quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Nem Todo Término é um Fracasso





Jout Jout e Caio terminaram, mas foi essa frase que uso como título que ficou presa na minha cabeça depois que assisti ao vídeo sobre o fim do relacionamento amoroso deles. Sim, o que terminou foi o relacionamento amoroso entre os dois, mas o amor, respeito e, ainda, a relação que eles possuem, continua. Ao menos é isso que o vídeo deixou a entender. 

Relacionamentos acabam, isso todo mundo sabe. Às vezes não queremos acreditar. Mas o fim existe e pode não ser tão penoso ou tenso como se imagina. O vídeo é triste, mas ao mesmo tempo é lindo. Achei de uma sensibilidade ímpar e não me surpreende ter sido feito logo pela Jout Jout. Se o roteiro foi elaborado entre os dois e se Caio foi o diretor desse vídeo, isso torna tudo ainda muito mais poético. Mas se não foi, tudo bem também.

Se 2016 tinha algo para me ensinar, com toda certeza o assunto era esse: término. Quando Leandro e Alexandre terminaram, foi um choque pra mim. Conheço o Leco tem alguns anos. Conheci esse meu amigo solteiro e vivemos tantas noites inesquecíveis que quando Alexandre se juntou na equação, no início, foi estranho. O coitado passou por uma noite de interrogatórios comigo. Hoje acho graça, mas no dia me senti um amigo defendendo o outro e tentando descobrir as “intenções verdadeiras” do novo sujeito. O tempo passou e me vi apegado ao Alexandre e na nova dinâmica que os dois tinham. E saber que aquilo tinha terminado foi horrível de ler. Mas minha preocupação foi em saber como meu amigo estava. Como os dois estavam. E eles estavam bem. 

Ver que o fim de uma relação não transforma ninguém em mocinho ou vilão é maravilhoso. Não é preciso odiar alguém que tocava seu corpo e dividia a cama com você só porque o relacionamento chegou ao fim. Pode parecer um pensamento lógico, mas sabemos que no lugar de regra isso é uma exceção. Só que esse comportamento é mais do que utópico; é possível, é real, palpável. Vi isso com meus próprios olhos. E não me entendam mal, mas achei lindo. 

Acredito que no fundo era isso que sempre me impedia de me aventurar em assumir algo mais sério e firme com alguém. Sim, obviamente já namorei, mas foram relações que dava para ver de cara que não daria muito certo. Não existia um futuro. Sentia medo de acabar e sentir raiva da outra pessoa. De mim por ter me relacionado com ela. E odiar tudo o que passamos juntos. Só porque acabou. Mas isso não é preciso. Relacionamentos existem aos montes e acabam aos milhares, mas o fim não precisa significar o esquecimento do que se viveu. Não se apagam seis anos. Não se apaga o carinho que se sentia por alguém; apenas o carinho se transforma em algo mais fraterno. 

Caio e Júlia terminaram. Leandro e Alexandre também. Outros casais de conhecidos tiveram seu fim nesse 2016, mas alguns outros começaram a namorar e tentar dar certo. Mas se não der eu tenho um único desejo para cada um deles: aprendam que terminar é um ciclo natural e que isso não precisa ser ruim, mas um recomeço. Lembre-se sempre que é possível recomeçar, recomeçar e mil vezes recomeçar.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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