terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Definitivamente, Não Seja Essa Pessoa!





Eu sei que eu sou uma pessoa muito chata, tá? Já vou começar assim, porque é bom a gente admitir os nossos defeitos (mas só de vez em quando, que é pra não assustar todo mundo). Mas gente... Tá, tá bom, vou explicar. Eu trabalho com três mulheres, e eu AMO trabalhar com mulher, sempre me dei super bem com a maioria, e a minoria... bem, era indiferente pra mim, mas sempre gostei, mais até do que trabalhar com homem, com quem já tive o mesmo problema que vou comentar aqui, ou seja, não é algo exclusivo das mulheres.

Tá, vamos lá. Eu sou gay, muito bem resolvido com minha sexualidade, amo Rafael, e não tenho problema em dizer pras pessoas que sou gay, que tenho namorado (claro, se me perguntarem, não vou sair comentando num megafone), e acho super natural comentar, quando me perguntam: "Ah, você namora?"

Ok. Primeiro dia de trabalho. Cidade nova. Tudo novo. Eu tava morrendo de medo, de verdade, nervoso, arrepiado, enfim. Cheguei no trabalho. Fiz algo aqui, algo ali, quando, de repente, minha colega de trabalho diz que o namorado dela não quer mais fazer sexo com ela. Minha reação?


Eu juro que fiquei assim, gente! Nunca tinha visto a mulher na minha vida, e já na primeira ela me lança esse tipo de informação? E daí começou a me perguntar se todo homem era assim, se o problema era com ela, que ela adora transar quando tá menstruada, esse tipo de coisa. E eu seguindo com a mesma reação do GIF acima. MAS SOBREVIVI. 

Precisei trabalhar com outra das moças da equipe. Nada tão explícito quanto, mas na primeira oportunidade ela virou pra mim e disse: "Aqui, me dá uma ajuda, já que você é gay e tem a mente afeminada, pra essas coisas de moda, eu...".

Eu parei ela logo depois do "coisas de moda", levantei o dedo e disse, com toda a minha preguiça: "Não... Pode parar por aí..." (sério, eu tava com muito sono). E continuei: "Não é porque eu sou gay que eu entendo de moda não, tá?", assim, na maior tranquilidade, sem agredir (embora quisesse). E desde então a garota me faz de muro das lamentações todo santo dia, eu dando ideia ou não, só porque eu sou gay. "Por que gay é sempre tão sincero?", "Você acha que meu ex tá me provocando?", "E essa roupa, acha que ficou boa em mim?", "O que você achou da minha franja?", "Reparou na minha franja?". E eu lá:


Eu quero deixar bem claro aqui que eu não sou heteronormativo (nem de longe), muito menos tenho preconceito com gay afeminado, tá? Acho que os afeminados são nossos grandes heróis, que dão a cara a tapa todo dia, com muita coragem. O que eu quero deixar claro aqui é que esse pensamento de "Já que você é gay, você entende de moda, você se veste bem, você dá bons conselhos, você é legal, você vive sorrindo o tempo todo, você tem a mente afeminada, você é comunicativo" e etc é muito ruim. 

Repetindo o que eu disse no começo do texto: eu sou uma pessoa muito chata. E outra, não é que eu seja antissocial, mas não é com todo mundo que eu quero fazer amizade, criar vínculo, muito menos trocar intimidades e, MENOS AINDA, ouvir lamúria de gente que eu nem conheço, só porque trabalho junto. Entendem? É como disse o Vitor Uchoa, que tá lá no meu Facebook: "Vou mandar fazer uma camiseta: 'Não é porque eu sou gay, que eu sou psicólogo.'", porque olha, é foda. 

Você quer mandar pra puta que pariu, pra casa do caralho, pro raio que o parta, mas não pode, porque é novo na cidade e precisa trabalhar. Aliás, já bloqueei todo mundo no Facebook também, porque não quero criar vínculo, porque eu não quero (e não preciso) saber que você caga entre duas e três da tarde todo dia, ou que tá menstruada, ou que seu namorado é um escroto e isso e aquilo. 

Portanto, não seja essa pessoa que já chega compartilhando informações não pedidas com quem você está vendo pela primeira vez, ou não tem tanta intimidade assim, porque a chance de você levar um fora é muito, mas muito grande. Independente da orientação sexual do(a) ouvinte. 

Tá com vontade de contar sobre a sua vida pra estranhos? Faça como eu, entre pra um blog, crie o seu, e conte pra todo mundo o quanto você come por dia, ou que roupa está vestindo... Crie um canal no YouTube! Hoje em dia qualquer um é youtuber nessa porra. Eu mesmo quase já fiz um canal. Viram como é fácil? Então repitam comigo: "Não é porque ele(a) é homossexual que ela(e) é psicólogo!"

P.S.: Eu coloquei 'o' e 'a', mas usem os artigos da preferência de vocês, tá? Beijão, tchau tchau. E não esquece de dar joinha e se inscrever no canal. Até o próximo vídeo. 

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, aparece por aqui toda terça-feira, munido de sarcasmo, mau humor, ironia, café, vinho e cerveja, afinal, ninguém é de ferro. Gosta de passeios na praia e de assistir o pôr-do-sol, enquanto espera Olivia Pope aparecer e recrutá-lo para ser um Gladiador de Terno. Fala umas coisas bonitinhas de vez em quando, mas só de vez em quando!
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