domingo, 18 de dezembro de 2016

Carta Para Alguém que Nunca Existiu





Eu mudei.
Parei de pensar em Deus
Assisto seriados melosos sabendo que vou chorar
Não me desespero por não estar fazendo nada
E não pensava em você há mais de um ano, eu acho.

Agora estou formada
Mas sem rumo
Acho que mesmo quando as coisas estão em ordem, minha vida não tem rumo
Tenho duas gatas (vivas e saudáveis)
E uma delas quer me matar

Tenho três ex-namorados
O último era o meu melhor amigo e minha pessoa preferida no mundo
e agora é só alguém que danificou minha saúde mental.

Discuto sobre política, apoio minorias e não aceito nenhum tipo de comentário preconceituoso; você nunca seria meu amigo.
Ou melhor, eu nunca seria sua amiga.
Porque eu tenho excesso de razão.
Acho que eu sempre tive, na verdade.

Sou mais chata que antes
Estou potencializada
Não tenho mais vergonha de mim
Não quero ser esquecida
Acho que mereço tanto respeito como qualquer outra pessoa
E acredito que todas as pessoas que me conheceram (e as que vão conhecer) deveriam levantar as mãos para os céus e agradecer.

Tenho orgulho de quem estou me tornando
Ainda sou sensível
Mas não sou triste
Acho que sempre só fui sensível.

Eu choro só por achar bonito
Eu fiz terapia
Eu sempre preciso conversar sobre algo
Eu perdi amigos
Ganhei outros que valem por mil.

Tudo o que eu valorizo é muito claro pra mim
E é muito claro como sou adorável
Como as coisas que eu valorizo são o que me tornam adorável.

Sobre você
Eu nunca soube de nada.

Eu achei uma mensagem na minha caixa de Spam do Facebook e era de uma pessoa que me chamava de querida.
Só consegui pensar em você.
Nenhuma outra pessoa me chamou ou chama de querida.

A mensagem tem um ano e meio e o perfil do Facebook não existe mais.
Ainda acho que era você.

Eu também nunca mais sonhei com você.
Eu desacreditei de tudo o que você me disse
E eu só sei que você existiu
Porque eu cansei de me responsabilizar por sua incoerência
Eu não te inventei
Você existiu e foi um babaca.

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Leandro Faria  
Joelma Vasconcelos: baiana, criada em São Paulo, 23 anos, formada em Letras. Fundadora do clube: Pessoas que se Importam Demais (e as vezes à toa) Anônimas. Aceita novos membros. Apaixonada pela educação, arte, cultura e seres humanos. Adora escrever sobre sentimentos, pois acredita que os sentimentos são sagrados, mesmo que os seres humanos não sejam.
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