segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

2016: Em Livros, Filmes e Séries





Que o ano de 2016 será sempre lembrado como controverso, disso não há dúvidas. Foi o ano da antidemocracia, dos abusos, do medo e das incertezas. O país mergulhou em crise, o mundo se tornou um lugar mais estranho, a intolerância perdeu a vergonha e deu as caras com força total. 

No campo pessoal, 2016 foi um ano duro e difícil, de mudanças inesperadas e de porradas que eu não esperava receber. Na vida amorosa, um revés que me pegou de surpresa e que está sendo trabalhado nas minhas sessões de terapia de mim para comigo mesmo. No trabalho oficial, a insegurança reina. Na vida financeira, atenção redobrada, porque as despesas aumentaram.

Mas nem tudo foi ruim nesse ano danadinho. Foi um ano de boas descobertas literárias e televisivas. Tanto que logo em janeiro passado eu resolvi abrir no meu Facebook uma pastinha para guardar tudo que eu conferisse, para ter, em um lugar de fácil acesso, as minhas lembranças de tudo que acompanhei. E é graças a essa pastinha, inclusive, que consigo escrever hoje esse texto, de maneira mais completa.

Sei que é uma lista pessoal, mas tem bastante coisa interessante nela, que me deram prazer e que acho legal de compartilhar. Por isso, dedico minha coluna de hoje a essa pequena retrospectiva que, se você quiser e me achar merecedor, pode ser de inspiração para alguma dica. 

Vamos relembrar?

(Observação: texto repleto de links para resenhas que eu ou algum outro integrante do Barba Feita fez sobre os livros, séries ou filmes aqui ou no Pop de Botequim. É só clicar sobre o nome se quiser mais detalhes.)

Literatura

Foram 23 livros, quase 2 por mês, o que considero uma boa média. E alguns nomes se repetiram entre os autores que li, como Raphael Montes, autor do primeiro e do último livro que li no ano, mas que esteve comigo outras duas vezes também, totalizando quatro livros seus lidos por mim em 2016: Dias Perfeitos, O Vilarejo, Suicidas e Jantar Secreto. O autor carioca é maravilhoso e indico para todos os fãs de literatura policial e de suspense.

Também foi o ano que redescobri Stephen King. Eu já havia lido algo do autor americano no passado, mas foi em 2016 que realmente me apaixonei pela literatura fantástica e sobrenatural dele. Li Novembro de 63 e Revival, dois livros enormes (em número de páginas), mas maravilhosos. E o resultado é que devo iniciar o ano de 2017 terminando As Quatro Estações, livro que comecei a leitura recentemente.

Conheci também Jojo Moyes e me apaixonei por Amanda Clark em Como Eu Era Antes de Você e Depois de Você. Continuei amando David Levithan em Outro Dia e, pela primeira vez, lendo algo dele que eu não achasse sensacional, que foi O Caderninho de Desafio de Dash & Lilly. Vi que Sarah Lotz é realmente uma autora intrigante ao me deliciar (e me assustar) com O Quarto Dia, uma espécie de "continuação" de seu sucesso inicial, Os Três, que eu havia lido e amado em 2015. E, é claro, pude estar novamente na vida de Cormoran Strike, criação de J. K. Rowling, sob o pseudônimo de Robert Galbraith, em Vocação Para o Mal

E, além desses, li também: Ovelha - Memórias de Uma Pastor Gay, de Gustavo Magnani, uma falsa biografia que poderia ser excelente, mas é apenas razoável; Quando Tudo Volta, de John Corey Whaley, que me surpreendeu, já que não esperava nada ao começar a leitura e é de uma sensibilidade incrível; Zac & Mia, de A. J. Betts, sobre dois adolescentes australianos com câncer, mas que consegue ser fofinho e inspirador; Os Assassinos do Cartão Postal, de James Patterson e Liza Marklund, uma boa história de suspense com o nome de James Patterson na capa, mas que sabemos que quem escreveu de verdade foi a autora convidada a dividir os créditos; A Garota Silenciosa, de Tess Gerritsen,  o décimo primeiro livro de uma série, o que eu só fui descobrir depois, mas que mesmo assim é bem bom; A Fazenda, de Tom Rob Smith, um suspense que se torna um verdadeiro jogo para descobrirmos o que é ou não real para os personagens de suas páginas; Lucas e Nicolas - Um Amor Adolescente, de Gabriel Spitz, bobinho e adorável; Branca dos Mortos e os Sete Zumbis e Outros Contos Macabros, de Fábio Yabu, uma divertida releitura dos contos de fada, com um toque que tenta ser assustador, mas que é bastante interessante; O Ano em Que Disse Sim, a imperdível biografia em que Shonda Rhimes, a aclamada roteirista americana, nos conta sobre um ano atípico em sua vida; O Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs, o livro que deu origem ao filme de Tim Burton e que é bem legal e cujas continuações já estão na minha lista de leitura para ano que vem; e Caixa de Pássaros, de Josh Malerman, um dos melhores livros que li nesse ano. 

Em comum, todos me fizeram companhia, me proporcionando, quase sempre, boas histórias e personagens que se tornaram queridos por mim. 

Televisão

Ela, que por tanto tempo foi um dos meus maiores vícios, também marcou presença na minha vida em 2016. Mas preciso dizer que, cada vez mais, os canais convencionais tem perdido espaço para a Netflix e para as coisas que assisto online. Tirando as versões nacionais de reality culinários que eu adoro (e vejo muitos, de MasterChef Brasil, na Band, a Hell's Kitchen - Cozinha Sob Pressão, do SBT, passando por Cozinheiros em Ação, The Taste Brasil e todos que a GNT fizer), vi pouquíssima TV convencional nesse ano que termina.

Na Netflix, assisti séries maravilhosas. A começar com Jessica Jones, a primeira do ano e que me fez ver que a Marvel realmente é excelente naquilo que se propõe a fazer, vide Demolidor, que teve um segundo ano memorável, e Luke Cage, que apesar de não ser tão boa quanto as demais, também é uma série que vale a pena ser conferida. O serviço de streaming também é excelente ao ajudar a produzir ou resgatar história que seriam ou foram canceladas, e foi através dele que assisti a segunda temporada de Scream, que melhorou muito em relação ao seu primeiro ano, e Black Mirror, que teve nessa terceira temporada o alcance global que a série inglesa sempre mereceu.

E como sou compulsivo, depois que a Netflix anunciou a temporada especial de quatro episódios de Gilmore Girls, o que eu fiz? É claro que maratonei as sete temporadas disponíveis no serviço de streaming, para conhecer a história antes de conferir A Year in The Life, o delicioso especial lançado no finzinho de novembro. E digo: Lorelai e Rory, mesmo chatinhas, moram em meu coração.

Entre as séries que acompanho junto com a exibição americana, é claro que me deliciei com a eletrizante segunda temporada de How To Get Away With Murder (e com a metade da terceira, que teve aquele final que nos deixou com cara de WTF???), com a décima segunda e metade da décima terceira (sim!!!) de Grey's Anatomy, com a quinta de Scandal e com a temporada inicial de The Catch (que pode melhorar), todas com o dedinho de Shonda Rhimes, seja na produção ou em seus roteiros. Conheci Quantico, que teve uma temporada inicial bem boa e que começou o segundo ano conseguindo renovar sua premissa, e The Real Oneal's, uma comédia divertida sobre uma "tradicional" família americana. E se me decepcionei com Dead of Summer, que foi uma verdadeira bosta, me surpreendi MUITO com American Horror Story: My Roanoke Nightmare, a temporada excepcional que fez a série voltar aos holofotes.

Entre os meus realities de coração, RuPaul's Drag Race continua reinando, e foi um ano ótimo, com a exibição da excelente oitava temporada e com o All Stars 2, que mesmo com o resultado que não agradou muita gente, foi babado, confusão e gritaria nas redes enquanto foi exibido. 

Falando em reality show e em minha compulsão, foi em 2016 que me rendi a Survivor. O reality americano está indo para sua trigésima terceira (uhum, isso mesmo) temporada e ele foi, provavelmente, o programa que mais assisti nesse ano. Duvidam? Foram oito temporadas inteiras e aleatórias que vi (22, 27, 25, 20, 21, 23, 26, 32), me fascinando com cada competidor, cada blind side, cada jogada estratégica. E me deixando feliz porque ainda tenho muito o que assistir enquanto espero pelas duas novas temporadas já confirmadas para o ano que vem.

E pra ser justo com a televisão nacional (e poder usar esse trocadilho), preciso falar de Justiça, a melhor coisa que a televisão aberta brasileira fez no ano. Sim, foi incrível e me fez acompanhar, comentar, torcer, me emocionar. A Globo acertou em cheio com esse trabalho e ganhamos todos nós que podemos assistí-lo.

Cinema

Taí algo em que preciso melhorar em 2017: ir mais ao cinema. Fui muito pouco, vi quase nada de filmes e, confesso, a maioria nem foi na tela grande. Mas o que vi foi muito bom e me arrependo por não ter achado tempo de ir mais para aquela sala mágica que tantas alegrias já me deu na vida.


Em casa, assisti ao documentário Amy: The Girl Behind the Name, Acorrentados, Free Fall, Circle e Time Lapse. Além do filme que encerrou a série Looking e a um curta metragem brasileiro chamado Aceito.

Pois é, dá pra melhorar a minha média cinematográfica e pretendo fazer isso no ano que vem.

Mas, falando de modo geral, foi um ano bem proveitoso, né? Vi e li bastante coisa legal e foi um prazer relembrar de cada uma delas para fazer essa coluna.

Sem mais, me despeço por aqui, afinal, só nos reencontramos de novo no ano que vem. Por isso, um Feliz Ano Novo para todos nós. Que merecemos. E precisamos.

Beijos mil!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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