sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Quem Tem Medo de Poltergeist?





Em 1982, Steven Spielberg escreveu e produziu um filme de terror muito bacana chamado Poltergeist, o Fenômeno, que foi dirigido por Tobe Hooper (apesar de eu ter quase certeza de que o próprio Spielberg chegou a finalizar algumas cenas do longa). Todo mundo deve se lembrar bem desse filme, pois rendeu duas continuações, um recente remake e muitos mistérios envolvendo a película, com mortes reais de alguns dos atores e muita coisa sinistra acontecendo nos bastidores.

A história se passa na California, em uma comunidade chamada Cuesta Verde, e mostra a vida do casal Freeling e seus três filhos, Dana, Robbie e Carol Anne, esta última, a menininha que conversa sozinha com fantasminhas na TV sem sinal, faz cadeiras se mexerem sozinhas e entorta talheres.  Todo mundo achava super bonitinho as conversas da lourinha inocente, até que um dia o negócio fica feio e uma força estranha sequestra a menina, que fica perdida em uma espécie de umbral, dividida entre ir ou não para uma luz brilhante. A família entra em desespero. A única forma de contato com Carol Anne é pela transmissão estática de um sinal desligado da televisão, que capta o desespero da menina, cercada de espíritos malignos.

Sem saber o que fazer, a família chama um grupo de parapsicólogos, que começam a investigar e revelam que a família está sendo atacada por uma invasão poltergeist. É merda pra tudo quanto é lado e quanto mais se mexe, mais a casa fica fragilizada. Sem muito sucesso, os parapsicólogos então chamam a médium Tangina Barrons (a sensacional Zelda Rubinstein), uma espécie de juíza-sabe-tudo, que revela que os espíritos na verdade estão distraídos com a luz pura de Carol Anne e que ela está o tempo todo sendo atraída por uma força demoníaca que está escondida, à espreita. Quando ela menos esperar, ploft... babau, Carol Anne.

Então, num roteiro muito louco e provavelmente escrito sob o efeito de muita maconha e LSD, os personagens se unem em uma força tarefa para resgatar a menininha das garras do mal, atravessando um portal que fica em um guarda-roupa (muito loucoooooo). Depois de um super clímax cheio de efeitos especiais, luzes estroboscópicas etc e tal, a menininha ressurge caindo do teto (ui!) toda melecada de ectoplasma.

Aí tem aquela famosa cena da médium-juiza proclamando toda eufórica e cheia de atitude:  “Agora, a casa está LIMPA!”.

Ultimamente, temos visto um roteiro muito semelhante. Temos um filme dirigido por uma mulher dentuça que esqueci o nome (apesar de eu ter quase certeza de que um barbudo sem um dedo e que falava estranho chegou a finalizar algumas cenas). Todo mundo deve se lembrar bem desse filme, pois rendeu duas continuações, um recente remake sem autorização do diretor e muitos mistérios envolvendo a história, com mortes de alguns dos atores e muita coisa sinistra acontecendo nos bastidores.


A história se passa na América do Sul, em um país chamado Brasil, e mostra a vida de várias pessoas que conversam sozinhas com fantasminhas na TV, fazem acrobacias nos sinais e entortam seus ordenados para sobreviver. Todo mundo achava super bonitinho as conversas sem pé-nem-cabeça da dentucinha, até que um dia o negócio fica feio e uma força estranha sequestra a mulher, que fica perdida em uma espécie de umbral, dividida entre ir ou não para uma luz brilhante. A única forma de contato com a mulher é pela transmissão estática de um sinal desligado da televisão, que capta o desespero da mulher, cercada de espíritos malignos.

Sem saber o que fazer, a família chama um grupo de parapsicólogos que começam a investigar e revelam que o país está sendo atacado por uma invasão poltergeist. É merda pra tudo quanto é lado e quanto mais se mexe, mais a casa fica fragilizada. Sem muito sucesso, os parapsicólogos então chamam um médium, uma espécie de juiz-sabe-tudo que revela que os espíritos na verdade, estão distraídos com a luz pura da dentuça e que ela está o tempo todo sendo atraída por uma força demoníaca que está escondida, à espreita. Quando ela menos esperar, ploft... babau, Dentucinha.

Por causa de um roteiro muito mais louco e, provavelmente escrito sob o efeito de muito pó branco, a Dentucinha, mesmo toda cagada de ectoplasma, não resiste e a Besta-fera a engole viva e se transforma num cordeiro, enganando toda a população.

Aí entra em cena o mesmo médium-juiz que proclama todo eufórico e cheio de atitude:  “Agora, a casa está LIMPA!”.

Pra quem lembra do filme de 1982, a história não termina quando a médium proclama a frase. Na verdade, o terror começa ali. A Besta-fera estava quietinha no seu canto e prepara uma emboscada ainda maior. O demônio ataca as crianças, esqueletos e corpos em decomposição eclodem do solo e o caos se instala. A casa havia sido construída em um grande cemitério indígena e, por causa da ganância imobiliária, os espíritos se revoltam e partem pra cima de todo mundo. Afinal, ali não era lugar pra se fazer condomínio de luxo.

Na história atual, essa parte ainda não foi escrita, mas provavelmente deve ser bem semelhante. As emboscadas estão sendo planejadas à espreita e, quando menos as pessoas esperarem, boooom... corpos e esqueletos em decomposição vão eclodir do solo e o caos se instalará. Afinal, o país onde se passa a história também foi construído em cima de um cemitério indígena. E os espíritos não estão gostando nadica de nada dessa ganância.

Na cena final de Poltergeist, a família foge e consegue recomeçar a vida em outra cidade. Param em um hotel para dormir e entram num quarto. Segundos depois, o Sr. Freeling aparece com a TV do quarto na mão e a joga no lixo.  Afinal, todo esse caos começou por causa dela.

Beeeeeem interessante isso, né?

(Bem, já tem um tempo que decidi não ter mais TV no meu quarto).

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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