sábado, 10 de dezembro de 2016

Amor de Mãe - Parte 2 (Final)




Para Paulo Henrique Brazão


Na primeira vez, começaram timidamente. Malena conduziu a ação, como num filme. Mais do que sexo, ela queria uma performance à três. No quarto, fez com que Otávio sentasse em uma poltrona e apenas observasse o filho com ela. Antes, entregou a ele seu iPhone e pediu que filmasse tudo.

Malena simulou uma cena de estupro. Ordenou que Heitor puxasse seu cabelo, batesse em sua cara e a arranhasse, enquanto ela fingia não querer ser possuída. Aos poucos, Heitor foi entrando no clima e quando Malena começou a agredi-lo, repelindo-o, para que ele reagisse, o primeiro tapa veio em um sonoro estalo, derrubando-a na cama. Otávio assustou-se e fez menção de intervir, mas a garota fez sinal para que ele não interrompesse e continuasse filmando.

Malena interpretava seu papel muito bem, resistindo às investidas de Heitor num corpo a corpo que a Otávio pareceu longo demais. Malena chutava Heitor, empurrava-o com os pés a cada investida. Em dado momento, Heitor sussurrou:

Eu não quero te machucar.
- Me machuca! - ordenou Malena.

Louco de tesão, Heitor rasgou a calcinha de Malena, imobilizou-a e estocou sua vagina como nunca antes, seu pênis parecia que ia explodir. E Malena gritava e clamava por ajuda. Um certo incômodo tomava conta de Otávio, a cena parecia tão real, e ao mesmo tempo seu membro latejava de excitação sob a cueca totalmente melada. De repente, os gritos de Malena viraram gemidos baixos e sensuais. Heitor continuava penetrando-a com sofreguidão. Ela enlaçou-o pelas pernas e ele não parava, como num transe, os movimentos continuavam frenéticos. Afogado entre a nuca e os longos cabelos negros de Malena, fudendo-a como uma cadela no cio, Heitor ouviu um murmúrio. Com o queixo encaixado no ombro direito dele, enquanto era comida com força, olhando para Otávio com os olhos esmeralda realçado pelo rímel preto, repleto de dor e sofrimento, Malena suplicou:

- Papai me salva, seu filho tá me violentando. Tira ele de cima de mim!

Otávio entendeu o recado e num rompante arrancou Heitor de cima de Malena, com quem estava entrelaçado. O coito interrompido provocou dor física no garoto que, obedecendo às ordens dela, sentou-se onde antes estava o pai e, mortificado de tesão, masturbou-se intensamente ao ver Malena arrancar a cueca de Otávio e lamber lentamente sua glânde babada, sorvendo-a como se fosse mel, até engoli-la por completo. O gozo farto de Otávio inundou o rosto, os lábios e a garganta de Malena, quase ao mesmo tempo em que Heitor esporrava por sua barriga e coxas abaixo.

O primeiro ato daquela brincadeira sexual chegava ao fim, conforme as regras de Malena. Otávio e Heitor queriam mais. Apesar da pitada hard, haviam curtido e estavam curiosos para saber até onde a deliciosa e pervertida mulher seria capaz de chegar.

Na vez seguinte, Heitor gravou tudo. Malena agora era a dominatrix que abusava de Otávio, algemado à cama e resistindo a dor imposta através de vela derretida que Malena salpicava sobre seu peito, e chicotadas. Com os olhos vendados e totalmente imobilizado, Malena sentava na cara de Otávio, obrigando-o a fazê-la chegar ao orgasmo apenas com a língua. Quando achava que seu escravo sexual estava muito devagar, derramava vela derretida próximo ao pênis, na virilha ou no púbis. Heitor divertia-se com a situação, enquanto gravava. Conforme a dor aumentava, a língua de Otávio trabalhava em ritmo mais intenso e, entre chicotadas, velas e pequenos sufocamentos, fez Malena gozar como alguém que atinge o clímax pela primeira vez.

Foram noites seguidas assim. Otávio e Heitor não sabiam mais o que era transar com Malena sem a presença um do outro, e estavam satisfeitos. Porém, levou-se alguns dias para que os três de fato fossem para cama juntos. Até então, pai ou filho gravava a ação, enquanto Malena realizava uma fantasia com um deles. A temática da grande noite, para qual Malena vinha preparando pai e filho pouco a pouco, foi cheia de charme e sedução. Vestida de odalisca, como se encarnasse Sherazade para contar sua última história, espalhou véus, almofadas, pétalas de rosa e essências pelo quarto, que davam o tom que ela queria imprimir àquele momento. Seria uma noite de muito prazer, e sem dores, ao menos física.

Malena hipnotizou Heitor e Otávio com a dança dos sete véus, faceta até então desconhecida por eles. Malena era uma mulher surpreendente, e os últimos dias tinham sido um turbilhão de excitantes emoções para ambos, cada vez mais envolvidos e embasbacados por aquela mulher, que tirou peça por peça de seu sensual vestuário até ficar nua em pelo. Nenhum deles podia tocá-la até que ordenasse.

Na cama, tocava-se sensualmente. Os dedos passeavam da boca, que os umedecia, até a vulva, quase lubrificada, e lá ficavam num sexy e suave entrar e sair. Otávio e Heitor, como dois cães obedientes e famintos, aguardavam excitados apenas um sinal dela para começarem a devorá-la, o que não tardou. Após um sôfrego e cheio de desejo: Vem!, pai e filho serviram-se do banquete que era Malena.

Otávio explorava as costas e nuca de Malena, enquanto Heitor saboreava seus seios. Ela o masturbava, ao mesmo tempo que Otávio estimulava seu clitóris, com as mãos grandes e macias, os três ajoelhados na cama. Com o pau de Otávio entre seus seios, Malena sentia a língua de Heitor encharcar seus grandes lábios. O pai penetrou sua xoxota no exato momento em que o filho recebia seu boquete voraz. Depois, foi a vez do filho penetrá-la na frente, enquanto o pai fazia o mesmo por trás. Sanduíche de gente, como na música de Rita Lee. Mas Malena queria mais, queria sentir os dois dentro dela como irmãos siameses. Na dupla penetração vaginal, Malena sentiu-se completa. Os três beijavam-se, consumidos por um desejo animalesco irracional. Otávio e Heitor ficavam mais excitados conforme sentiam o atrito de seus pênis rasgando Malena. E ela sentia que o membro de ambos parecia crescer cada vez mais dentro dela.

Malena afastou o rosto, enquanto era beijada pelos dois, e as bocas deles encontraram-se naquele transe sexual. Pai e filho beijaram-se com ardor, mal percebendo que Malena se desvencilhara deles. Sentada na poltrona, observando pela câmera estrategicamente posicionada para registrar tudo, Malena assistiu impassível, pai e filho consumirem o ato sexual entre si e explodirem num gozo farto encharcando os lençóis de seda especialmente escolhidos para aquela noite.

Exaustos e zonzos, adormeceram. Malena guardou seu iPhone, tomou uma ducha, vestiu-se e foi embora. Pela manhã, ao entenderem friamente a dimensão do que fizeram, a vergonha e a culpa tomaram conta de Otávio e Heitor. Depois do banho, recompuseram-se, mas não trocaram palavra. Na mesa do café, não conseguiam se encarar. Otávio foi trabalhar e Heitor tentou pegar umas ondas, mas não conseguiam parar de remoer os acontecimentos da noite passada. Estavam tão absorvidos e atormentados por aqueles pensamentos, que só perceberam a estranheza do fato de Malena ter ido embora sem falar com eles, no final do dia, quando voltaram pra casa.

- Tô tentando falar com a Malena, mas só dá caixa postal. Você conseguiu falar com ela hoje?
- Não Heitor, nem tentei, e é melhor assim.
- Melhor por que? Depois de tudo o que aconteceu? Malena foi maravilhosa!
- Você se deu conta do que aconteceu, Heitor? A que ponto fomos capazes de chegar por uma obsessão a essa mulher?! Você percebe a gravidade da situação?
- Você tá exagerando. O que aconteceu foi só um deslize, fomos levados pelo embalo. Não somos pervertidos e nem gays por isso!
- Foi incesto! Foi horrível, pô! Você é meu filho!
- Então esquece isso e me deixa esquecer também. Se você esquecer, eu esqueço, a gente finge que nunca aconteceu.

Otávio tentou esquecer, mas o sentimento de culpa não o abandonava. Para agravar a situação, Malena havia desaparecido sem deixar rastros e, embora se sentisse menos pior sem tê-la por perto, o desespero de Heitor com o sumiço dela o mortificava. O rapaz não se conformava e não conseguia entender os motivos de Malena. Otávio argumentava, tentava ponderar sobre os rumos tortuosos que a relação dos três tinha tomado e que a distância dela era a melhor coisa naquele momento. Mas Heitor não se conformava.

Impressionado com a forma que Heitor lidou com a relação incestuosa que tiveram, sem dramas, como se tivesse bloqueado da mente o episódio, enquanto que ele não parava de se torturar, Otávio decidiu ir embora. Deixou a oficina para o filho, pediu que voltasse a viver com sua mãe e, mais uma vez, saiu pelo mundo sem previsão de volta.

Heitor ficou arrasado, sem Malena e sem o pai, não tinha estrutura emocional para viver sozinho. De uma hora para outra, em um curto espaço de tempo, a vida perfeita que acreditava ter ruiu, e ele voltou à casa da mãe como um filho pródigo. Fechou a oficina e deixou-se ser cuidado novamente por Renata, que fez de tudo para que o filho não se entregasse a uma depressão.

Poucos dias após voltar para a casa da mãe, atendeu um telefonema misterioso, enquanto do outro lado da linha havia apenas uma respiração que nada dizia.

- Quem era, meu filho?
- Trote, eu acho. Ninguém disse nada, mas eu ouvi uma respiração.

Minutos depois, Renata verificou uma mensagem no celular, acompanhada de várias chamadas não atendidas, e saiu de casa imediatamente. Em um café, encontrou-se com Malena.

- Eu não disse pra você não ligar na minha casa, o que que é, ficou louca?
- Fiquei sim, louca pelo meu pagamento. Você não atende a porcaria desse celular!
- As vezes ele fica no silencioso e eu não tô com ele por perto.
- Trouxe o dinheiro?
- Claro que sim. Não quero você me rondando o tempo todo. Pega isso, e me deixa em paz, desaparece!
- Nossa, você devia ser mais agradecida, afinal, eu cumpri nosso plano à perfeição. Seu amado filhinho voltou pros seus braços, e de bônus, o Otávio sumiu no mundo. Modéstia a parte, eu arrasei nesse trabalho!
- Eu tenho até medo de imaginar o que você foi capaz de fazer pra obter esse resultado.
- Fui profissional, tá legal. E cumpri com o nosso combinado. Agora, se você quer saber em detalhes o que eu fiz, tá tudo aqui nesses DVDs.
- O que é isso?
- Fiz questão de gravar tudo, caso você queira conferir do que pai e filho foram capazes de fazer por minha causa.
- Isso não foi combinado. Você gravou o que, as transas que teve com meu filho e o pai dele esses meses todos?
- Não. Só as transas das últimas três ou quatro semanas.
- Você acha que eu vou querer ver isso? Você é uma pervertida mesmo!

Renata arrastou a cadeira e levantou-se da mesa bruscamente, deixando os DVDs. Malena agarrou-a pelo braço e foi incisiva.

- Olha aqui, pervertidos são o seu filhinho e o amado pai dele, por quem você é apaixonada até hoje, e por isso, é encruada, mal amada e foi capaz de pagar uma puta pra executar um plano sórdido e ter de volta um moleque mimado, cafajeste e ingrato, que na primeira oportunidade cuspiu no prato que comeu e virou as costas pra você. Eu fiz o que achei que eles mereciam, mas na verdade só desencadeei um desejo que estava encubado há tempos dentro deles. Fiz por vaidade também, pra provar a mim mesma que era capaz de manipular um homem a fazer qualquer coisa por mim, nesse caso, dois homens. E principalmente, fiz por vingança. Vingança contra todos os homens que me trataram como nada a vida inteira e me fizeram chegar nessa vida onde me encontro hoje. É, dona Renata, em certo momento, seu plano se tornou algo pessoal pra mim, e foi muito prazeroso executá-lo, em todos os sentidos.
- Mas o que você fez, afinal? - Renata indagou, já apavorada com a suposta resposta.
- Assista os filmes. Te indico ir direto pro último, é o mais interessante!

Malena enfiou os DVDs dentro da bolsa de Renata, pegou seu derradeiro pagamento e partiu.

Em casa, Renata queimava por dentro com a dúvida sobre assistir ou não aos DVDs. Pensou em incinerá-los, mas a curiosidade a consumia. 48 horas depois, num momento em que Heitor não estava por perto, botou o DVD pra rodar, foi direto para a última gravação, como Malena indicara, e perdeu o chão. Sentia um horror que desconhecia, e as lágrimas, acompanhadas por urros de remorso, desciam copiosas. Não viu o filme até o fim. Juntou todos os DVDs o mais rápido que pôde e fez uma pequena fogueira no jardim. Queria desaparecer com aquilo, antes que Heitor retornasse.

Quando voltou, Heitor encontrou a mãe na cozinha preparando o jantar. Renata ainda chorava, enquanto cortava os tomates. Heitor preocupou-se.

- Mãe, você tá chorando?

Largando a faca e os legumes na pia, Renata agarrou-se ao filho, e em mais um acesso de choro, pediu perdão a ele. Heitor não entendeu nada, mas também estava frágil e carente. Retribuiu o abraço da mãe e deixou que o choro represado viesse à tona. 

Ele não queria estar ali. Sentia falta de Malena e de Otávio, mas a mãe, aquela chata, era tudo o que lhe restara.
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Caríssimos leitores que me acompanham todos os sábados, este é meu último texto do ano. Estou me afastando para um pequeno recesso, mas em janeiro estarei de volta, se assim o universo permitir. Até lá, meu interino Maurício Rosa, que vocês já conhecem, ocupará este espaço aos sábados, com seus textos incríveis!

Fiquem bem, feliz Natal, feliz Ano Novo e não esqueçam de mim!

Até 2017 ; )

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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