sábado, 17 de dezembro de 2016

Elis Regina: Uma Ode à Vida





Ainda estou sob os efeitos da biografia Elis Regina - Nada Será Como Antes (Editora Master Books), do jornalista Júlio Maria. Terminada a leitura, saio sem fôlego da vida de uma artista sensível, inteligente, intensa e, sobretudo, apaixonada por seu ofício.

Elis Regina tinha  gana  de  viver,  por  isso  não  calculava  perdas  e  danos, apostando  sempre  no que  acreditava  e  permitindo-se  mudar  de  opinião  para reinventar-se sempre que sentia necessidade. Uma mulher que não viu da areia nem boiou no raso: Elis mergulhou fundo, como que prevendo a curta vida que teria (morreu aos  36 anos).  Fez  um  disco  a  cada  ano - às  vezes,  dois -, realizou  espetáculos memoráveis a cada temporada e, entre discos e temporadas, três filhos.

Amou, danou-se, acertou e errou no ritmo de um ciclone, sem tempo para ficar em  cima  do  muro ou  ver  a  banda  passar.  Absurdamente  insegura,  apesar  de  ser  a maior  cantora  do  país  (ou justamente  por  ser  a  maior),  Elis  se  revelava  a  cada interpretação - uma estranha entrega onde a cantora e a mulher eram perigosamente postas em cena, sem concessões. Muito longe do proscênio, a artista se dissipava com os aplausos e dava espaço à mãe de dedicada vida doméstica e à esposa (por vezes, tão dilacerada pelos traumas de um coração sempre em conflito).

Agora que terminei o livro, saio com uma certa sensação de urgência de vida, de amor, de realização de desejos. A consciência da fugacidade das coisas pode ser tão chocante quanto libertadora. 

Elis quando  cantava  que  queria  “destilar  as  emoções”  não  estava  de brincadeira. Ela teve uma trajetória tão ligeira quanto profunda, de falsos e verdadeiros brilhantes, capaz de cantar o Brasil e a si mesma com tamanha plenitude que deixou suas digitais na História como a mais completa cantora que se teve notícias por aqui. 

Ninguém duvida, meu caros: Elis foi, e é, a melhor de todas.

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Leandro Faria  
Maurício Rosa é poeta ocasional e brinca com as palavras pra produzir textura e emoção. Tem 24 anos e persegue uma dramaturgia para o desenredo desse mundo. Pisciano, destro, cinéfilo e eterno amante das mulheres da arte.
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