sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Dezembro Chegou, Finalmente!





O último mês do ano é o que mais gosto, pois tem cheiro de festa e está sempre iluminado pelo sol (ou quase sempre).  Nasci no dia 4 de dezembro, dia de Iansã sincretizada com Santa Bárbara, orixá dos ventos e raios.  Coincidências à parte, sempre chove.  Quando pequeno, ficava torcendo para que a tempestade não prejudicasse a festinha do aniversário.  O temporal desabava e, ao entardecer, formava-se um imenso arco-íris no horizonte, que considerava mágico: nuvens negras, relâmpagos estroboscópicos e tonitruosos trovões que, de repente, eram transmutados em pinceladas expressionistas no meio do céu. 

Este ano, a cena se repetiu: fiquei preso no dilúvio e quase cheguei atrasado na minha própria festa-surpresa-Minion que meus amigos prepararam.  No fim, deu tudo certo.  E o grande arco-íris voltou a emoldurar o firmamento.    

Em dezembro ganhamos mais abraços, comparando com todos os outros meses do ano.  As pessoas ficam mais emotivas e solidárias sob as luzes cintilantes.  E também ficam mais afobadas.  Parece que todos correm em uma maratona contra o próprio tempo.  Tenho a impressão de que a contagem regressiva para o ano que se inicia não se dá às 23:59 do dia 31, mas sim, a partir do próprio dia 1º de dezembro.

Apesar de toda a magnitude, dezembro também tem coisas insuportáveis. Então é Natal, a aterradora versão de Simone para So this is Christmas, de John Lennon e que roda em looping na Lojas Americanas é hors concours.  Em seguida vem o jingle da Leader Magazine e os Papais Noéis insossos dos shopping centers, que fedem a cecê naqueles pesados veludos vermelhos no calor intolerável e que no fim do dia estão mais é querendo degolar tal qual um Gengis Khan versão Lapônia, cada criança histérica que senta ao seu lado.

Mas o pior de tudo são aquelas detestáveis “caixinhas de Natal” e os tais “livros de ouro” que nos são entubados coercitivamente.  Existem contribuições para o porteiro do prédio, para o segurança e para a recepcionista do seu trabalho, para o entregador do jornal diário, do carteiro que entrega sua conta de luz e a fatura da assinatura da TV (impressionante como eles se tornam dois, três ou quatro), da empacotadora da padaria, do açougueiro, do entregador do Mr. Pizza e do I-Food... Gente que você nem sabia que existia no planeta ou jurava que era um figurante do clip de Thriller surge ou ressurge em dezembro por causa das malditas caixinhas.  Outro dia, a minha avó tinha dado 20 reais para o entregador do O Globo.  Fiz um escândalo.  Onde já se viu isso?  Se todos do prédio e da rua contribuíssem com esse valor, ele estaria feito na vida.

E aquelas horripilantes coreografias realizadas pelos funcionários das lanchonetes que cantam e dançam quando recebem caixinhas gordas?  G-Zuis...  Acredito que as pessoas que contribuem fazem isso de sacanagem só para que eles possam repetir aquele mantra constrangedor tal qual um atendente do Outback cantando parabéns para o cliente na mesa.

obrigado pela caixinha gordaaaaaaa... Feliz Natal e um próóóóóóspero ano novooooo... hohoho” que se mistura com o “parabéns para você, heeeey

O horror, o horror. 

Pois então... Já que esse ano não teremos engarrafamentos bíblicos por causa da árvore da Lagoa (que vergonhosamente não será montada depois de 20 anos consecutivos), é chegada a hora de retirarmos a caixa empoeirada de cima do armário, desembaraçarmos por quatro horas os dois quilômetros de pisca-pisca velho e montarmos a nossa tradicional árvore no canto da sala.  
    
Dezembro chegou, pessoal.

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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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