segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Essa Tal Maturidade...





Quando se é jovem (e eu nunca achei que escreveria isso com o distanciamento de alguém que já viveu essa fase e hoje a observa à distância), tudo é 8 ou 80. As emoções são maximizadas ao extremo, tudo ganhando uma intensidade pulsante e cheia de cores. A felicidade é radiante e contagiosa; a dor, avassaladora e fria. O que é normal, já que estamos descobrindo o mundo e a nós mesmos, experimentando e vivendo à exaustão tudo que nos rodeia.

Me lembro da minha primeira grande paixão. Ou melhor, PAIXÃO, em caixa alta. Não paixonite, não um crush bobo, pra usar a palavra da moda. Mas paixão mesmo, daquelas que te tiram do centro, te fazem querer surtar e viver a outra pessoa. E, nossa, relembrando hoje, bem mais de uma década depois, como aquilo tudo me parece despropositado. Eu me levei por uma história que só existiu na minha cabeça e tive os dias mais felizes da minha vida (até então), mas também, os piores da minha existência. Chorei no ônibus olhando para a paisagem e abraçado às minhas pernas, ouvindo uma playlist que incluía All By Myself e Quase Um Segundo. Drama, quem nunca?

Um pouco mais tarde, me apaixonei perdidamente por uma menina da faculdade que foi, certamente, a responsável pelas minhas ações mais loucas e irresponsáveis. Ela, que vivia uma história doentia com um noivo militar, me levou para uma relação conturbada às escondidas, em que eu me via sofrendo e com a alegria minada, sempre esperando as migalhas de amor que ela poderia me dar. Foram dias terríveis e que culminaram em um pedido de casamento (meu) para que ela não aceitasse se casar (com ele). Ela optou por ele e hoje eu não poderia ser mais grato por essa decisão.

Quando finalmente me permiti ser quem eu sou e largar a hipocrisia de lado, vieram os namoros e aquela sensação de que seria pra sempre a cada novo começo. E, que fique claro, eu nunca fui um desesperado por relacionamentos; na verdade, sempre deixei que eles acontecessem e nunca fui atrás. Namorado, para mim, não precisa ser caçado à exaustão, como se fosse uma relíquia da morte ou um pokémon raro. Um relacionamento surge a partir da convivência, das experiências em comum, daquilo que vem com o tempo enquanto vamos conhecendo a outra pessoa.

Com meu primeiro namorado, hoje um amigo não tão próximo, mas que se mantém presente, foi uma linda e louca aventura. Ele surgiu quando eu me curava de um coração partido e conseguiu me mostrar um mundo de oportunidades, fazendo-me sentir querido e bem em sua companhia. Durante o tempo que ficamos juntos, cresci bastante como pessoa e ele me mostrou que era sim possível namorar outro cara, o que lá em 2007 era algo que eu não cogitava. 

Mas veio o primeiro baque quando tivemos um rompimento e eu tive a pior noite (que mantém esse título até hoje) da minha vida. Depois que terminamos em um quarto de hotel de Copacabana e ele foi embora para sua vida, o mundo parecia estar desmoronando para mim. Eu chorei compulsivamente, senti dores físicas, não consegui dormir nem por um segundo sequer, me sentindo a pessoa mais indesejável do mundo. Foi um drama absurdo e que durou um dia (que, juro, pareceu ter muito mais do que 24 horas), até que a gente reatou na noite seguinte para uma relação que já não era a mesma e que acabou pouco tempo depois, dessa vez por minha culpa, que não soube lidar com aquele primeiro término que, ironicamente, foi o princípio do fim.

Já com meu segundo namorado eu tive uma das histórias mais bonitinhas da minha vida. Ele surgiu aos poucos, me conquistando com um jeitinho a que eu  não estava acostumado até então, além de uma beleza clássica que me fazia sorrir apenas por olhar pra ele. Foi um tempo muito feliz da minha vida, onde eu experimentei o conceito de parceria, já que nos envolvemos totalmente na vida um do outro, vivendo efetivamente uma relação intensa e feliz enquanto durou. Mas tudo tem o seu fim e, tanto por erros meus quanto dele, acabamos terminando. 

E que doído foi aquele rompimento. Com a certeza de sermos os caras certos na hora errada, levei uma história na minha cabeça, que hoje eu nem sei se existiu, durante dois anos. Dois anos achando que a gente ia voltar em algum momento e que seríamos felizes para sempre. Mas, pergunto: você voltou com ele? Eu também não, beijos!

Até que chegamos em 2011. E assim, completamente do nada e sem nenhuma expectativa, eu entrei na história que ajudou a definir a pessoa que sou hoje. O que parecia apenas um encontro casual cresceu e se tornou um casamento, com alguém que fez parte da minha vida pelos  últimos 5 anos. Com ele eu vivi experiências incríveis, passei por bons e maus momentos e entendi o que é realmente se dedicar a alguém e receber isso de volta. Ampliei meu conceito de relacionamento e, sinceramente, achei que tinha encontrado o amor da minha vida, a pessoa com quem eu viveria até o fim dos meus dias. 

Entretanto, problema de se fiar cegamente em seus sentimentos é se esquecer que existe outra pessoa na equação. As coisas mudam com o passar do tempo e, mesmo que você ache que para tudo há uma solução, o outro pode não concordar com isso, ter o seu próprio 'mundo' dentro da cabeça e tomar decisões que lhe serão apresentadas em um momento aleatório qualquer, seja em uma quinta-feira de calor absurdo no início da noite ou num sábado de chuva, pela manhã, enquanto se lava a louça. 

Mas é aí que entra essa tal de maturidade. O Leandro de hoje é bem diferente daquele de 2007, o do choro desenfreado, o da dor física e o do descontrole emocional. Se o amor acabou para uma das partes, poxa, que pena. Ainda dói bastante, mas vamos ser práticos, pensar em como seguir com a vida e o que se leva de aprendizado com o que foi vivido até aqui. A relação pode terminar, mas a história, a bagagem emocional, fica para ambos e como vamos utilizá-la é que vai nos definir a partir de agora.

Conversando esses dias via FaceTime com um amigo querido e gostosinho que mora fora do Brasil, meio triste em um dos poucos momentos em que eu me permiti desabar nesse fim de relaçao, ele foi muito feliz em uma de suas frases para mim, enquanto tentava me encorajar:
"No fim, meu amigo, a gente só pode contar é com a gente mesmo."
Porque é exatamente isso, né? Colocar as nossas expectativas no outro é dar um peso que ele talvez não esteja disposto a carregar e, uma hora ou outra, ele vai acabar deixando-as no chão, junto com os pedaços partidos de nosso coração. E quem vai consertar essa bagunça é você.

E assim vamos vivendo. Porque não, eu não estou bem, mas estou longe de estar mal também. Eu estou vivendo, reconstruindo, tocando a minha vida, novamente sozinho. Mas o lado bom é que eu sei que consigo fazer isso e aprecio bastante a minha companhia. 

E essa tal de maturidade, ah, que linda ela é!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Unknown disse...

Lindo! Preciso desenvolver essa maturidade.