quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Midnight Bus to Florianópolis





Estou indo embora, um homem não chora... BRINCADEIRA, pavor da voz do Pablo! Depois de muitos planos frustrados, muitas ideias absurdas, muitos choros ouvindo Evidências, eu finalmente consegui sair dessa Caverna do Dragão chamada Barra Mansa/RJ. Sim, porque quando eu falo que é tipo isso, ninguém acredita. Sempre que os adolescentes estavam pra sair, alguma coisa os segurava. Ou era a Uni, aquele unicórnio insuportável, que sempre chorava de saudade do Bobby (outro insuportável), ou foi o Eric, que virou um tipo de sapo falante, ou sei lá o que... 

Enfim, comigo era a mesma coisa, mas agora eu finalmente consegui dar um chute no Mestre dos Magos, cortar as asinhas do Vingador (meu preferido, inclusive), e saí! Saí pra uma vida nova, com gente nova, trabalho novo, porém, contas e alguns desgraçamentos de cabeça iguais, mas é bem melhor se preocupar com as contas de frente pro mar do que de frente pro Rio Paraíba do Sul, não é mesmo? De vez em quando passa uns ratinhos por ali na Beira Mar, mas o que é isso perto da oportunidade de sair desse lugar esquisito, certo?!

Facilitou muito eu deixar o orgulho de lado um pouquinho (mas só um pouquinho), e aceitar ajuda de quem realmente queria me ajudar, e não mediu esforços, porque eu tinha aquela fantasia de sair sozinho, sem ajuda de ninguém, mas quando eu aceitei que sozinho eu não ia conseguir, então tudo foi ficando mais fácil de se resolver.

Existe uma frase que li na traseira de um caminhão, há muito tempo, que diz assim: "Se for pra viver infeliz, prefiro ter saudade.", e hoje, em Barra Mansa, após uma semana em Florianópolis, arrumando minhas coisas pra me mudar de cidade, eu percebo que saudade é uma coisa muito gostosa de se sentir. Dói também, é claro, mas é muito gostoso você saber que tem um lugar pra voltar, que vai ser bem recebido por sua família (agora formada de pai, cadela, calopsita, gata e porquinho da Índia), e por seus amigos. 

A minha hora em Barra Mansa passou faz tempo, e só durou esse tempo todo porque eu tive orgulho e não me deixei ser ajudado, e também porque não aparecia ninguém com interesse suficiente pra tanto. Amigos me apoiaram, meu pai me apoiou, Rafael fez e tem feito tanto por mim que talvez eu jamais consiga agradecer o suficiente, e hoje eu olho pra trás e vejo que sim, demorei tempo demais em Barra Mansa, mas talvez eu esteja saindo na hora certa, sem viver naquele mundo fantástico que já contei pra vocês. 

Agora que cresci (você quer me namorar) interiormente, eu vejo os caminhos, os obstáculos, e sei que nunca vou estar sozinho, pois tenho pra onde voltar, tenho quem me empurre pra frente, e quem me ajude a empurrar pra trás quem tentar fazer o mesmo comigo. Agora é a hora, porque se não fosse agora, quando seria?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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