segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Os Relacionamentos e o Futuro das Relações





Me perdendo em arquivos do passado, em pastas particulares quase esquecidas e em textos aleatórios, me vi transportado para 2010, relendo uma série de conversas por email, cujo o assunto, naquela época, me era estranho e difícil de entender: relacionamentos abertos. 

Depois de compartilhar com um grupo de amigas o texto Traição e Semântica, da Martha Medeiros, uma delas ressaltou uma parte específica do texto, que reproduzo abaixo:
“…com o passar do tempo a relação passa a satisfazer apenas parcialmente – e parcialmente pode ser mais do que suficiente quando inclui amizade, cumplicidade, diversão, leveza. Porém, a parte que começa a faltar – a sedução – deixa o campo aberto para novas experiências que podem acontecer ou não. Nada disso tem a ver com desamor.”

Claro que eu peguei no pé, afinal, a referida amiga era aquela do grupo que tinha (e ainda tem) o relacionamento mais estável na época: casada, convivendo com o marido havia 10 anos, aparentemente feliz e realizada. Provoquei, falando da minha visão na época sobre o ‘felizes para sempre’: eu não acreditava nessa possibilidade.

Claro que isso gerou uma boa resposta da minha amiga:
“…a questão é o que você considera “felizes”. Se é o frisson de começo de relação, não, não existe felizes pra sempre. Mas quando o frisson acaba, o que fica não é necessariamente acomodação, medo e preguiça. Isso é preconceito seu. O que fica é exatamente o que ela disse: amizade, cumplicidade, diversão, leveza. A questão é ponderar o que tem mais valor pra você.”
Papos que rendem e que fazem pensar. Eu os tenho, pelo visto, desde 2010.

Eu, pra finalizar aquela discussão, complementei enviando o seguinte:
“…Acabei me lembrando de outro texto da Martha Medeiros, onde ela diz, em parte, isso: ‘E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.’" 
E, nas minhas anotações particulares, de mim para mim mesmo, eu me perguntava o que esperava das minhas próprias relações no futuro, o que melhor se adequaria a mim e a um possível parceiro, se ele viesse a existir. Tudo isso sem saber que, em menos de um ano, eu estaria entrando em uma relação que, por quase seis anos, foi a mais longeva e completa da minha vida.

É interessante demais analisar o assunto em retrospecto, observando o que pensava o Leandro de 2010 e como vive o Leandro desse finzinho de 2016. Mais do que isso, me perguntando: como será o Leandro de 2020, o de 2026, e tantos outros que ainda hei de me tornar? 

Eu não sei, mas estou curioso para continuar vivendo até chegar lá.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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