea e, coincidentemente, os cinco livros que citarei tem protagonistas ou personagens importantes gays em seus enredos. Mais interessante ainda, a maior parte dos escritores que criaram essas histórias não são gays. 

Com nomes como Daniel Galera, Bernardo Carvalho e Michel Laub, já bastante conhecidos e prestigiados no meio literário, a "literatura queer", por assim dizer, deixa de estar direcionada a um determinado nicho, ganhando maior visibilidade e atingindo leitores de todos os gêneros. Nos dando a chance de entender o olhar desses autores sobre o que lhe é diferente. Histórias contadas sob um outro prisma, que talvez seja só para mostrar que na verdade não há nada de tão diferente assim, a emoção é do humano, e essa linguagem é universal. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Deu Merda





Esta semana peguei o metrô em direção ao Centro da cidade.  Entre a estação Botafogo e Flamengo, tive a impressão de que algo estava errado.  O túnel parecia extenso demais.  Passava por ali todos os dias, mas nunca tinha notado que o percurso era tão longo naquela escuridão.  Aquela demora ligou a ignição de minha claustrofobia.  Em segundos, eu já estava sufocado, procurando uma fresta na porta para tentar encontrar o ar que psicologicamente me faltava para respirar.

Por uma fração de segundos, veio um flash em minha memória... Lembranças que sufocavam-me no passado.  E, por incrível que pareça, não estavam relacionadas ao medo do escuro, ambientes fechados ou uma multidão me imprensando.  Essa sensação de sufocamento era provocada por sons e imagens.  Tinha pavor daquela vinheta da Voz do Brasil, com a entrada de “O Guarani”, de Carlos Gomes.  E também tinha horror do Jornal Nacional quando apareciam as imagens de Margareth Thatcher, Ernesto Geisel, Xá Reza Pahlevi, Aiatolá Khomeini e, mais tarde, o Ronald Reagan, o Bush pai e o Osama Bin Laden.  Aquelas pessoas sempre me causavam aflição.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Midnight Bus to Florianópolis





Estou indo embora, um homem não chora... BRINCADEIRA, pavor da voz do Pablo! Depois de muitos planos frustrados, muitas ideias absurdas, muitos choros ouvindo Evidências, eu finalmente consegui sair dessa Caverna do Dragão chamada Barra Mansa/RJ. Sim, porque quando eu falo que é tipo isso, ninguém acredita. Sempre que os adolescentes estavam pra sair, alguma coisa os segurava. Ou era a Uni, aquele unicórnio insuportável, que sempre chorava de saudade do Bobby (outro insuportável), ou foi o Eric, que virou um tipo de sapo falante, ou sei lá o que... 

Enfim, comigo era a mesma coisa, mas agora eu finalmente consegui dar um chute no Mestre dos Magos, cortar as asinhas do Vingador (meu preferido, inclusive), e saí! Saí pra uma vida nova, com gente nova, trabalho novo, porém, contas e alguns desgraçamentos de cabeça iguais, mas é bem melhor se preocupar com as contas de frente pro mar do que de frente pro Rio Paraíba do Sul, não é mesmo? De vez em quando passa uns ratinhos por ali na Beira Mar, mas o que é isso perto da oportunidade de sair desse lugar esquisito, certo?!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O Que Esperar Quando Se Está Esperando





A expectativa é uma coisa... muito doida. Não doída, com acento agudo. Doida mesmo, que nem louca. Embora também possa ser algo doído... A expectativa é algo que movimenta as nossas vidas, é o que nos faz levantar diariamente, o que nos faz planejar nossas trajetórias, às vezes, para diversos anos sem mesmo sequer saber como estaremos lá na frente. O problema da expectativa é que ela é uma árvore que gera dois frutos distintos: a realização e a decepção.

O fruto doce, a realização, é talvez a grande recompensa da vida. É a viagem dos sonhos que finalmente sai do papel; é o relacionamento cheio de amor que ultrapassa inimagináveis anos; é o emprego de referência no seu mercado. Podem ser coisas ainda mais simples, como apenas tomar o sorvete e ver que ele realmente é tão gostoso quanto parece na foto; pode ser ultrapassar os seus limites em um exercício físico; ou ver que é capaz de assar um bolo ou fazer feijão em uma panela de pressão.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cueca Velha: Você Joga Fora?





Chegou aquela época do ano que faço uma limpa nas roupas do meu guarda-roupa e acabo doando algumas peças. É claro que ainda é preciso vencer o apego emocional que uma roupa ou outra exercem comigo. Mas, no geral, consigo sempre separar algumas peças. Só que até a noite de ontem nunca tinha parado para pensar em um item que só compro, mas acabo não me livrando: cuecas. 

É meio estranho pensar em separar cueca para doação. Se eu não quero mais aquela peça porque já está bem velhinha e foi bastante usada, por que separaria para outra pessoa? Só porque ela aceita roupas usadas isso não significa que isso se estende ou deve se estender para peças íntimas. Estamos falando de cueca. Mesmo lavando e usando o melhor sabão em pó do mundo ou amaciante, continua sendo uma cueca usada por outra pessoa.

Tenho receio que minha linha de pensamento esteja soando um pouco esnobe. Mas encaro as minhas cuecas como a minha escova de dentes. Não empresto para outra pessoa. Minha escova de dentes é só minha e dos meus dentes. Mas isso não me impede de trocá-la periodicamente. Não vou dizer que faço essa troca de três em três meses, mas ela acontece. Só que, ao mesmo tempo que comparo o uso desses dois objetos, não posso dizer que sofro quando decido aposentar uma escova de dentes e jogo a antiga no lixo. Mas com a cueca… Está sendo um pouco diferente. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Malandramente...

...a Menina Se Empoderou e Botou os Marmanjões no Seu Devido Lugar!




Eu sou uma pessoa musical. Meus amigos mais próximos sabem disso, já que eu sempre tenho uma música para todas as ocasiões, fora aqueles momentos em que eu só queria parar tudo e botar um som pra tocar, como trilha sonora especial. E sou eclético. Ouço do clássico ao brega, não deixando de lado o que toca no momento ou aquilo que ninguém mais se lembra que tocou um dia. Música é vida e alimenta a nossa alma.

Dito isso, tenho um pouco de preguiça de quem tem preconceito musical. Quem julga o outro por aquilo que ele ouve (e sim, eu sei que existe muita merda por aí, mas gosto é que nem cu rosto, né, cada um tem o seu!), deveria arrumar um pouco de coisa pra fazer, porque, convenhamos, a sua vida deve ser bem da sem graça, não é mesmo? Afinal, a mocinha pode ser uma ótima profissional e adorar se acabar no funk; o cara pode ter uma moral ilibada e curtir uma sofrência daquelas dignas de dor de corno. Você não é o que você ouve; você é aquilo que projeta nos demais.

Dito isso nessa introdução necessária, preciso confessar que ganhei um novo earworm, que não sai da minha cabeça e que me deixa cantarolando a todo momento por aí. Trata-se de Malandramente,  um funk carioca de um tal de Dennis com a participação de Nandinho & Nego Bam (ok, ok, nunca ouvi falar deles, mas eu já conheço a música, ou seja, querer que eu saiba quem são esses cidadãos já é um pouco demais). E é exatamente a música a minha inspiração para o texto de hoje, porque, preciso perguntar, vocês repararam em quão empoderada é a menina da canção?

domingo, 6 de novembro de 2016

As Mulheres de 'Pai Herói'





Tenho assistido Pai Herói com grande admiração. Em reprise no Canal Viva, a novela de Janete Clair tem muitas qualidades que podem solucionar a questão da crise criativa que assola a nossa dramaturgia diária. No melhor estilo “siga o mestre”, não custa nada dar uma olhadinha no que Clair fazia nos idos de 1979 e, estranhamente, atualizar-se mirando o passado. 

Bom, alfinetadas à parte, é possível pontuar e discorrer sobre muitos aspectos da trama, mas vou me deter às personagens femininas (as mais ricas e bem construídas da novela). 

Apesar de estarem envolvidas em entrechos amorosos e convenções sociais, são mulheres na maioria das vezes assertivas e independentes, capazes de promover debates e abrir caminhos ainda hoje. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Conselhos a Uma Adolescente






Há algum tempo atrás eu pensava em ter filho um dia. Primeiro, porque eu adoro criança, desde bebês fofinhos até a primeira infância, que vai lá pelos 10 anos, e desde que bem educados, é claro. Do contrário, não suporto. Segundo, porque sempre achei que saberia educar de maneira irrepreensível outro ser humano para o mundo, e adoraria conhecer alguém educado por mim. Imagino que deva dar um orgulho danado saber que você lapidou para o mundo um cidadão de bem, responsável, consciente, pleno e feliz.

Mas o tempo passou e, com ele, minha vontade também. Para criar e orientar outra pessoa pra vida, primeiro é preciso estar realizado e pleno de si mesmo, e o filho deve ser o complemento de uma felicidade que ainda se almeja ter. É necessário que seja uma experiência imprescindível na sua vida. Se não for assim, não tenha filho. Essa é uma dica pessoal para gays que pensam nisso, já que justamente por sermos gays não há a mesma cobrança e patrulha que acontece com os héteros quando se trata de ter filhos, mas a dica amiga fica para todos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Deveríamos Falar Sobre o Tempo? Ou Deveríamos Falar Sobre o Governo?





O título do texto de hoje é um trecho de uma das canções que mais gosto do REM, banda que surgiu em Athens, na Georgia, em 1980, e que vendeu milhões de discos, principalmente com bem-sucedido Out of Time, de 1991, que tinha o hit Losing My Religion, sucesso absoluto na MTV. 

O REM tinha (a banda, infelizmente, terminou em 2011) um dos vocalistas mais politizados do rock alternativo mundial. Michael Stipe já fez duras críticas à política norte-americana... Em uma das últimas, mandou o então pré-candidato do partido republicano, Donald Trump, se fuder por ter utilizado a canção It´s the end of the world as we know it (and I feel fine) quando o presidenciável subiu a um palco em Washington em um evento contra o acordo nuclear entre EUA e o Irã. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Eu Não Sou o Caíque, Mas Sou o Silvestre





Oi, tudo bem? Se você passou a visitar esse espaço no último mês, quando o Caíque estava escrevendo às quintas-feiras, sinta-se em casa. Eu sou o Silvestre. Sou o cara que ocupa esse dia (quinta-feira) por mais tempo durante o ano. Acontece, como foi por agora, de tirar uns dias de folga. Umas boas férias. Acho que isso me motiva a e refletir mais sobre minha visão de mundo e o modo como falo sobre ele com vocês nesse espaço. 

Admito que, assim como cada um de vocês, também virei fã dos textos do Caíque. Gosto do modo como ele escreve. Existe uma clareza tão grande na ideia que quer ser passada na escrita dele que tudo acaba fluindo de uma maneira tão natural e orgânica. Respeito muito quem faz isso. Não é algo que se aprende por aí. Ou você sabe escrever dessa maneira ou não sabe. Ele sabe. Por esse motivo me senti muito honrado dele ter assumindo o meu posto por essas semanas. Honrado e, diga-se de passagem, preocupado também. Será que meus antigos leitores iriam me querer de volta? Será que o novo público que ele trouxe iria querer me ler? Inseguranças. Me aponte qualquer escritor que não as tenha. Acho que faltarão dedos e sobrarão escritores. Mas essa é a graça de escrever e ter um espaço para falar o que se pensa. Às vezes encontramos indivíduos que possuem as mesmas filosofias que a gente. Outras vezes acontece de ter o oposto e aprender com isso. Por esse motivo que amo essa ideia que é o Barba Feita. Temos opiniões diversas, muitas vezes até sobre o mesmo tema, e tudo ocupa o mesmo espaço. O que muda? O dia da semana ou o autor convidado. O lugar. O Barba Feita continua. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A Santa Morte





Ah, a morte... Enquanto os mexicanos a essa altura estão todos celebrando com cores, caveirinhas e bêbados de tanta tequila, nós por aqui consideramos o dia de hoje uma data fúnebre. Na verdade, falo de forma generalizada, em especial referindo-me aos mais antigos. Minha família mesmo nunca teve o hábito de ficar se lembrando dos mortos em um triste Dia de Finados. Aliás, sempre achei estranhíssimo ter que apurar as matérias de aumento de movimento nos cemitérios e vendas nas floriculturas próximas quando trabalhava em redações jornalísticas; isso nunca foi a minha realidade.

Olha que a morte, desde muito novo, deu as caras na minha vida. Quanto tinha apenas quatro anos, minha prima de nove se foi, vítima de um acidente de carro. Lembro-me do exato momento em que minha mãe acordou a mim e minha irmã, ainda na primeira casa onde morei na minha vida no bairro de Santa Rosa, em Niterói, sentou-se na beirada da cama e comunicou que a Monica havia morrido. Ainda sem saber o que exatamente aquilo significava, nós dois caímos em prantos, vendo minha mãe chorar ainda mais. Estava ela, além da saudade da sobrinha, se colocando na posição da minha tia: a mãe que perde a filha. Uma vez ouvi que quando o filho perde um dos pais, se chama de órfão, mas o contrário não tem nome porque é completamente contra a natureza humana. Era mais ou menos isso que acontecia naquela hora.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Betina, Um Amor de Pessoa





Estava eu vindo para Florianópolis matar as saudades de Rafael, e dessa vez eu vim de ônibus porque ninguém merece o preço das passagens aéreas, certo? Certo. E bem, como são quinze horas de viagem (pra mim foram dezoito porque ficamos presos na estrada), eu acabei criando um "vinculinho" durante o trajeto. Quando Betina entrou no ônibus em Resende, a primeira parada, ela me perguntou se haviam duas pessoas nas poltronas de trás, porque ela queria deixar a mochila dela na poltrona ao lado, e eu disse que também estava torcendo pra que isso acontecesse comigo, porque é super desconfortável deixar a bagagem naquela parte superior do ônibus.

Passado um tempo, na parada para o lanche, começamos a conversar, eu perguntei que livro ela estava lendo, e ela fez o mesmo, trocamos algumas figurinhas, como dizem, e Betina começou a me contar um pouco de onde era, o que fazia pra viver, e eu achei tão... tão delícia a história. Ela mora no alto da serra, numa região próxima de Resende mesmo, trabalhando como marceneira, terapeuta de crianças com necessidades especiais, e estava indo para Florianópolis para a sua formatura no curso de Cantoterapia. Aí me ganhou total, né?  Além da simpatia e carisma, Betina mexe com Canto, com Música, e não tem como não me ganhar quando se fala em Música. Eu estava doido pra perguntar de onde ela era, porque claramente não era do Brasil, mas segurei a onda pra não parecer desagradável, até ela dizer que veio da Alemanha, transferida do último emprego, não conhecia quase ninguém, mas mesmo assim meteu a cara e veio.