terça-feira, 1 de novembro de 2016

Betina, Um Amor de Pessoa





Estava eu vindo para Florianópolis matar as saudades de Rafael, e dessa vez eu vim de ônibus porque ninguém merece o preço das passagens aéreas, certo? Certo. E bem, como são quinze horas de viagem (pra mim foram dezoito porque ficamos presos na estrada), eu acabei criando um "vinculinho" durante o trajeto. Quando Betina entrou no ônibus em Resende, a primeira parada, ela me perguntou se haviam duas pessoas nas poltronas de trás, porque ela queria deixar a mochila dela na poltrona ao lado, e eu disse que também estava torcendo pra que isso acontecesse comigo, porque é super desconfortável deixar a bagagem naquela parte superior do ônibus.

Passado um tempo, na parada para o lanche, começamos a conversar, eu perguntei que livro ela estava lendo, e ela fez o mesmo, trocamos algumas figurinhas, como dizem, e Betina começou a me contar um pouco de onde era, o que fazia pra viver, e eu achei tão... tão delícia a história. Ela mora no alto da serra, numa região próxima de Resende mesmo, trabalhando como marceneira, terapeuta de crianças com necessidades especiais, e estava indo para Florianópolis para a sua formatura no curso de Cantoterapia. Aí me ganhou total, né?  Além da simpatia e carisma, Betina mexe com Canto, com Música, e não tem como não me ganhar quando se fala em Música. Eu estava doido pra perguntar de onde ela era, porque claramente não era do Brasil, mas segurei a onda pra não parecer desagradável, até ela dizer que veio da Alemanha, transferida do último emprego, não conhecia quase ninguém, mas mesmo assim meteu a cara e veio.

Em dado momento, Betina resolveu fazer... não sei se reciclagem seria a palavra certa, mas ela resolveu se aperfeiçoar na Marcenaria e trabalhar sem o uso de máquinas, apenas com as mãos, como os marceneiros da antiguidade. E foi aí que ela descobriu também a terapia na Marcenaria. Betina abdicou a tecnologia pra acabar descobrindo que o que fazia pra ganhar dinheiro era, também, uma forma de terapia, tudo porque parou pra olhar a Marcenaria por um outro ponto de vista. É porque, às vezes, a gente tá tão focado no que sabe, no que aprendeu, e em seguir aquela regra pelo resto da vida, se manter no seguro, que não para pra olhar as coisas por outro lado. É tipo aquela casa de espelhos que alguns circos têm, sabem? Você entra e se vê de várias formas. 

Eu fiquei pensando nisso, que não basta a gente aprender e se aperfeiçoar, mas saber que coisas aparentemente diferentes podem convergir para o mesmo lado. Betina é uma terapeuta que trabalha com Marcenaria e agora Cantoterapia, e que descobriu a terapia na Marcenaria. Cantoterapia e Marcenaria são coisas bem diferentes, mas que convergem para o mesmo lado, e Betina vai poder usar o que sabe de ambas pra trabalhar com suas crianças com necessidades especiais.

O negócio é não ter medo de olhar as coisas por outros pontos de vista, porque assim fica mais fácil saber se a gente vai pra frente, vai pra trás, pro lado, pro outro, ou se faz os quatro ao mesmo tempo e ainda dá uma giradinha ao som de... ah, escolha a música de sua preferência.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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