sábado, 3 de dezembro de 2016

Amor de Mãe - Parte 1





Para Paulo Henrique Brazão

Otávio e Renata eram jovens e inconsequentes quando ela engravidou. Ele tinha 19 anos e ela 17. Garoto de praia, surfista de família abastada, conquistador e lindo como um deus, Renata caiu de amores por Otávio e se deixou levar por seu charme irresistível.

Para Otávio, Renata era só mais uma "peguete" de praia, ele tinha todas as garotas aos seus pés. Mas achou divertido quando soube que seria pai, embora não tivesse a menor noção de toda a responsabilidade que isso acarretaria. O garotão vivia num mundo à parte, com muita praia, surfe, festas, garotas e nenhuma responsabilidade.

Ensaiou um namoro com Renata por conta da gravidez, mas enquanto ela, apaixonada, encarava a gestação e o "relacionamento" com certa seriedade, Otávio continuava levando a mesma vidinha de solteiro convicto, garoto de praia, sem responsabilidades e sempre cercado de garotas.

Renata sabia que Otávio não mudaria tão cedo mas, bem no fundo, alimentava uma ponta de esperança que com o nascimento do filho algo o despertasse para a paternidade e ele desejasse ficar só com ela, casar e constituir uma família. Era um sonho distante, Renata sabia, mas jamais imaginou que Otávio a abandonaria à própria sorte.

Assim que Heitor veio ao mundo, Otávio sentiu a pressão de assumir um filho e logo se deu conta de que ser pai envolvia muito mais que apenas registrar a criança. Definitivamente, não estava disposto a encarar os desafios da paternidade. Achava o bebê uma graça, passava algum tempo com ele nos raros momentos em que não estava na praia surfando ou chapando, mas tudo superficialmente. Quem adorava o pequeno Heitor eram os avós paternos, que o enchiam de presentes e mimos.

Quatro meses após o nascimento de Heitor, Otávio foi convidado para uma competição de surfe na Califórnia e não pensou duas vezes, pegou o primeiro voo e se mandou. Renata ficou revoltada, chorou, praguejou, mas acabou se conformando, embora não perdoasse Otávio. Seus pais ajudaram-na com Heitor, os pais de Otávio depositavam uma polpuda quantia para o menino todos os meses, e Renata estudou, graduou-se, amadureceu e criou o filho com todo o amor do mundo. Tinha verdadeira loucura por Heitor, o que por muitas vezes atrapalhava sua vida amorosa. Desde que se tornou mãe não conseguiu envolver-se seriamente com ninguém, o que de certa forma acabava sufocando Heitor.

Muitos acreditavam que Renata transferiu para o filho a paixão não correspondida por Otávio, que ainda alimentava. Otávio, por sua vez, desde que viajou para a Califórnia, nunca mais apareceu. Esporadicamente correspondia-se com o filho, mandava cartões-postais, enviava presentes. Em datas especiais, como aniversários, conversavam via Skype, e Heitor era obcecado por conhecer o pai pessoalmente, mas ele estava mais interessado em desbravar os mares do mundo.

Em seu 15° aniversário, Heitor ganhou seu melhor presente: Otávio finalmente voltou de sua longa viagem e surpreendeu o filho. Os dois se conectaram imediatamente. Renata, ainda cheia de ressentimentos, não gostou muito daquela aproximação. Ela havia evitado durante todos aqueles anos, desde que Otávio partiu, que Heitor tivesse muito contato com a família do pai, embora tanto os avós quanto o garoto insistissem no vínculo. Ela tinha medo de perder o filho, encantado pelas histórias contadas sobre o pai, para os avós paternos que, mesmo à distância, o enchiam de presentes caros.

O temor de Renata só aumentava com o vínculo entre Heitor e Otávio se estreitando cada vez mais. Otávio tinha voltado para ficar. Estava maduro, mas ainda tinha o mesmo ar jovial do garotão com quem se envolveu na adolescência e, o principal, continuava o homem mais bonito que já conheceu, o tempo encorpou sua beleza. Apesar de maduro, Otávio ainda era um solteirão convicto. Abriu uma oficina de pranchas, ensinou o filho a surfar, azarar as gatinhas, fumar um beck, e chamou o garoto para trabalhar com ele. Mais do que pai e filho, Heitor e Otávio tinham uma relação de grandes amigos. Quanto mais se aproximava do pai, Heitor tinha grandes desentendimentos com a mãe, de quem afastava-se pouco a pouco, até decidir morar com Otávio.

O mundo de Renata veio abaixo, mas não houve argumento que demovesse Heitor de sua decisão. Estava convicto de que a vida ao lado do pai seria um paraíso e não suportava mais a superproteção sufocante da mãe. Levou todos os seus pertences para o espaçoso apartamento que Otávio tinha de frente para o mar e adaptou-se rapidamente à nova vida.

Otávio e Heitor eram dois garotões lindos, sarados e muito atraentes. E conforme os anos passavam, Heitor ficava cada vez mais parecido com o pai, no jeito e fisicamente, não raro sendo confundidos com irmãos. Estavam juntos quase todo o tempo, saíam de balada, dividiam o mesmo baseado e, às vezes, ficavam com as mesmas garotas. Eram cúmplices e se amavam profundamente.

Renata caiu em depressão logo depois de Heitor sair de casa. Internou-se em um spa por vários meses, onde tratou-se com um psiquiatra e muita tarja preta. Mais uma vez teve que lidar com o abandono, primeiro o do pai, depois o do filho. Buscou sair forte de seu tratamento e recomeçar a vida sem a presença constante de Heitor, a quem via muito pouco. Tornou-se uma mulher solitária e tentou lidar com a situação da melhor maneira que pôde.

Heitor parecia desconhecer o significado de ingratidão e mal entrava em contato com a mãe. A vida ao lado de Otávio parecia mesmo um paraíso, e Renata não lhe fazia a menor falta. A harmonia entre pai e filho era tamanha que nada parecia abalar a sintonia entre os dois, nem mesmo a deslumbrante Malena, que entrou na vida deles como um tsunami.

Primeiro Malena conheceu Otávio, que ficou fascinado por ela com seus longos cabelos negros até a cintura, olhos esmeralda e a carnuda boca envolta em um gritante batom vermelho sangue. Malena e Otávio saíam há alguns dias quando ele a apresentou a Heitor. O garoto mal conseguiu disfarçar o encantamento pela nova fêmea do pai. Mas embora já tivessem dividido garotas, Heitor percebeu que essa era diferente, Otávio realmente parecia envolvido por Malena.

Os dias corriam e, enquanto Otávio curtia uma paixão com Malena, Heitor surgia com uma garota diferente a todo momento. Estava tentando desviar seu interesse por Malena, que ficava mais forte a cada dia. Percebendo o interesse do filho por sua namorada, Otávio, que sempre se orgulhou de ser um pai liberal e desencanado, teve uma ideia. Providenciou uma viagem rápida, e durante o período que esteve fora, deixou Malena na casa, sozinha com Heitor. Nada foi armado, mas Malena entendeu o recado e tratou logo de seduzir o "enteado", ela também tinha uma queda por ele. Pai e filho eram de uma beleza estonteante e exalavam um sex appeal de fazer qualquer mulher ter as mais loucas fantasias. Desde o momento que conhecera Heitor, o desejou tanto quanto ao pai.

Otávio era ótimo na cama, sabia todos os truques para fazer uma mulher ter múltiplos orgasmos e chegar ao êxtase diversas vezes numa mesma transa, mas o fogo ainda adolescente de Heitor, no auge de seus 19 anos e com o tesão de semanas acumulado por Malena, fez com que eles passassem dois dias inteiros fazendo sexo quase ininterruptamente pela casa inteira, parando apenas para se hidratarem com água, cerveja, refrigerante ou o que encontrassem por perto. No terceiro e último dia antes de Otávio voltar para casa, momentaneamente saciados de sexo e mortos de fome, prepararam uma farta refeição juntos, para recuperarem as energias, conversaram, gargalharam, puxaram um 4:20 ao som de Jack Johnson e caíram no sono, como não faziam há 48 horas.

Acordaram com a chegada de Otávio, que os contemplava jogados no chão da sala abraçados e seminus, oferecendo café da manhã. Heitor, meio assustado, levantou num pulo, enquanto Malena tranquilamente o cumprimentava com um abraço e se dirigia ao banheiro.

Heitor sentiu-se constrangido e tentou justificar-se, mas Otávio tranquilizou-o.
Relaxa, moleque! Eu sabia que você estava doidinho por ela, e não podia ser egoísta de não deixar você experimentar essa deusa. Mas agora que você já curtiu, desencana e parte pra outra. Malena é minha, falou? Agora vai lá, toma um banho com a gata, se despede, e venham tomar café comigo!
Heitor ficou aliviado e um tanto quanto confuso. A experiência com Malena tinha sido diferente de todas que já tivera com qualquer mulher, sentiu-se íntimo e conectado com alguém do sexo oposto pela primeira vez. Era diferente, e ele não queria parar. Também não queria entrar em atrito com o pai. Não podia deixar que a disputa por uma mulher botasse a perder a forte relação que construiu com ele nos últimos quatro anos. Sabia que Otávio estava envolvido por Malena, mas ele também estava. O jeito era chegarem a um denominador comum.

Malena dividiu-se secretamente por algumas semanas entre Otávio e Heitor. Adorava o sexo experiente e seguro do pai e o sexo selvagem e afoito do filho, era o melhor de dois mundos. Mas Heitor era o amante, e já não suportava mais enganar o pai. Otávio sabia de tudo, mas fingia que não. Uma relação daquelas, assumidamente aberta entre os três, poderia ser demais até pra ele, que considerava-se absolutamente amoral. Também não queria pôr em risco o caso com Malena, estava enfeitiçado por aquela mulher e era capaz de tudo para não perdê-la. Para ele era cômodo fingir, não sentia ciúmes do filho, e todos ficavam satisfeitos e felizes com aquela situação. Mas Heitor estava atormentado, sentia-se desleal ao pai, não queria abrir mão de Malena, mas precisava abrir o jogo com Otávio.

Numa conversa franca de pai pra filho, Heitor confessou tudo o que Otávio já sabia, e sentiu-se o cara mais feliz do mundo quando o pai aceitou sua proposta: dividirem Malena, sem que ela soubesse que estava sendo dividida de comum acordo. Malena continuaria acreditando ser a namorada oficial do pai e a amante do filho, o que não parecia incomodá-la. Porém, não demorou muito para que a morena descobrisse o trato dos dois, ao ouvir sem querer, uma conversa animada entre eles, sobre sua maravilhosa performance sexual.

Desmascarados, Malena manifestou sua indignação e foi embora. Otávio e Heitor tentaram impedi-la, mas não teve jeito. Ela sumiu por duas semanas. E nesse período, pai e filho quase enlouqueceram. Malena era como um vício, nicotina, crack. Ela era embriagante e hipnotizante. Viviam há seis meses aquele triângulo vicioso e não sentiam falta de nenhuma outra mulher. Tentaram levar outras pra cama, mas fracassaram. Otávio brochou e Heitor não conseguiu gozar. Era Malena que eles queriam, e fariam qualquer coisa para tê-la de volta.

Ao fim de duas semanas, Malena reapareceu com uma proposta. Já que os dois a desejavam tanto, teriam que ir até as últimas consequências. Transariam os três, num incestuoso ménage à trois, e realizariam todas as fantasias dela: bondage, bukkake, chicote, velas, dupla penetração e toda sorte de perversões que sua mente pudesse pensar. Do contrário, ela iria embora e nunca mais nenhum dos dois a veria.

Seriam as condições de Malena um teste, vingança ou puras e simples fantasias de uma mulher sedenta por sexo e por aqueles dois homens? Otávio e Heitor hesitaram por instantes, mas diante da possibilidade de nunca mais vê-la, aceitaram suas imposições. Pela primeira vez estariam juntos com a mesma mulher na cama, e isso era uma faca de dois gumes. Seria algo extremamente excitante ou terrivelmente perigoso.  
...continua...
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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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Um comentário:

Aconteceu disse...

Hummmmmm,vamos aguardar.................