quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Mais Empatia, Por Favor!





Fim de ano chegando e aquela onda de boas coisas invadem as ruas, as televisões e as timelines. É tanta positividade, tanto espírito natalino, que a gente até pergunta: por onde andou tudo isso durante todo o ano? Estava adormecido nas entranhas da humanidade ou não passa de mera figuração para um período em que se cobra um senso de confraternização?

Ontem, ao receber felicitações de fim de ano de uma amiga junto com um presentinho mimoso, recebi dela os sinceros desejos de um 2017 “com mais empatia”. E é exatamente sobre isso a questão.
Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. 
É tudo o que falta para boa parte da humanidade durante quase todo o ano...

Assim como a chegada de um novo ano vem para nos lembrar de que temos uma grande oportunidade de fazer muitas coisas diferentes, com novo gás e novas metas, a aproximação do Natal é uma oportunidade de lembrar aos que não praticam muito, que boa parte da essência do ser humano passa pela empatia, pela alteridade, pelo altruísmo. Infelizmente, ainda precisamos desse lembrete.

Também, infelizmente, vemos tantas pessoas que se dizem cristãs terem comportamentos tão desconformes em seus cotidianos e que, nessa época, buscam esbanjar bondade. Vou te contar que tenho alguns bons amigos ateus e acho que todos eles, sem exceção, são pessoas que buscam ter comportamentos sempre mais humanos – talvez justamente por não acharem que depois basta ir à igreja rezar ou pagar o dízimo e ficará tudo bem. Como ressaltei aqui no meu texto da semana passada, Cristo, o tal homenageado da data, foi quem nos disse para amarmos o próximo como a nós mesmos. Lamentavelmente, muitos outros valores parecem ter atrapalhado essa ideia em cerca de 2 mil anos.

Os mesmos mendigos que são completos indigentes durante 11 meses a fio, agora recebem olhares e ganham até alguma esmola ou prato de comida; os orfanatos onde poucas pessoas se esforçam para conter ano após ano os surtos de doenças, piolho, sarnas e abandono recebem brinquedos, alimentos e ganham até uma festinha; aquela parte da família que muitas das vezes não se manda nem parabéns por WhatsApp vem e se senta à mesa da ceia com os clássicos questionamentos sobre as namoradinhas e as piadas do pavê.

São lampejos. Como todo lampejo, melhor do que nada. Mas, ainda assim, que belo seria se, em vez de exceção, fossem regra.

Que tenhamos, realmente, mais empatia no próximo ano. 

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor dos livros Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades e Perversão. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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