sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Muleque São Sinistro






Sempre tive umas frustrações muito presentes em minha vida. Como já disse por aqui, uma delas é nunca ter aprendido a andar de bicicleta. Apesar de ainda ter um desejo imenso em poder sentir a brisa do vento em meu rosto enquanto pedalo na orla, acho que já estou velho demais. Já passei da idade em ter que fazer aulas escondidas no Aterro do Flamengo em bicicletas com rodinhas. Vou deixar esse desafio para uma próxima encarnação. 

Mas tem uma coisa que eu preciso muito aprender. Inclusive, coloquei isso por escrito nas resoluções para o próximo ano: aprender a dançar.

Não sei dançar nem “atirei-o-pau-no-gato” fazendo rodinha. O único ritmo que me arrisco a sacolejar alguma parte do meu corpo é naquele “radical” estilo shoegaze, quando, repetidamente balançamos a cabeça como se tivéssemos dizendo “sim” e “não”. Ah, também curto “air guitar”. Danço parecendo que sou Jimi Hendrix e sua guitarra imaginária. Me sinto incendiário, malandro!

Minha futura meta é um desafio e tanto. Não quero aprender a dançar valsa, salsa, tango, paso doble, foxtrote, mambo, forró, fazer pas-de-déux e nem participar da Dança dos Famosos do Faustão. Não sou famoso, não tenho pretensão de ser e não tenho o menor saco para dançar nada disso.

Eu preciso urgentemente é fazer a “a batalha do passinho”. Meu maior sonho (além de poder entrar num avião sem tomar calmante) é fazer aquelas coreografias sensacionais que foram originadas nos bailes funks das favelas cariocas.

Em 2013, inclusive, o passinho virou até um documentário. A batalha do passinho, dirigido por Emilio Domingos, revela a vida dos dançarinos das comunidades cariocas e todo o boom que a dança provocou, depois que um vídeo chamado “passinho foda” atingiu a marca de mais de 4 milhões de acessos no YouTube e a coreografia começou a fazer sucesso nos bailes de favelas do Rio.

Eu acho aquilo lindo. Não preciso nem fazer uma batalha, pra bem dizer a verdade. Queria aprender a dançar uns 30 segundos somente, pois não tenho nem fôlego para mais do que isso. Depois de Ian McCulloch, David Bowie e Robert Smith, o Dream Team do Passinho são meus maiores ídolos.

Um dia eu chego lá. Um dia, ano que vem. É esperar pra ver.

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: